Águas da Ribeirinha - XVI
Ribeirinha,
diz-nos Gaspar Frutuoso, ‘com nome
diminutivo por ser mais pequena que a ribeira Grande, sua vizinha.’[1] Tal
como a ribeira Grande, para os antigos, ia mudando de nome ao longo do seu
percurso, nomes que identificavam os locais por onde passava, ribeirinha,
também par os antigos, mudava três vezes de nome das Gramas à Rocha. O troço que
atravessa as Gramas, Lugar da Ribeirinha era a ribeira das Gramas. O que
atravessa a Ribeirinha e desagua na Regueira era a ribeira Velha. A levada da
rua dos Moinhos era a ribeira Nova. Também conhecida por ribeira dos Moinhos.[2] A
ribeirinha é uma ribeira de curso de água permanente. É a terceira ribeira da
Cidade da Ribeira Grande. Nasce nas Lombadas, atravessa as Gramas de Cima e de
Baixo, passa pelo centro da freguesia e cai ao mar na Regueira. Com as ribeiras
do Salto e do Rosário, que também nascem nas Lombadas, e que se reúnem a meio
do percurso, forma uma segunda sub-bacia hidrográfica da Bacia Hidrográfica da
Ribeira Grande. A ribeira do Salto, que teve um moinho no tempo da peste da
Ribeira Grande em 1520’s e terá tido um ou outro depois do século XVI, há uma
ruína que o comprova, termina nas Prainhas, secret
spot de surfistas que (mercê de um excelente fundo rochoso) ali encontram ondas
super boas.[3]
Parte da
água da ribeira das Gramas, já fora do Lugar, após alimentar os seus quatro
moinhos, ia alimentar a levada dos três moinhos da ribeira Nova. Levada artificial
semelhante à da Condessa. Porém, enquanto a levada da Condessa na ribeira
Grande atingiu 2500 metros de extensão, a levada dos Moinhos da ribeira Nova da
ribeirinha não foi além dos 900 metros. Mais, enquanto a primeira chegou a ter
catorze (quinze) moinhos, a segunda, teve três.[4] Eram (porém)
os três melhores da Ribeirinha. Águas que abasteciam (também) as levadas individuais
de muito menor dimensão de mais quatro moinhos de ribeira ao longo da ribeira
Velha.[5]
Além dos
moinhos e das fontes públicas distribuídas pela Ribeirinha, a ribeirinha fornecia
água (de Maio - Junho a Setembro - Outubro) a quatro (extensos) canais de onde brotavam
os regos que molhavam campos e quintas até à margem nascente da ribeira Grande.[6] Nos
seus tempos áureos, vistos do alto, estes quatro canais e regos, teriam o
aspecto de uma gigantesca teia. Ao seu nível, essa fabulosa rede não ficará
atrás de outras mais obras criadas pela mão do Homem, entre outras, a janela
manuelina, a fachada barroca da ermida do Espírito Santo, o fontenário
quinhentista abraçado (mas – caso raro -, não destruído) pela lava em 1563. Ou
de obras criadas pela acção da natureza, entre outras, o Pico Arde e Vermelho
(maravilhas da natureza a serem sistematicamente aniquiladas). Essa rede de
canais, de regos e de levadas (graças à condição única geomorfológica do Graben
da Ribeira Grande) constituiu caso único nesta Ilha e nas restantes oito dos
Açores. Pode até dizer-se que sem ela, a Ribeira Grande não teria sido o que
foi. Essa raríssima jóia deve merecer a nossa (incondicional) gratidão. E reconhecimento.[7]
A
Ribeirinha está ligada à Ribeira Grande desde os primórdios do povoamento do
ainda Lugar da Ribeira Grande.[8] Foi
sempre (e ainda é) uma das jóias mais preciosas e úteis da (então Vila e hoje
cidade da) Ribeira Grande: dela vinha a água da rega (para a banda nascente); e
era por ela que a Vila se ligava pelo ao exterior (através do porto de Santa
Iria, hoje arruinado e abandonado pela Região).[9]
Nos seus tempos de maior
glória, tanto quanto já se sabe, a água daquelas ribeiras - Velha e das Gramas
-, incluindo a que corre na levada dos três moinhos, como já foi dito, moveu talvez
(das Gramas à Regueira) onze moinhos. Hoje em dia, não há moinhos a funcionar.[10] Ciente de que a existência de hiatos
documentais relevantes não me permitem propor um relato mais sólido e fiel da
História desses moinhos, cujo número
foi variando ao longo dos anos, quero
aqui (apenas) tentar perceber o mais possível a Historia possível desses moinhos.[11]
Vamos ao início (que importa a esta narrativa) da
Ribeirinha? Já havia povoadores naquela área antes de 1474, porém, o grande empurrão
no desenvolvimento (dali e de toda a Ilha) é posterior a 1474. Ficou a dever-se
à grande actividade do capitão do donatário Rui Gonçalves da Câmara (que
adquiriu o cargo justamente em 1474). No que se refere à Ribeirinha, importa
seguir os passos do filho António Rodrigues da Câmara (que veio juntar-se ao
pai e a outros dois irmãos). Na área da Ribeirinha, António Câmara foi senhor
de uma rica e
grandiosa herdade.[12] Partia
‘da parte do Norte com barrocas do Mar, e
da parte do Noroeste, com a Ribeirinha, e da parte do Levante com os Herdeiros
de Rui Vaz do Trato [outro dos primeiros povoadores da Ribeira Grande. Que
chega aos Jácome Correia e aos Hintze] (…),
e da parte do Sul com as cumeeiras da Serra do Bulcão [Lagoa do Fogo em
1508 antes da erupção de 1563].’[13]
Com esse valioso património (sobretudo) fundiário, mas não só, António da Câmara instituiu em Abril de 1508 um morgadio e a Capela dos Santos Reis Magos na igreja de Nossa Senhora da Estrela (onde ainda hoje se encontra).[14] De que dispunha essa propriedade? ‘(…) casas, terras, pomares, vinha, (…) engenhos, ribeira, casa e chãos, com todas suas entradas e saídas, direitos, pertenças, logradouros, servidões (…).’[15] E, para o caso que nos interessa: ‘uma água que se chama Ribeirinha com que mói o seu engenho de pastel.’[16] Um esclarecimento: serão os engenhos aqui referidos (de forma genérica) moinhos de cereais? Não.[17] Quanto aos moinhos de cereais (que é o que aqui me interessa), só o capitão ou quem ele bem entendesse poderia tê-los. Pois, o pai de António Rodrigues da Câmara (e depois o seu irmão como novo capitão por morte do pai) gozava do monopólio dos moinhos de cereais: ‘haja para si todos os moinhos que houver em a dita Ilha de que lhe assim dou carrego e que ninguém não faça aí moinhos senão ele,’ mas (caso o desejasse) poderia haver excepções ‘ou a quem a ele prouver.’[18] Será que o pai - ou depois os irmãos -, lhe permitiram construir um moinho de cereal na Ribeirinha? Pode ter acontecido. Aconteceu numa situação dramática e excepcional. Como foi o caso da peste de 1526/7. Nessa altura, na ribeira do Salto, diz-nos Frutuoso, fez-se um moinho de cereais.[19] O Capitão Rui Gonçalves, neto do primeiro Rui Gonçalves, na altura a residir no Cabouco, permitiu-o. Ou ele próprio o construiu? Em 1664, sabe-se isso pelo cronista Agostinho do Monte Alverne, havia na Ribeirinha o moinho do porto.[20] Onde? Não nos diz. Seria na ribeira da Ribeirinha (a ribeira Velha)? Ou na ribeira do Salto? Do porto avista-se a ribeira do Salto. Mas poderá ser também o moinho da Rocha que se podia aceder justamente pela rua do Porto Ao certo, há que confessá-lo, não se sabe. Haveria apenas esse moinho do porto? Não nos diz. Porém, é provável que houvesse mais um. Um no centro da Ribeirinha. Talvez do capitão do donatário. Talvez do descendente de António Rodrigues da Câmara. O moinho da rua Direita é conhecido pelo moinho da Marquesa.[21] Trata-se do moinho da rua Direita, o moinho da Conceição Barbosa ou Conceição Moleira, viúva de Luís Barbosa. Porém, essa Marquesa não descende dos Câmara. Era a Marquesa de Jácome Correia, do Lameiro. O moinho fora adquirido em 1910 por ela ou pelo filho Aires Jácome Correia, o verdadeiro Marquês a António José de Sousa Pombo.[22] A haver moinho da família de António Rodrigues da Câmara o maior candidato seria os moinhos do Conde da Silvã, herdeiro dos Câmara.
