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Águas da Ribeirinha - XXIV

















Águas da Ribeirinha - XVI

 

Ribeirinha, diz-nos Gaspar Frutuoso, ‘com nome diminutivo por ser mais pequena que a ribeira Grande, sua vizinha.[1] Tal como a ribeira Grande, para os antigos, ia mudando de nome ao longo do seu percurso, nomes que identificavam os locais por onde passava, ribeirinha, também par os antigos, mudava três vezes de nome das Gramas à Rocha. O troço que atravessa as Gramas, Lugar da Ribeirinha era a ribeira das Gramas. O que atravessa a Ribeirinha e desagua na Regueira era a ribeira Velha. A levada da rua dos Moinhos era a ribeira Nova. Também conhecida por ribeira dos Moinhos.[2] A ribeirinha é uma ribeira de curso de água permanente. É a terceira ribeira da Cidade da Ribeira Grande. Nasce nas Lombadas, atravessa as Gramas de Cima e de Baixo, passa pelo centro da freguesia e cai ao mar na Regueira. Com as ribeiras do Salto e do Rosário, que também nascem nas Lombadas, e que se reúnem a meio do percurso, forma uma segunda sub-bacia hidrográfica da Bacia Hidrográfica da Ribeira Grande. A ribeira do Salto, que teve um moinho no tempo da peste da Ribeira Grande em 1520’s e terá tido um ou outro depois do século XVI, há uma ruína que o comprova, termina nas Prainhas, secret spot de surfistas que (mercê de um excelente fundo rochoso) ali encontram ondas super boas.[3]

Parte da água da ribeira das Gramas, já fora do Lugar, após alimentar os seus quatro moinhos, ia alimentar a levada dos três moinhos da ribeira Nova. Levada artificial semelhante à da Condessa. Porém, enquanto a levada da Condessa na ribeira Grande atingiu 2500 metros de extensão, a levada dos Moinhos da ribeira Nova da ribeirinha não foi além dos 900 metros. Mais, enquanto a primeira chegou a ter catorze (quinze) moinhos, a segunda, teve três.[4] Eram (porém) os três melhores da Ribeirinha. Águas que abasteciam (também) as levadas individuais de muito menor dimensão de mais quatro moinhos de ribeira ao longo da ribeira Velha.[5]

Além dos moinhos e das fontes públicas distribuídas pela Ribeirinha, a ribeirinha fornecia água (de Maio - Junho a Setembro - Outubro) a quatro (extensos) canais de onde brotavam os regos que molhavam campos e quintas até à margem nascente da ribeira Grande.[6] Nos seus tempos áureos, vistos do alto, estes quatro canais e regos, teriam o aspecto de uma gigantesca teia. Ao seu nível, essa fabulosa rede não ficará atrás de outras mais obras criadas pela mão do Homem, entre outras, a janela manuelina, a fachada barroca da ermida do Espírito Santo, o fontenário quinhentista abraçado (mas – caso raro -, não destruído) pela lava em 1563. Ou de obras criadas pela acção da natureza, entre outras, o Pico Arde e Vermelho (maravilhas da natureza a serem sistematicamente aniquiladas). Essa rede de canais, de regos e de levadas (graças à condição única geomorfológica do Graben da Ribeira Grande) constituiu caso único nesta Ilha e nas restantes oito dos Açores. Pode até dizer-se que sem ela, a Ribeira Grande não teria sido o que foi. Essa raríssima jóia deve merecer a nossa (incondicional) gratidão. E reconhecimento.[7]

A Ribeirinha está ligada à Ribeira Grande desde os primórdios do povoamento do ainda Lugar da Ribeira Grande.[8] Foi sempre (e ainda é) uma das jóias mais preciosas e úteis da (então Vila e hoje cidade da) Ribeira Grande: dela vinha a água da rega (para a banda nascente); e era por ela que a Vila se ligava pelo ao exterior (através do porto de Santa Iria, hoje arruinado e abandonado pela Região).[9] Nos seus tempos de maior glória, tanto quanto já se sabe, a água daquelas ribeiras - Velha e das Gramas -, incluindo a que corre na levada dos três moinhos, como já foi dito, moveu talvez (das Gramas à Regueira) onze moinhos. Hoje em dia, não há moinhos a funcionar.[10] Ciente de que a existência de hiatos documentais relevantes não me permitem propor um relato mais sólido e fiel da História desses moinhos, cujo número foi variando ao longo dos anos, quero aqui (apenas) tentar perceber o mais possível a Historia possível desses moinhos.[11]