Quando terão (então) sido construídos
os primeiros moinhos na Ribeirinha fora da alçada do Conde?[23] A hipótese mais segura (por ora)
é de terem surgido (algures) em data posterior a 1766. Porquê então? Porque a partir daquela data permitia-se aos
donos de ‘águas particulares,’ que
era o caso dos morgados sucessores de António Câmara, assim o desejassem
-, que as usassem para levantarem (construírem) ‘moinhos.’[24] Será que aproveitaram aquela lei? Tinham
nascentes dentro dos seus terrenos. Não o terão feito porque dariam moinhos
fracos? Fizeram-no. Entre 1810 e 1815, Francisco Peixoto de Bettencourt, no
prédio do Fidalgo Cabrinha [Conde da Silvã] de
Lisboa, na ribeira pública, construiu três moinhos (três casas de moinhos ou
três moegas?).[25] Quem
foi o Conde da Silvã? É
‘D. João
de Melo Manuel da Câmara, 13.º e último senhor do morgado da Ribeirinha,
primeiro Conde da Silvã.’ Receberia o título ‘por decreto de 3.11.1852.’[26]
Nasceu em 10.2.1800 e faleceu em f. 22.9.1883.
Em 1881, figura
como proprietário de três moinhos (dos tais).[27] Uma
dúvida: de 1810-1815 a 1880 os moinhos eram de quem? Apesar de não dispor de
confirmação, nesse ponto, até prova em contrário, inclino-me a pensar que seriam
dele. Tê-los-ia apenas arrendado naquele período? Em 1886, ao que parece, já os
vendera.
Não se conhece qualquer reclamação (pelo menos eu não
conheço) por parte do Conde da Ribeira Grande. Ou se existiu alguma, não deu em
nada. Porquê? Talvez, sublinho esse facto, porque o
antepassado do Conde da Silvã era António Rodrigues da Câmara. Que desde sempre
tivera moinhos na sua herdade da Ribeirinha? Muito provavelmente. Onde ao
certo? Na
levada que vai à rua dos Moinhos? A primeira referência a uma rua dos moinhos
surge nos róis quaresmais de 1825/6.[28] Por
várias razões (mais indícios), suspeito que naquele ano já ali existissem dois
ou três moinhos. Primeiro: diz-se rua dos moinhos e não rua do moinho. Segundo,
aquela rua conduz aos actuais moinhos alimentados pela levada dos três moinhos
em causa. Terceiro (e isso vem ao nosso encontro): os terrenos por onde a
levada passa pertenciam (quase de certeza) ao Morgadio instituído por António
da Câmara em 1508 (antepassado do Conde da Silvã).[29] Por
isso, admito a possibilidade de que já ali existissem dois ou três em 1826. Em
1848, são mencionados (sem, contudo, serem identificados) três moinhos. Identificados
como azenhas.[30] Serão os três da levada ou ribeira dos Moinhos?
Se esses
três ainda pertenciam ao sistema da levada da rua dos Moinhos, então quando surgem
os primeiros moinhos alimentados
directamente pela ribeira? Em 1818, o Conde da
Ribeira Grande (através do seu Procurador Bastante na Ilha), movia uma ‘acção de força’ contra António Lopes
Pereira, que na Ribeirinha construíra um moinho.[31] Apesar
dessa acção, fruto dos novos ventos liberais que sopravam favoráveis, esse
moinho terá continuado a existir.[32] Onde
teria sido aquele moinho construído? Se por qualquer razão (sobretudo legal?) não
existissem ainda moinhos de ribeira antes de 1846, quaisquer (possíveis) obstáculos
legais seriam totalmente removidos pela Lei de 22 de Fevereiro daquele ano. É (precisamente)
por essa altura que são construídos novos moinhos (no caso da Ribeira Grande) na
levada da Condessa e na ribeira Grande (no centro da Ribeira Grande). Furtando-se
à guerrilha legal da bitola do anel da Levada da Condessa na ribeira Grande, e até
beneficiando do que disso foi resultando, na ribeira Velha e na ribeira das
Gramas constroem-se cinco casas com moinhos. Quatro dos cinco moinhos, pertencia,
à família Cabido e a Manuel Duarte Silva, este último construiu na década de
trinta na levada da Condessa na Mãe de Água, moinho do Félix. Todos eles residindo
no centro da Ribeira Grande. Já então se notava a estreita ligação entre os
moinhos da ribeirinha e os da ribeira Grande. O que se poderá explicar por várias
razões: enquanto os moinhos da ribeira Grande chegaram (no seu auge) a dispor
de quatro casais de mós (os da Levada da Condessa) e os da ribeira (três), os da
ribeirinha/gramas/levada dos moinhos dispunham de um a dois casais. Na ribeirinha,
os dois melhores moinhos eram os da levada da rua dos Moinhos, sendo o mais
potente o de Cima com seis metros de altura de cubo e o do Meio (o segundo) com
cinco.[33] Na
ribeira Grande, o moinho do Açougue (de ribeira) tem mais de sete metros de
cubo. Se os moinhos da
ribeirinha (Gramas, Nova e Velha), tanto quanto sei, escaparam à guerra do
anel, não escaparam à obrigatoriedade de fornecer água à rega. Tinha impacto
total nos moinhos da ribeira Velha. Os das Gramas e os da ribeira Nova, por
ficarem fora do alcance do arco, escapavam. A partir de Maio/Junho prolongando-se
até Setembro (mais ou menos), a água da ribeirinha (tirada num arco entre as
pontes da Fábrica da Chita e a da Afrizada) era desviada para a rega. Não havia
outro remédio senão os moleiros da ribeirinha irem moer aos moinhos da ribeira
Grande? Em parte. Alguns iam moer aos moinhos da ribeira Velha. Ou às Gramas.
Mas não era o suficiente. É a tendência de ir aos moinhos da ribeira Grande e
levada da Condessa que se irá acentuar. Com
vantagem mútua. Um poema de autor (tanto quanto saiba anónimo), recolhido por
Francisco Carreiro da Costa dá conta dessa relação umbilical. Relação que se
estreita cada vez mais. Em situações de apertos, valem-se uns aos outros.
Desaparecem ao mesmo tempo.
‘Ribeira Grande e Ribeirinha
São
duas freguesias rentes:
Com
o negócio da farinha
Se
fazem bons casamentos.’[34]
Espero que
tenham ficado com uma ideia um pouco mais clara da provável evolução dos
moinhos até à década de quarenta, a partir daqui, escorado em duas séries
documentais, vou tentar propor uma evolução um pouco mais segura para as
décadas de cinquenta e oitenta. Com o caniço na água à pesca de qualquer
informação que me possa lançar mais luz sobre a evolução dos moinhos da
Ribeirinha (ribeira das Gramas, ribeira Nova - dos Moinhos e ribeira Velha) espiolhei
e voltei a espiolhar o Livro de Registo
de contribuições pagas pelos ‘engenhos de moer cereais à força da água’ ao
Município da Ribeira Grande para 1854 -1855, 1856 – 1856 e 1856 – 1857. O
que mordeu o anzol? Apanhei o número de moegas em cada casa com moinhos. Onde
se situavam, ainda que de forma vaga. O nome do dono ou do rendeiro. Onde moravam.
Da pescaria, resultou para o ano económico de 1854/55, quinze moegas em oito
casas (vamos simplificar para moinhos). Cinco dessas casas, situadas na ribeira
da Ribeirinha (ribeira Velha) e três na ribeira das Gramas (na realidade é a
mesma ribeira, não se esqueçam).[35]
Nesse ano económico, comprovei a estreita relação entre proprietários naturais
do centro da Ribeira Grande e outros naturais do seu arrabalde a Nascente (a
Ribeirinha). Os três moinhos das Gramas (Gramas de Cima, de Baixo e do Monte do
Outeiro) pertencem a gente da Matriz (centro). O moinho da Rocha (o último da
ribeira Velha, já quase na foz) é também de um proprietário da Matriz. Destes
moinhos, três são dos irmãos Ferreira Cabido: José António, Augusto César e
Jacinto Ferreira Cabido. Um outro irmão era senhor do moinho do Açougue (moinho
de ribeira). Outros da família, têm partes em um moinho da Longaia (Matriz). Manuel
Duarte Silva é também dono de dois moinhos na Mãe de Água, na Matriz. Em
contrapartida, há duas pessoas com o apelido de Afonso, Manuel da Silva Afonso,
da Ribeirinha, no fabuloso Moinho da Palha (uma das sete primeiras casas da
levada da Condessa na Ribeira Grande) e António Moniz Afonso, da Ribeirinha,
com um moinho na Ribeirinha (ribeira Velha).