Vamos ao início (que importa a esta narrativa) da Ribeirinha? Já havia povoadores naquela área antes de 1474, porém, o grande empurrão no desenvolvimento (dali e de toda a Ilha) é posterior a 1474. Ficou a dever-se à grande actividade do capitão do donatário Rui Gonçalves da Câmara (que adquiriu o cargo justamente em 1474). No que se refere à Ribeirinha, importa seguir os passos do filho António Rodrigues da Câmara (que veio juntar-se ao pai e a outros dois irmãos). Na área da Ribeirinha, António Câmara foi senhor de uma rica e grandiosa herdade.[12] Partia ‘da parte do Norte com barrocas do Mar, e da parte do Noroeste, com a Ribeirinha, e da parte do Levante com os Herdeiros de Rui Vaz do Trato [outro dos primeiros povoadores da Ribeira Grande. Que chega aos Jácome Correia e aos Hintze] (…), e da parte do Sul com as cumeeiras da Serra do Bulcão [Lagoa do Fogo em 1508 antes da erupção de 1563].’[13]

Com esse valioso património (sobretudo) fundiário, mas não só, António da Câmara instituiu em Abril de 1508 um morgadio e a Capela dos Santos Reis Magos na igreja de Nossa Senhora da Estrela (onde ainda hoje se encontra).[14] De que dispunha essa propriedade? ‘(…) casas, terras, pomares, vinha, (…) engenhos, ribeira, casa e chãos, com todas suas entradas e saídas, direitos, pertenças, logradouros, servidões (…).’[15] E, para o caso que nos interessa: ‘uma água que se chama Ribeirinha com que mói o seu engenho de pastel.’[16] Um esclarecimento: serão os engenhos aqui referidos (de forma genérica) moinhos de cereais? Não.[17] Quanto aos moinhos de cereais (que é o que aqui me interessa), só o capitão ou quem ele bem entendesse poderia tê-los. Pois, o pai de António Rodrigues da Câmara (e depois o seu irmão como novo capitão por morte do pai) gozava do monopólio dos moinhos de cereais: ‘haja para si todos os moinhos que houver em a dita Ilha de que lhe assim dou carrego e que ninguém não faça aí moinhos senão ele,’ mas (caso o desejasse) poderia haver excepções ‘ou a quem a ele prouver.’[18] Será que o pai - ou depois os irmãos -, lhe permitiram construir um moinho de cereal na Ribeirinha? Pode ter acontecido. Aconteceu numa situação dramática e excepcional. Como foi o caso da peste de 1526/7. Nessa altura, na ribeira do Salto, diz-nos Frutuoso, fez-se um moinho de cereais.[19] O Capitão Rui Gonçalves, neto do primeiro Rui Gonçalves, na altura a residir no Cabouco, permitiu-o. Ou ele próprio o construiu? Em 1664, sabe-se isso pelo cronista Agostinho do Monte Alverne, havia na Ribeirinha o moinho do porto.[20] Onde? Não nos diz. Seria na ribeira da Ribeirinha (a ribeira Velha)? Ou na ribeira do Salto? Do porto avista-se a ribeira do Salto. Mas poderá ser também o moinho da Rocha que se podia aceder justamente pela rua do Porto Ao certo, há que confessá-lo, não se sabe. Haveria apenas esse moinho do porto? Não nos diz. Porém, é provável que houvesse mais um. Um no centro da Ribeirinha. Talvez do capitão do donatário. Talvez do descendente de António Rodrigues da Câmara. O moinho da rua Direita é conhecido pelo moinho da Marquesa.[21] Trata-se do moinho da rua Direita, o moinho da Conceição Barbosa ou Conceição Moleira, viúva de Luís Barbosa. Porém, essa Marquesa não descende dos Câmara. Era a Marquesa de Jácome Correia, do Lameiro. O moinho fora adquirido em 1910 por ela ou pelo filho Aires Jácome Correia, o verdadeiro Marquês a António José de Sousa Pombo.[22] A haver moinho da família de António Rodrigues da Câmara o maior candidato seria os moinhos do Conde da Silvã, herdeiro dos Câmara.