Destas oito casas (moinhos) de 1854/55, por
qualquer razão que desconheço, não fazem parte as três (casas com
moegas/moinhos) de Jacinto Fernandes Gil (futuro Visconde do Porto Formoso) na
levada ou ribeira dos Moinhos (ribeira Nova). Porquê? Será porque contestava o
pagamento? Entendia que a água que fazia moer as suas moegas não pertencia ao
domínio público? De facto, ficavam dentro da propriedade do Conde da Silvã. Será
porque ainda os estava a construir? Pouco provável. Ou a apetrechar? É
possível. Será porque ainda não os arrendara? Ou comprara? Também é possível.
Apesar de todas essa nossas dúvidas, e são muitas, antes de melhor prova, inclino-me,
como adiante tentarei provar (ou insinuar o mais possível), para a hipótese do
arrendamento. Os moinhos pertenciam ao (futuro ou já?) Conde da Silvã. Ou na
pior das hipótese haviam sido construídos em prédios dele. Continuando a pescar
nas ricas águas das taxas, agora para o
ano económico de 1855 – 1856, agora sim já com Jacinto Fernandes Gil (futuro
Visconde do Porto Formoso), contam-se quinze moegas, não em oito casas mas em
seis moinhos). Jacinto Gil explora quatro moegas distribuídas (como se verá
mais à frente) por três casas de moinho.[36] Isso
na ribeira Nova. Quem é Jacinto Fernandes Gil? Jacinto Gil nasceu em 1821 e
faleceu em 1892, em Ponta Delgada. Em 1869 foi eleito pelo Círculo Eleitoral da
Ribeira Grande (leram bem) deputado nacional pelo Partido Regenerador. Em 1871
foi feito Visconde.[37]
Os três moinhos da área das Gramas (que incluía o Monte do Outeiro) continuam
nas mãos de gente da Matriz. Os três moinhos explorados por Jacinto Gil
Fernandes, morador em Ponta Delgada, são moinhos da ribeira dos Moinhos (levada
artificial que capta a água num local próximo do Centro de Inspecção
Automóvel): o de Cima o do Meio e de Baixo.[38] Jacinto Fernandes Gil (n.
1821-3? – f. 1892 – Ponta Delgada) em 1869 foi eleito pelo Círculo Eleitoral da
Ribeira Grande (leram bem) deputado nacional pelo Partido Regenerador. Em 1871 é
feito Visconde.[39]
Em relação ao ano económico anterior, ficaram duas casas da ribeira Velha de
fora. Porquê? Estiveram parados naquele ano? Não sei. Para a o ano económico de
1856 – 57, o último da série, temos quinze moegas em nove casas de moinhos
(engenhos), três nas Gramas ainda na posse dos mesmos proprietários da Matriz, três
na ribeira Nova, na levada da rua dos Moinhos (de Jacinto Gil, de Ponta
Delgada) e três na ribeira Velha.[40]
Quanto à sorte na pesca, entre 1856/57 e
1880, a propósito de suculentas séries documentais de origem municipal, nada
vezes nada. Só com o ‘Livro de licenças
para moinhos de 1880-1886’ é que logramos quebrar esse jejum documental. Aí
fala-se de ‘casas de moinhos’ e
taxa-se sobre os ‘moinhos que cada casa
tem.’ Já não sobre o número de moegas mas sobre o número de moinhos, aqui
entendidos como casais de mós, o que, na prática, vai a dar ao mesmo, pois não
há moega sem casais de mós. De
1880 a 1886, o número de moinhos (casas com moinhos) oscila entre os cinco em
1880, os oito em 1883 e os nove nos restantes anos.[41] Em
1880, o nome de Jacinto Fernandes Gil já não consta, em seu lugar surge o do Conde
da Silvã.[42]
O verdadeiro dono dos moinhos? Comprara-os? Não os havia vendido? A quem
pertencia o terreno onde estavam implantados os três moinhos e lançada a
levada? O Morgadio de António Rodrigues da Câmara de 1508, que incluía as
terras dos moinhos e da levada, era agora do Conde da Silvã. Ao tempo dos
moinhos ainda lhe pertenciam? Infelizmente, não conhecemos qualquer contrato de
arrendamento, de venda ou de outro tipo ou natureza. Aqueles moinhos haviam
surgido antes de 1854, há indícios, como já vimos, de que recuem a um período
situado entre 1810 e 1815. Foi um tal Francisco Peixoto de Bettencourt que então os construiu (aí não se
diz quantos foram) no prédio do Conde da Silvã. Para conseguir tirar as muitas dúvidas
que nos fazem a cabeça andar à roda, infelizmente, não conhecemos quaisquer eventuais
arquivos privados ou públicos que nos pudessem esclarecer acerca dessas dúvidas.
A taxa do ano económico de 1885, o último ano em que o Conde da Silvã figura
como dono, identifica os três moinhos: moinho de Cima, do Meio e de Baixo. Em
1886, passam a ter dois novos donos. D. João falecera em 1880, dois dos três, o
do meio e o de Cima, estão no nome de ‘Jacinto
Cabral Botelho e José Pimentel Frade.[43] Gente
da Ribeirinha. O terceiro moinho, o moinho de Baixo, já está no nome de António
Inácio Vieira (hoje conhecido como tendo sido do Sr. Fulgêncio Ferreira
Marques).[44]
Outro da Ribeirinha. A família Vieira, a par da família Barbosa e Cabral, a
partir de finais do século XIX e decididamente a partir da sua primeira década,
vão para os ricos moinhos do centro da Ribeira Grande. Para os excelentes
moinhos da Rua, Novo, Alfinete, Cova I (Moinho de Manuel Pedro de Melo e Silva),
Açougue.
Depois
desta série de 1880-1886, seguem-se cronologicamente as Matrizes Prediais da Estrela – Ribeirinha, cujos
registos vão possivelmente da década de noventa do século XIX ou ainda da
década de oitenta. Conseguimos identificar aí nove moinhos.[45]
Três nas Gramas. O das Gramas de Cima, que da década de cinquenta à de oitenta
pertenceu a Manuel Duarte Silva, da Matriz.[46]
E que sendo vendido a Manuel de Sousa Almeida, das Gramas na década de oitenta
do século XIX, em 1919 foi adquirido por Jacinto Cabral Água Morna.[47]
Dois nas Gramas de Baixo. O de Francisco Cabral, das Gramas de Baixo.[48]
E o que fora de Martiniano Ferreira Cabido comprado em 1924 por João Inácio
Vieira, da Ribeirinha.[49]
No limite entre as Gramas e o Centro do Lugar, no Monte do Ouvidor, um outro,
também pertencente a um membro da família Cabido. Vendido em 1929 à Empresa de
Tecelagem Micaelense hoje Centro de Inspecção Automóvel.[50]
Seguem-se, já a beneficiar da chamada ribeira dos Moinhos ou ribeira Nova, dois
dos três do Conde da Silvã; o do Meio e o de Baixo. A Matriz Predial por
qualquer motivo, não regista o moinho de Cima. O Moinho do Meio na década de
1880 passa a ser de José Cabral Botelho, em 1935 passa para Luís da Silva
Cabral. Este moinho viria a conhecer uma azenha no tempo de Hermano Cordeiro.[51]
Na década de 1880, em 1886 já era dele, o Moinho de Baixo passa das mãos do
Conde da Silva para António Inácio Vieira, da Ribeirinha. É herdado por José
Inácio Vieira e é adquirido em 1929 por Fulgêncio Ferreira Marques.[52]
‘O Sr. Fulgêncio Velho meteu uma pedra de
moagem a motor a gasolina. Viera da América e trouxera a família. Os filhos
haviam nascido na América. Morava numa à direita de quem sobe o Outeiro do
Salvador. No canto da rua dos Moinhos.’[53]
Na margem esquerda, na rua Direita, quase no Largo da Cruz, duas casas antes da
Igreja Paroquial, o moinho da Rua Direita que foi vendido em 1910 por António
José de Sousa Pombo, da Ribeirinha, à Condessa de Jácome Correia, de Ponta
Delgada.[54] Na
margem direita da ribeira, indicando que ficava na rua da Ribeira, segundo a
Matriz, e rua dos Brincos segundo Eduardo Vieira, neto materno do último dono
desse moinho, próximo do centro, mais ou menos onde hoje se ergue o Coreto, o
Moinho de Manuel da Silfa Afonso, da Ribeirinha. Em 1925 passa por herança a
Mariano da Silva Afonso.[55]
Um outro moinho, ainda na rua da ribeira, mas mais abaixo, segundo ouvi ao
velho António Vieira em 1986, ficava no Outeiro, que fora da família Costa
Feio, passando por Jerónimo da Costa Cabral, por Manuel da Silva Afonso e em
1925 por herança a Mariano da Silva Afonso. Segundo registou a respectiva
Matriz já não existia.[56]
Perfaz o número de nove moinhos, dos quais, um já não existia. No entanto,
cruzando os dados das séries municipais antes referidas com a tradição oral, haverá
que acrescentar outros dois: o da rocha (que foi da família Cabido) e o moinho
de Cima (do Conde da Silvã). Portanto, sem fazer conta a um ou dois prováveis
que existiram na ribeira do Salto, na ribeira Velha, ribeira Nova dos Moinhos e
ribeira das Gramas, em simultâneo ou não, no seu máximo, terão existido onze
moinhos.