Quando terão (então) sido construídos os primeiros moinhos na Ribeirinha fora da alçada do Conde?[23] A hipótese mais segura (por ora) é de terem surgido (algures) em data posterior a 1766. Porquê então? Porque a partir daquela data permitia-se aos donos de ‘águas particulares,’ que era o caso dos morgados sucessores de António Câmara, assim o desejassem -, que as usassem para levantarem (construírem) ‘moinhos.’[24] Será que aproveitaram aquela lei? Tinham nascentes dentro dos seus terrenos. Não o terão feito porque dariam moinhos fracos? Fizeram-no. Entre 1810 e 1815, Francisco Peixoto de Bettencourt, no prédio do Fidalgo Cabrinha [Conde da Silvã] de Lisboa, na ribeira pública, construiu três moinhos (três casas de moinhos ou três moegas?).[25] Quem foi o Conde da Silvã? É ‘D. João de Melo Manuel da Câmara, 13.º e último senhor do morgado da Ribeirinha, primeiro Conde da Silvã.’ Receberia o título ‘por decreto de 3.11.1852.’[26] Nasceu em 10.2.1800 e faleceu em f. 22.9.1883. Em 1881, figura como proprietário de três moinhos (dos tais).[27] Uma dúvida: de 1810-1815 a 1880 os moinhos eram de quem? Apesar de não dispor de confirmação, nesse ponto, até prova em contrário, inclino-me a pensar que seriam dele. Tê-los-ia apenas arrendado naquele período? Em 1886, ao que parece, já os vendera. Não se conhece qualquer reclamação (pelo menos eu não conheço) por parte do Conde da Ribeira Grande. Ou se existiu alguma, não deu em nada. Porquê? Talvez, sublinho esse facto, porque o antepassado do Conde da Silvã era António Rodrigues da Câmara. Que desde sempre tivera moinhos na sua herdade da Ribeirinha? Muito provavelmente. Onde ao certo? Na levada que vai à rua dos Moinhos? A primeira referência a uma rua dos moinhos surge nos róis quaresmais de 1825/6.[28] Por várias razões (mais indícios), suspeito que naquele ano já ali existissem dois ou três moinhos. Primeiro: diz-se rua dos moinhos e não rua do moinho. Segundo, aquela rua conduz aos actuais moinhos alimentados pela levada dos três moinhos em causa. Terceiro (e isso vem ao nosso encontro): os terrenos por onde a levada passa pertenciam (quase de certeza) ao Morgadio instituído por António da Câmara em 1508 (antepassado do Conde da Silvã).[29] Por isso, admito a possibilidade de que já ali existissem dois ou três em 1826. Em 1848, são mencionados (sem, contudo, serem identificados) três moinhos. Identificados como azenhas.[30] Serão os três da levada ou ribeira dos Moinhos?