O que recorda a memória oral? Em 1986, numa entrevista que fiz ao Sr. António Vieira, com 90 anos de idade, portanto nascido ainda no século XIX e pertencendo a uma família ligada à farinha e aos moinhos, falando com ele sentado no degrau da porta da sua casa da rua das Covas lembrava-se, foi-me enumerando dez moinhos. Trabalhou em muitos moinhos e trabalhou no moinho do irmão Joaquim Vieira, no moinho Novo, uma das sete primeiras casas da levada da Condessa na Ribeira Grande. Aqui vão como os ouvi da sua boca de montante para jusante: (1) Gramas de Cima; (2) Gramas de Baixo; (3) Fábrica da Chita (Moinho do Sr. Augusto); (4) Moinho do José Barbosa; (5) Moinho do Meio; (6) Moinho do Vieira; (7) Moinho da Barbosa (CONDESSA); (8) Moinho do Manuel da Silva (‘esborralhado.’); (9) Moinho do Outeiro (‘tem a canada.’); (10) Moinho da Rocha (Ti José Genipa) (‘não tem nada.’) (O Genipa foi às lapas/ e a mulher aos caranguejos/ os filhos ficaram em casa/A catarem percevejos.’ [57] Deixou de fora o segundo das Gramas de Baixo. Laureano Almeida, um rapaz já feito nas décadas de quarenta/cinquenta, nosso sempre presente informador das coisas da Ribeirinha, recorda dessa altura sete moinhos a funcionar e um abandonado: ‘(1) O das Gramas de Cima, dentro de uma quinta, do Sr. Jacinto Cabral; (2) o das Gramas de Baixo, explorado por uns Vieiras, depois por alguém que regressou da América; (3) (4) os dois dos Barbosa, o moinho de Cima e o moinho do Meio; (5) o do Sr. Fulgêncio; (6) o do Luís Barbosa, na rua Direita (7) e o do Sr. Mariano Silva na rua das Covas.’[58]
Perguntei a Eduardo Vieira, filho de António
Vieira, o filho mais velho de João Inácio Vieira, que trabalhou no moinho do
avô depois de sair da escola até sair com os pais para Angola em 1959 com 14
anos: Que moinhos trabalhavam aqui na Ribeirinha quando saiu em 1959? Eduardo,
diga-se, que trabalhou no moinho do avô materno Mariano Cabral, ‘o moleiro José
Moleiro estava velhinho e não podia com a taleigas, foi ele que o foi ajudar,’
era também neto paterno de João Inácio Vieira, o João Vieira Velho, que fez o
moinho nas Gramas de Baixo e não só, sobrinho dos Vieiras que foram donos ou
rendeiros dos melhores moinhos da Ribeira Grande, antes de embarcar para Angola
o pai fez de renda o Moinho do Açougue e quando regressou fez de renda o moinho
Outeiro. Regressado de Angola após a independência, viveu catorze anos em Nova
Lisboa e Huambo, regressou á sua terra natal onde ainda é mecânico de
automóveis. Senti que sentia um enorme orgulho em recordar isso. Responde-me: ‘Estavam todos a trabalhar.’ Quais? Pode
começar pelos das Gramas, por favor. ‘Nas
Gramas trabalhavam o das [1] Gramas
de Cima, que era de Jacinto Cabral, o
Água Morna. Nas Gramas de Baixo tinha sido o [2] moinho do meu avô Vieira depois foi do meu tio José Vieira. Era então de
um tal Eugénio. O filho morreu e mora lá a viúva. Na freguesia, o [3] de José Barbosa Velho. Era o melhor
moinho da Ribeirinha. Com duas pedras. Tinha os cubos mais altos. O da [5] Azenha do Hermano Cordeiro. Moía bem.
Trabalhava até com um rego da rega. No Verão não deixava de moer. O do Senhor
José Fulgêncio Ferreira Marques, do Filho [6]. O Sr. Fulgêncio Velho meteu uma pedra de moagem a motor a gasolina.
Viera da América e trouxera a família. Os filhos haviam nascido na América.
Depois o moinho da [7] Rua Direita.
Da Conceição Barbosa, viúva do Luís Barbosa. Na rua dos Brincos, [8] onde ao depois fizeram os urinóis, o moinho
do meu avô Mariano Pacheco da Silva, pai da minha mãe. Depois de sair da
escola, trabalhei lá. Havia lá um moleiro velho o José Moleiro que já não podia
com as taleigas. Passou a ser eu a acartar as taleigas.’ E um no Outeiro? ‘Ouvia dizer, mas só vi lá umas paredes,
mais abaixo, um no Outeiro.’ E o da rocha? ‘Não ouvi falar dele.’ E um segundo nas Gramas de Baixo? ‘Também não ouvi falar dele.’ De onde era a clientela dos moinhos daqui?
‘Da freguesia só. Não vinha ninguém de
fora. A Ribeira Grande tinha moinhos.’ Parece que saiu muita gente da
Ribeirinha nos anos cinquenta, porque foi isso? ‘Mais de 90% era camponeses e lavradores. Havia a fábrica da Chita, do
Leite, da Chicória. Havia crise. Um trabalhor, em dias, ganhava 5$00 ao dia.’
‘O melhor moinho de todos era o do José Barbosa Velho. Cubos altos. Tinha duas
pedras. De Verão só se moía com uma pedra.’ E moinhos que a família dos Vieira
faziam na Ribeira Grande? ‘Meu pai fazia
de renda o moinho da Cova do Milho [O do Açougue] Na Mãe de Água, o meu tio João. No moinho da rua
Direita, o meu tio Alfredo. De renda. Também teve o da rua dos Foros [Do
Alfinete]
que trocou por uma terra como meu tio José. E o seu tio Mariano? Não me lembro
se teve. Dos irmãos, só o meu tio Alfredo e o meu tio é que não saíram da Ilha.’[59]
E quando regressou em 1874/75, quantos moinhos ainda trabalhava na Ribeirinha e
Gramas? ‘Estive 14 anos fora, sai em 1959
com 14 anos. Trabalhava ainda o das (1) Gramas de Baixo. Na Ribeirinha o (2) de
José Barbosa Novo e o (3) do irmão. O (4) do Fulgêncio ainda trabalhava. O (5) da
Senhora Conceição Moleira também.’ [60]
Na década seguinte
ao regresso de Eduardo Vieira à sua terra, no ano 1988, havia já menos um
moinho a trabalhar. Dentro do núcleo central da Ribeirinha, além do moinho da
viúva de (1) Luís Barbosa, moinho da rua Direita, ainda estavam activos (2) o moinho
de Romão Barbosa (Moinho do Meio), (3) o do irmão José Barbosa (moinho de Cima).
Em 1980, Eugénio Melo do moinho das Gramas de Baixo emigrou com a família para
a América, ocasionalmente o filho mais velho, casado, que ficara atrás, mói.[61]
Em 1993, mantinha-se o mesmo número de moinhos.[62]
Porém, entre 1993 e o final do século, os moinhos foram reduzindo a sua
actividade e fechando portas. Pelas mesmas razões dos moinhos do coração da
Cidade da Ribeira Grande. E agora? Restava pouco mais do
que preservar a sua memória? Mas como o fazer? A 1 de Dezembro de 2001, a Junta
e a Câmara inauguram o Jardim do Moinho. Para construir o jardim, no entanto,
sacrificaram o que restava do outrora imponente Moinho do Sr. Fulgêncio. Como
memória desse moinho, colocaram um painel de azulejos pintado por Ilídio
Machado e executado na Cerâmica Micaelense. Trata-se da reprodução sobre azulejo
de uma fotografia. Vem datado de 2001. Esse mesmo moinho, figura no painel Sul
do Salão Nobre da Câmara Municipal da Ribeira Grande pintado pelo famoso pintor
de azulejos Jorge Colaço. É da década de trinta do século XX. O pintor reproduz
uma outra fotografia. Um executivo da Junta de Freguesia pretendendo honrar (e
bem) a memória dos moinhos da terra abriu em 2009/2010 – no moinho da rua
Direita -, o Museu do Moinho.[63] Que
outro elenco de Junta de Freguesia, não sei se mantendo ou não a função
inicial, passou a Casa do Artesanato. Ao lado, num edifício encostado, há a
Casa do Romeiro.[64]
Por algum tempo, o Moinho Cima da ribeira dos Moinhos (o melhor da Ribeirinha) foi
visitável. Lamentavelmente, por falta de limpeza da levada, fechou. Dizem-me. Na década de sessenta, haviam feito,
levados pelo exemplo recente da ‘Cova do Milho, haviam prestado um valioso
serviço à ribeira. Em Março de 1968, visitando Ribeirinha, Daniel de Sá rendeu-se
ao aspecto da ‘praça ao pé da
igreja.’ ‘O que lá mais nos prende a atenção é o leito da ribeira. Antes, era
de ruim aspecto como todos que servem de
estrumeira…agora, é um verdadeiro jardim (…).’[65]
E a ribeira a montante e a
jusante desse pequeno oásis?
Infelizmente, padece do mesmo mal da ribeira Grande, da Seca e da Levada da
Condessa: efluentes domésticos, vacarias, etc.[66] E
exige cura idêntica. Como disse recentemente o filósofo José Gil, ‘a qualidade de vida é agora.’[67]
PS: A lindérrima
vereda marginal à ribeira trilhada diariamente pelos operários da antiga Fábrica
de tecelagem, hoje intransitável, pede que a devolvam às pessoas.[68]
Pedra da
Lembrança: e a obra prometida do Porto de Santa Iria? - Cidade da Ribeira
Grande (continua)
PS: Num trabalho de recolha oral de 1988
coordenado pelo Professor Álvaro com alunos de um programa de Educação
Permanente, os alunos falaram com familiares e conhecidos mais velhos, quanto a
moinho que haviam existido nas Gramas e dentro da Ribeirinha, chegou-se a onze
moinhos: nove dentro da Ribeirinha e dois nas Gramas. Porém, só deram prova de
dez moinhos.[69]
[1] Frutuoso,
Gaspar, Saudades da Terra, Livro IV
[2] Testemunho de
José Romão, 2 de Setembro de 2024: ‘Da
fabrica das chitas para cima, é a ribeira das Gramas, para baixo da fábrica das
chitas para baixo é a ribeira Velha da Ribeirinha.’
[3] Nota de 6 de
Agosto de 1016: Veja-se Gaspar Frutuoso. Há vestígios no terreno e na memória
oral. A esse respeito, veja-se o meu trabalho sobre as Prainhas.
[4] Houve um
terceiro moinho ao fundo da avenida – ao lado do do Sr. Fulgêncio. O seu arco
de cabouco ainda é visível. Mas não terá feito parte destes três.
[5] Nota de 6 de
Agosto de 2026: Além dos três da levada da ribeira dos Moinhos (Moinho de Cima;
do Meio e de Baixo); 1) Gramas de Cima; 2) Gramas de Baixo; 3) Monte do
Ouvidor; 4) Rua Direita; 6) onde hoje se construiu o coreto; 6) Rua do Jogo; 7)
Rocha. Poe ter existido mais um ou dois que ainda não confirmei. Na ribeira
Grande e na levada chegou a haver 27 a 28. 15 na levada d Condessa (não é
gralha, foram 15) e 13 ao longo das margens da ribeira (3 na Longaia); 3 na Mãe
de Água; 1 na ribeira do Escarola; 2 na Ponte Nova; 1 na rua do Barracão Velho
e 3 na Cova do Milho.
[6] A construção em
meados do século XIX e a de inícios do século XXI, alteraram percursos. Um dos
quatro que chegou até nós, vinha do engenho velho no Lameiro e irrigava as suas
terras até ao porto de Santa Iria. Outro, colhendo água da Água Férrea e da
ribeira, dirigia-se ao caminho novo das Caldeiras e irrigava as terras até à
canada Nova (já no centro da Matriz); um terceiro, saía do moinho da rua na
Ribeirinha e passando pela rua da Afrizada,
à entrada da Ribeirinha, subdividia-se, um ramo para norte até às barrocas do
mar, outro, Rosário abaixo, irrigava os terrenos até ao Rosário (na Matriz).
Outro rego partia diante do moinho da rua e dirigia-se às Covas.
[7] Continua a tentar encontrar o paradeiro de uma carta dos
regos que existiu ou ainda existe no IROA. O seu responsável prometeu-me fazer
uma pesquisa.
[8] Antes de
continuar a escrever mais uma linha, relembro
que até 3 de Agosto de 1948, a Ribeirinha (onde se inclui o Lugar das Gramas)
foi Lugar da Freguesia Matriz de Nossa Senhora da Estrela.[8]
Apesar de ter sido elevada a Curato em 1674, a paróquia do Santíssimo Salvador
do Mundo, independente da paróquia mãe de Nossa Senhora da Estrela, só seria
erigida a 25 de Maio de 1956. O seu primeiro templo, já dedicado ao Santíssimo
Salvador do Mundo, situado no local onde hoje resta um pequeno adro na subida
para o Lameiro, foi mandado construir junto às suas casas por António Gonçalves
da Câmara. Tendo ali permanecido até à inauguração em 1826 do templo actual
(Curato ainda). E que, a partir de 1981, passou a ser uma das cinco freguesias
da cidade da Ribeira Grande.
[9] Dele veio peixe, por lá exportou-se laranja,
apanhou-se cachalote. Chegou a ter Alfândega. Pelo movimento
e importância, foi um dos três (no máximo quatro) principais portos da Ilha.
Nota de 6 de Agosto de 2026: Ao que parece já há planos, orçamento e só falta
lançar a obra a concurso para iniciar alguma recuperação do acesso (proteccção
das arribas) e muralha do porto. Não sei se mais porque aquilo tudo parece que
está no segredo dos deuses.
[10] Água férrea); a Matriz
é abastecida pela nascente dos Pachões (recebe igualmente o excedente da
Ribeirinha). Hoje, as duas freguesias
citadinas a nascente (Ribeirinha e Matriz) são abastecidas por nascentes
que nascem no Monte Gordo: Pachões e Água Férrea (nas Gramas de Cima).
[11]Nota de 7 de
Agosto de 2026: Faltam-nos importantes fontes documentais. Não conheço nada
entre a série de recolha de taxas municipais sobre o número de moegas de 1856 a
1857 e a nova série municipal que taxa os moinhos (casais de mós) de 1880 a
1886. Daí até já à segunda metade do século XX, felizmente temos as Matrizes
Prediais (da Fazenda Pública). Não tenho conhecimento de contratos de sociedade
ou outros seja em fundos notariais ou particulares. Ou a existência de um fundo
do Conde da Silvã e do Visconde do Porto Formoso. Se existem, não procurei como
deveria ter procurado. Sobre moinhos da Ribeirinha, além dos que aqui citei, há
um pequeno texto de Laureano Almeida sobe o Moinho do Sr. Fulgêncio Ferreira
Marques – o moinho de Baixo da ribeira dos Moinhos -, publicado no jornal
(infelizmente, não me consegue localizar).
No dia 26 de Setembro de 2024, alguns poucos dias após a
publicação deste texto no Correio dos Açores, encontrei um trabalho que me cita
e reproduz imagens por mim colhidas entre 1984 e 1986: Almeida, Filipe Silva, Património molinológico: proposta para a
preservação e reutilização de um moinho, Universidade Fernando Pessoa,
Porto, 2015. Não traz nada diferente: ‘(p.38)
Na freguesia da Ribeirinha, o número de moegas varia entre 1 e 2 (…);
‘(p.49) [dá 6 mais dois moinhos?] Na freguesia
da Ribeirinha sustentados por água proveniente da ribeira das Gramas,
totalizou-se 6 unidades, encontrando-se 3 delas em levadas independentes e as
restantes 3, distribuídas ao longo de uma levada.’
[12] BPARPDL,
Provedoria dos Resíduos de Ponta Delgada. Auto de prestação de contas de
vínculos e legados pios, Instituição do Morgado de Antão Rodrigues da Câmara,
Santarém, 17 de Abril de 1508, N.º 0095: ‘por
títulos de arrematação de compras como por cartas de dadas de seu padre capitão
da dita Ilha e de seu irmão Pedro Rodrigues lhe foram dadas de sesmaria.’
[13] BPARPDL,
Provedoria dos Resíduos de Ponta Delgada. Auto de prestação de contas de
vínculos e legados pios, Instituição do Morgado de Antão Rodrigues da Câmara,
Santarém, 17 de Abril de 1508, N.º 0095.
Encostado às propriedades
de António, havia as do seu irmão Pedro Rodrigues da Câmara.Frutuoso, Gaspar, Saudades da Terra, Livro
IV, ICPD, Ponta Delgada, 1998, p. 104. Frutuoso, Gaspar, Saudades da Terra,
Livro IV, ICPD, Ponta Delgada, 1998, p. 104: ‘Para poente das de António,
atente-se na extensão da propriedade, comparável à de António: ‘cuja largura começava donde está a casa do
Espírito Santo [Frutuoso refere-se a ermida do Espírito Santo? Que diz que
está junto à praça? Ou a outra casa?],
indo para cima até às casas de Henrique de Betencor [Hoje Largo das
Freiras. Henrique era filho de Pedro Rodrigues da Câmara], endireitando à Ribeira Grande, e daí, indo pelos chãos de Lopo Dias
Homem, correndo por junto do pé do Monte de Trigo [Pico das Freiras], e chegava ao assento de Rui Gago da
Câmara, onde vivia Manuel Vaz [Já na Ribeirinha?], e daí descia para o mar e ia ter ao assento de Pero Dias, da Achada,
pelo que eram muitos moios de terra (…).
[14] BPARPDL,
Provedoria dos Resíduos de Ponta Delgada. Auto de prestação de contas de
vínculos e legados pios, Instituição do Morgado de Antão Rodrigues da Câmara, Santarém, 17 de Abril de
1508, N.º 0095.
[15] BPARPDL,
Provedoria dos Resíduos de Ponta Delgada. Auto de prestação de contas de
vínculos e legados pios, Instituição do Morgado de Antão Rodrigues da Câmara, Santarém, 17 de Abril de
1508, N.º 0095: ‘‘(…) Uma quintã com suas terras de pão, matos,
pastos, águas, com suas casas, granéis, seleiros, engenhos, vinhas, pomares,
com todas outras pertenças.’
[16] BPARPDL,
Provedoria dos Resíduos de Ponta Delgada. Auto de prestação de contas de
vínculos e legados pios, Instituição do Morgado de Antão Rodrigues da Câmara,
Santarém, 17 de Abril de 1508, N.º 0095.
[17]Carta da Infanta D. Beatriz de doação (e
confirmações) da Capitania da Ilha de São Miguel a Rui Gonçalves da Câmara e da
sua compra a João Soares, em 10 de Março de 1474, Manuel Monteiro
Velho Arruda, Colecção de Documentos
relativos ao descobrimento e povoamento dos Açores, Instituto Cultural de
Ponta Delgada, 1977, p. 170. Os textos parecem distinguir o moinho de cereais
das demais máquinas. Leia-se a Carta de 1474 da Infanta D. Beatriz ao capitão:
‘(...) e assim o façam seus herdeiros e
das serras de água e outros quaisquer engenhos haverá o direito que têm os
capitães da Ilha da Madeira (…).’ Frutuoso, por seu turno, no século
seguinte, distingue perfeitamente engenho de moinho. Apesar de o termo engenho
se referir também a moinhos de cereal, era mais vulgar designar assim os
engenhos de pastel ou as serras de água.
[18]Carta da Infanta D. Beatriz de doação (e
confirmações) da Capitania da Ilha de São Miguel a Rui Gonçalves da Câmara e da
sua compra a João Soares, em 10 de Março de 1474, Manuel Monteiro
Velho Arruda, Colecção de Documentos
relativos ao descobrimento e povoamento dos Açores, Instituto Cultural de
Ponta Delgada, 1977, p. 169. Ficavam (apenas) de fora: ‘mó de braço que a faça quem quiser não moendo outrem em ela e não
façam atafonas.’
[19] Apesar de o
cronista não aludir a moinhos na ribeirinha ou na do Salto na crise de 1563/64,
seria imprudente excluir essa hipótese. Um desenrasque apenas. Em 1525, as
águas da ribeirinha e da ribeira do Salto haviam ajudado a rasgar o caminho
para o porto da Vila da Ribeira Grande: porto de Santa Iria.
[20] Monte Alverne, Frei Agostinho, Crónicas
da Província de São João Evangelista das Ilhas dos Açores, ICPD, Ponta
Delgada, 1961, p. 304: ‘‘Em 8 de Junho de 1664, em Domingo da Trindade veio
aportar em uma caravela nova, em sua primeira viagem, mestre Miguel Gomes
Falcato, defronte do moinho do porto, com 24 dias de viagem, acossada de
temporal, o que sabendo o padre comissário Frei António de São José, que,
então, era dos Terceiros, o que não pôde fazer, por ser já tarde e ventar muito
para a desembarcar, o que no dia seguinte fez, acompanhado dos capitães Rodrigo
da Câmara, Manuel Bicudo, Rui Tavares e o padre Francisco Nunes, e tanto que
esteve em terra o caixão do Santo Cristo, logo que o vento se mudou ao
norte a caravela se fez ao porto da cidade, onde ancorou terça-feira,
desembarcando o Senhor no porto de Santa Iria.’
[21] Nota de 4 de
Agosto de 2026: Aires Jácome Correia (n. 1882 – f. 1937), dono do Lameiro, foi
feito Marquês em 31 de Janeiro de 1901. Quem seria a Marquesa? Talvez o povo
tratasse assim a mãe, D. Libânia Amélia Ferreira (n. 1854 - faleceu em 1943).
Talvez também tratasse assim as filhas: Margarida Vitória e Dona Josefa
Gabriela.
[22] Nota
acrescentada em 4 de Agosto de 2026. CF. AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz
e Ribeirinha, volume 32, 1256-2407, artigo 2292: ‘Rua da ribeira, Ribeirinha.
Prédio que consta de uma casa com dois engenhos de moer cereais à força de água
que confronta Norte: rua; Sul: Primo Pacheco; Nascente: Manuel Joaquim de
Oliveira e Poente Maria de Jesus Pacheco. Passou a 1348. António José de
Sousa Pombo, rua Direita – Ribeirinha; 1910 – Condessa Jácome Correia.’ Cf.
AMRG, Matriz Predial, Urbano, Matriz/Ribeirinha, volume n.º 36, 931-1407,
artigo 1348: ‘1348 – Rua Direita, Ribeirinha, Condessa Jácome Correia, Ponta
Delgada, Prédio que consta de uma casa com dois engenhos de moer cereais (…)
que confronta Norte: rua; Sul: Primo Pacheco; Nascente: Ana de Oliveira e
Poente: Marcelino Paulo Lopes, provém do artigo 2292.’
[23] Nota de 1 de
Março de 2026.
[24] Carta Régia para o
mesmo Dom Antão de Almada, Palácio da Ajuda, 15 de Setembro de 1766, in O
Códice 529 - Açores. Introdução e fixação do texto por José Guilherme Reis
Leite. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1988,
p.177: ‘1766: ‘A liberdade, em que
ficavam os mesmos moradores de usarem dos seus fornos, engenhos de bestas nas
suas casas, e fazendas, e de se servirem das suas águas particulares para os
moinhos que com elas lhes parecesse levantar, dando-lhes aquelas aplicações,
que lhe pudessem ser mais úteis, e proveitosas.
[25] Nota de 7 de Abril de 2026:
BPARPD/FAM/RG/12/491, Relação dos moinhos movidos pelas águas públicas e particulares
que têm mandado construir várias pessoas desta Ilha de São Miguel desde
1810 a 1815; 1810-1815: ‘(fl.2)
Ribeirinha, 3 moinhos (moegas? Casas de Moinhos?) (Na Ribeira Pública).
Francisco Peixoto de Bettencourt. Prédio do Fidalgo Cabrinha de Lisboa. Ribeira
Pública.’
[26] Rodrigo
Rodrigues, Genealogias de São Miguel e de Santa Maria. Viveu repartido entre Lisboa, Ribeirinha e Ponta Delgada.
[27]Cada um com dois casais de mós.
[28] Já havendo, no
entanto, moradores (que antes eram identificados como residentes da rua de São
Salvador) em 1825, presume-se que já houvesse moinhos antes de 1826. Quanto
tempo antes?
[29] A levada em
causa tem actualmente cerca de 900 metros. Capta a água na ribeira das Gramas.
[30] Teófilo de
Braga, Percurso pedestre à Ribeirinha, Amigos dos Açores, 1993: ‘Curiosamente,
de Janeiro a Maio de 1848, três azenhas desta localidade moeram cerca de 65
moios de milho e 23 moios de trigo.’ Queriam mesmo dizer azenha ou dão esse
mesmo nome a um moinho de rodízio? Não o esclarecem. Porém, no moinho do meio, que foi do Conde da
Silva e que pertenceu a Hermano Cordeiro, esse último introduziu uma azenha
talvez em 1951/2. Na s Festas do Santíssimo Salvador do Mundo, na mão da água
do moinho da tia Conceição Moleira, eu próprio vi na década de sessenta,
montavam uma miniatura de azenha. Reminiscência daquela da década de cinquenta?
Devo aqui repetir o que tenho insistido noutros trabalhos: terá havido azenhas
antes?
[31] Nota de 7 de Abril de 2026:
BPARPD/FAM/RG/12/30/30.22, Requerimento do Conde da Ribeira Grande para
certidão dos réus acusados de terem construído moinhos nas ribeiras públicas
(de que tem o monopólio), 1819-04-30.
[32] Se
entre 1766 e 1821, não fora construída aquela levada, a partir de 1821, com os
Direitos Banais abolidos, já haveria ali moinhos. Joel Serrão, Dicionário de História de Portugal, Livraria
Figueirinhas, Porto, 1985. v. 2, p.320; Açoriano
Oriental, 29 de Maio de 1841: ‘Anúncios.
Moinhos. Hão-de ser arrematados por quem der mais, de aforamento perpétuo, os
oito (8) moinhos da mesma Vila (Ribeira Grande).’; João Adriano Ribeiro,
Moinhos nos Açores: elementos para o seu estudo, Islenha, Funchal, n.º 20,
Janeiro - Junho de 1997 p.40: ‘Os privilégios dos donatários terminaram com a
lei dos Direitos banais em 1821 [Decreto de 20 de Março de 1821 que suprimiu muitos deles
e a lei de 22 de Fevereiro de 1846 que os declarou abolidos]. Foi a partir de então que qualquer
proprietário pôde construir o seu próprio moinho e deixar de se submeter às
arbitrariedades do donatário, depositadas nas mãos do rendeiro.’
[33] Testemunho de
Romão Barbosa, 7 de Setembro de 2024.
[34] Costa, Francisco Carreiro da, Ainda a respeito de moleiros, fl. 4.
[35] AMRG, Livro de
Registo de contribuições pagas pelos moinhos ao Município da Ribeira Grande,
1854-1857, volume 66, 1855-1857: Para o ano económico de 1854: ‘Três
localizados nas Gramas: ‘Manuel Duarte
Silva, Gramas – 1 casal,’ que morava na rua da Ponte Nova, Matriz; José
António Ferreira Cabido, com 2 casais e o irmão Augusto César Ferreira Cabido,
da rua Detrás da Matriz, também com 2 casais. Na ribeira Velha, ou da
Ribeirinha, José António Ferreira Cabido. Dispunha de outro, também com 2
casais. Seria da levada? Manuel de Sousa, ribeira da Ribeirinha, 2 casais. Esse
corresponderá ao moinho da rua. Bento José de Paiva Lopes, Ribeirinha,
Ribeirinha, 2 casais. António Moniz Afonso, Ribeirinha, 4 casais. Que veremos
no ano económico de 1856 – 1857 correspondem a três casas distintas.
[36] Nota de 4 de
Agosto de 2026: São três casas: AMRG, Livro de Registo de contribuições pagas
pelos moinhos ao Município da Ribeira Grande, 1854-1857, volume 66, 1855-1857:
Jacinto Gil Fernandes (visconde do Porto Formoso) aqui claramente com quatro
moegas distribuídas por três casas. AMRG, Livro de Registo de contribuições
pagas pelos moinhos ao Município da Ribeira Grande, 1854-1857, volume 66,
1856-1857: Fernando Gil, 1 moega; idem, 1 moega; Idem 2 moegas.
[37] Leite, José Reis, Gil, Jacinto Fernandes (1.o visconde de Porto Formoso), Enciclopédia Açoriana, Centro do
Conhecimento dos Açores: Sendo um comerciante de sucesso, ao contrário da
generalidade dos actuais, foi ‘um grande benemérito apoiando financeiramente diversas instituições de solidariedade da ilha
de São Miguel, às quais entregou sempre os seus rendimentos de deputado.’
[38] AMRG, Livro de
Registo de contribuições pagas pelos moinhos ao Município da Ribeira Grande,
1854-1857, volume 66, 1856-57. As famílias Cabido e Duarte Silva – residentes
no centro da Ribeira Grande -, insista-se: destacam-se desde o princípio como
proprietários de moinhos na área.
[39] Leite, José Reis, Gil, Jacinto Fernandes (1.o visconde de Porto Formoso), Enciclopédia Açoriana, Centro do
Conhecimento dos Açores: Sendo um comerciante de sucesso, ao contrário da
generalidade dos actuais, foi ‘um grande benemérito apoiando financeiramente diversas instituições de solidariedade da ilha
de São Miguel, às quais entregou sempre os seus rendimentos de deputado.’
[40] AMRG, Livro de
Registo de contribuições pagas pelos moinhos ao Município da Ribeira Grande,
1854-1857, volume 66, 1856-57. As famílias Cabido e Duarte Silva – residentes
no centro da Ribeira Grande -, insista-se: destacam-se desde o princípio como
proprietários de moinhos na área.
[41] Em 1886. Cindo
em (1880), nove (em 1881), nove (em 1882), oito (em 1883), de novo nove (em
1884); ainda nove (em 1885), oito (em 1886).
[42] Fernandes Gil
Fernandes (talvez apenas rendeiro) estava a viver em Lisboa e terá preferido
passar os moinhos. Nota de 4 de Agosto de 2026; [Moinho de Baixo, hoje conhecido
como moinho do Sr. Fulgêncio] CF. AMRG, Matriz
Predial, Rústica, Matriz-Ribeirinha, Volume 32, 1256-2407, artigo 2284, Rua da
Ribeira Ribeirinha, Prédio que consta de uma casa com dois engenhos de moer
cereais à força da água e que confronta Norte e Nascente: Servidão; Sul:
Francisco Pacheco de Sousa; e Poente: ribeira; Conde da Silvã, Lisboa; António
Inácio Vieira, Ribeirinha, passou a 1377; AMRG, Matriz Predial, Urbana,
Matriz-Ribeirinha, Volume 37, 931-1407, 1377, Rua da Ribeira, Ribeirinha, (…)
António Inácio Vieira, Ribeirinha; 1925 herança, José Inácio Vieira; 1929,
Fulgêncio Ferreira Marques (…); ’ [Moinho
do Meio, hoje moinho do Romão. Foi azenha no tempo de Hermano Cordeiro] AMRG, Matriz Predial, Rústica,
Matriz-Ribeirinha, volume 32, 1255-2407, artigo 2286: ‘Rua da Ribeira,
Ribeirinha, Uma casa de moer cereais à força da água que confronta Norte e
Nascente: servidão; Sul: João Tavares; Poente: ribeira, Conde da Silvã, Lisboa;
José Cabral Botelho, Ribeirinha, passou a 1378; ‘AMRG, Matriz Predial, Urbano,
Matriz Predial Matriz - Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo n.º 1378: José
Cabral Botelho, Ribeirinha; Isabel da Luz Vieira e outros, 1925 por herança;
Ambrozina Isabel da Costa
Cabral, 1926 por herança, ¼, Ribeirinha; Isabel da Luz Vieira ½, Ribeirinha;
Manuel Cabral Botelho ¼; Luís da Silva Cabral, Ribeirinha, 1935, provém do
2286.’ [Não
consegui prova do terceiro moinho, o de Cima, nas Matrizes Prediais acerca do
Moinho de Cima, mas consigo-o provar com as taxas de 1856 - 1857. Na década de
40 do século XX, era de José Barbosa, que comprará a Hermano Cordeiro o do Meio
a Hermano Cordeiro. Beneficiando da água da levada, o moinho de cima só pode
ter pertencido ao Conde da Silvã]
[43] AMRG, Livro de licenças para moinhos 1880-1886, Livro 3,
Volume 115: ‘residem na Ribeirinha,
moinho na rua dos Moinhos, dois casais de mós; e de novo José Cabral Botelho,
reside na Ribeirinha, situado na rua dos Moinhos, identificado como moinho do
meio, 2 casais de mós;’ AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha,
Volume 32, 1256-2407, artigo 2286, Rua da ribeira, Ribeirinha, Conde da Sivã,
José Cabral Botelho, Ribeirinha; AMRG, Matriz, Predial Urbano, Matriz –
Ribeirinha, Volume 37, 931-1407, artigo 1378: José Cabral Botelho, Isabel da
Luz Vieira e outros - 1925 por herança; Ambrozina Isabel da Costa Cabral (…)
etc… Luís da Silva Cabral, Ribeirinha 1935 (…) (Hermano Cordeiro; 1950’s José
Barbosa de Oliveira; Romão Oliveira).
[44] AMRG, Matriz
Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, Volume 32, 1256-2407, artigo 2284. Em
1925 por herança passa a José Inácio Vieira e em 1929 passa a Fulgêncio
Ferreira Marques CF. AMRG, Matriz Predial, Urbana, Matriz – Ribeirinha, Volume
37, 931-1407, artigo 1377.
[45] AMRG, Matrizes Prediais, Estrela (inclui Ribeirinha),
[1890’s – 1916 indo além dessas datas] pesquisa 5 de Setembro de 2024/ 4 de
Agosto de 2026: (1) AMRG, Matriz Predial (…) Livro 37, 947-1407, rua da
Ribeira, Ribeirinha, artigo 1348; (2) Livro 37 Rua da Ribeira, Ribeirinha, (…),
artigo 1377; (3), volume 37, Rua da Ribeira, artigo 1378; (4) Volume 37, artigo
1359, Rua da Ribeira; (5) volume 37, rua da ribeira, artigo 1358; (6) volume
37, Monte do Ouvidor (Fábrica de Tecelagem/ Centro de Inspecção), artigo 1183;
(7) Volume 37, Gramas de Cima, artigo 1189; (8) Volume 37, Gramas, artigo 1184;
(9) Gramas, Volume 37, artigo 1217.
[46] Nota de 6 de
Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 32,
1256-2407, artigo 1948.
[47] Nota de 6 de
Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37,
931-1407, artigo 1189.
[48] Nota de 6 de
Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 32,
1256-2407, artigo 1942; Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial,
Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 1184.
[49] Nota de 6 de
Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 32,
1256-2407, artigo 1979; Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial,
Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 1217.
[50] Nota de 6 de
Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 32,
1256-2407, artigo 1778; Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial,
Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 1183.
[51] Nota de 6 de Agosto de 2026: O de Cima: AMRG, Matriz
Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 32, 1256-2407, artigo 2286;
Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz
Predial, Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 1778.
[52] Nota de 6 de
Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 32,
1256-2407, artigo 2284; Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial,
Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 1377.
[53] Testemunho de Eduardo Vieira, vai
fazer 82 anos, 8 de Agosto de 2026.
[54] Nota de 6 de
Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 32,
1256-2407, artigo 2292; Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial,
Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 12 (3?) 48.
[55] Nota de 6 de
Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 33,
2408-3369, artigo 3137; Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial,
Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 1358.
[56] Nota de 6 de
Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 33,
2408-3369, artigo 3138; Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial,
Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 1359.
[57]Mário Moura, 15 de Outubro de 1986, (informação do
moleiro António Vieira – 90 anos em 1986.
[58] Nota de 6 de
Agosto de 2026: Testemunho de Laureano Almeida, nascido em 1937, 6 de Agosto de
2026.
[59] Testemunho de Eduardo Vieira, vai
fazer 82 anos, 8 de Agosto de 2026.
[60] Testemunho de
Eduardo Vieira, vai fazer 82 anos, 8 de Agosto de 2026.
[61] Entrevista de
Mário Moura a António Vieira, 90 anos, 1986. Cf. Trabalhos elaborados em 1988
por alunos, Ribeirinha, Coordenação Concelhia de Educação Permanente da Ribeira
Grande, Feijó, Álvaro, Ribeirinha: Uma Viagem no tempo, 2017, p. 107.
Testemunho da filha Irene, 16 de Agosto de 2026: Eugénio Melo. Moinho das
Gramas de Baixo, Embarcou 1980.
[62] Teófilo de Braga, Percurso pedestre à Ribeirinha, Amigos
dos Açores, 1993.
[63] Testemunho de
José Carlos Garcia, 12 de Setembro de 2024: A Junta de Freguesia da Ribeirinha
– no mandato do Presidente Eugénio Salvador -, recebeu do Lameiro em 1998 a
posse do Moinho que fora explorado pela Sr.ª Conceição Barbosa (Moleira).[63] A ideia
da sua transformação em museu, porém, já vinha do mandato de Álvaro Feijó.
Porém, tal só veio a se concretizar em 2009/2010, no mandato de José Carlos
Garcia. Testemunho de António Cymbron, 14 de Setembro de 2024: Na década de
quarenta, a minha sogra – a pedido da Conceição Moleira -, comprou-lhe o
moinho. A partir daí o Lameiro dava água ao moinho. A minha esposa, Ana Hintze
Cymbron, facilitou (cedendo a sua parte) a passagem dele para a Junta na
condição de fazerem ali um museu. Segundo neta do proprietário (17 de Setembro
de 2024) temporariamente indisponível, a levada carece de limpeza, o moinho de
cima abre as suas portas a quem o queira visitar. Correcção de 4 de Agosto de
2026: o moinho da rua foi adquirido na década de 10 do século XX. Como é que a
Conceição moleira comprou aquela parte? Não sei.
[64] Observação ao
local em 7 de Agosto de 2026.
[65] Daniel de Sá, Ribeirinha,
Açores, 24 de Março de 1968, pp. 1, 7: ‘Em
grande parte destes benefícios há a destacar a acção do Senhor José Moniz
Furtado, actual Presidente da Junta de Freguesia, bem como o Senhor Alfredo
Cabral Botelho, secretário da mesma.’
[66] Sofrem outro
tanto com as enxurradas: em 1919, na década de 1990 e recentemente a do dia 3
de Junho de 2024. Além disso, a freguesia citadina da Ribeirinha está só
parcialmente coberta pela rede doméstica municipal de saneamento. Que as
correntes arrastam (por vezes) até às Poças e ao Monte Verde? E a das Prainhas?
Idem.
[67] Joaquim Paulo
Nogueira, À conversa com José Gil, Tempo Livre, Inatel, Setembro - Outubro de
2024, p.7.
[68] É uma selva
amazónica de esgotos domésticos (alguns disfarçados). Animais deambulam pela
ribeira, outro pastam próximo. Isso a montante e a jusante. Quase a chegar à
foz, uma unidade industrial de areia. Para além de vacarias. A levada é também
usada para outros fins.
[69] Cf. Trabalhos elaborados em 1988 por
alunos, Ribeirinha, Coordenação Concelhia de Educação Permanente da Ribeira
Grande, Feijó, Álvaro, Ribeirinha: Uma Viagem no tempo, 2017, p. 106. 1) O
moinho da Rocha, do Jenipa (foi dos Cabidos); 2) o do Outeiro; 3) Moinho da rua
do jogo; 4) o moinho da rua; 5) o do Sr. Fulgêncio (Moinho de Baixo); 6)
Fábrica do Linho; 7) moinho da ponte ou da ribeira (Moinho do Meio); 8) Moinho
de José Barbosa (Moinho de Cima); 9) Gramas de Baixo (José Manuel); 10) Gramas
de Cima (de Jacinto Cabral). Será o 11.º um terceiro que terá havido nas
Gramas? Ou o que existiu na ribeira do Salto.



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