Se esses três ainda pertenciam ao sistema da levada da rua dos Moinhos, então quando surgem os primeiros moinhos alimentados directamente pela ribeira? Em 1818, o Conde da Ribeira Grande (através do seu Procurador Bastante na Ilha), movia uma ‘acção de força’ contra António Lopes Pereira, que na Ribeirinha construíra um moinho.[31] Apesar dessa acção, fruto dos novos ventos liberais que sopravam favoráveis, esse moinho terá continuado a existir.[32] Onde teria sido aquele moinho construído? Se por qualquer razão (sobretudo legal?) não existissem ainda moinhos de ribeira antes de 1846, quaisquer (possíveis) obstáculos legais seriam totalmente removidos pela Lei de 22 de Fevereiro daquele ano. É (precisamente) por essa altura que são construídos novos moinhos (no caso da Ribeira Grande) na levada da Condessa e na ribeira Grande (no centro da Ribeira Grande). Furtando-se à guerrilha legal da bitola do anel da Levada da Condessa na ribeira Grande, e até beneficiando do que disso foi resultando, na ribeira Velha e na ribeira das Gramas constroem-se cinco casas com moinhos. Quatro dos cinco moinhos, pertencia, à família Cabido e a Manuel Duarte Silva, este último construiu na década de trinta na levada da Condessa na Mãe de Água, moinho do Félix. Todos eles residindo no centro da Ribeira Grande. Já então se notava a estreita ligação entre os moinhos da ribeirinha e os da ribeira Grande. O que se poderá explicar por várias razões: enquanto os moinhos da ribeira Grande chegaram (no seu auge) a dispor de quatro casais de mós (os da Levada da Condessa) e os da ribeira (três), os da ribeirinha/gramas/levada dos moinhos dispunham de um a dois casais. Na ribeirinha, os dois melhores moinhos eram os da levada da rua dos Moinhos, sendo o mais potente o de Cima com seis metros de altura de cubo e o do Meio (o segundo) com cinco.[33] Na ribeira Grande, o moinho do Açougue (de ribeira) tem mais de sete metros de cubo. Se os moinhos da ribeirinha (Gramas, Nova e Velha), tanto quanto sei, escaparam à guerra do anel, não escaparam à obrigatoriedade de fornecer água à rega. Tinha impacto total nos moinhos da ribeira Velha. Os das Gramas e os da ribeira Nova, por ficarem fora do alcance do arco, escapavam. A partir de Maio/Junho prolongando-se até Setembro (mais ou menos), a água da ribeirinha (tirada num arco entre as pontes da Fábrica da Chita e a da Afrizada) era desviada para a rega. Não havia outro remédio senão os moleiros da ribeirinha irem moer aos moinhos da ribeira Grande? Em parte. Alguns iam moer aos moinhos da ribeira Velha. Ou às Gramas. Mas não era o suficiente. É a tendência de ir aos moinhos da ribeira Grande e levada da Condessa que se irá acentuar.  Com vantagem mútua. Um poema de autor (tanto quanto saiba anónimo), recolhido por Francisco Carreiro da Costa dá conta dessa relação umbilical. Relação que se estreita cada vez mais. Em situações de apertos, valem-se uns aos outros. Desaparecem ao mesmo tempo.

Ribeira Grande e Ribeirinha

São duas freguesias rentes:

Com o negócio da farinha

Se fazem bons casamentos.’[34]

Espero que tenham ficado com uma ideia um pouco mais clara da provável evolução dos moinhos até à década de quarenta, a partir daqui, escorado em duas séries documentais, vou tentar propor uma evolução um pouco mais segura para as décadas de cinquenta e oitenta. Com o caniço na água à pesca de qualquer informação que me possa lançar mais luz sobre a evolução dos moinhos da Ribeirinha (ribeira das Gramas, ribeira Nova - dos Moinhos e ribeira Velha) espiolhei e voltei a espiolhar o Livro de Registo de contribuições pagas pelos ‘engenhos de moer cereais à força da água’ ao Município da Ribeira Grande para 1854 -1855, 1856 – 1856 e 1856 – 1857. O que mordeu o anzol? Apanhei o número de moegas em cada casa com moinhos. Onde se situavam, ainda que de forma vaga. O nome do dono ou do rendeiro. Onde moravam. Da pescaria, resultou para o ano económico de 1854/55, quinze moegas em oito casas (vamos simplificar para moinhos). Cinco dessas casas, situadas na ribeira da Ribeirinha (ribeira Velha) e três na ribeira das Gramas (na realidade é a mesma ribeira, não se esqueçam).[35] Nesse ano económico, comprovei a estreita relação entre proprietários naturais do centro da Ribeira Grande e outros naturais do seu arrabalde a Nascente (a Ribeirinha). Os três moinhos das Gramas (Gramas de Cima, de Baixo e do Monte do Outeiro) pertencem a gente da Matriz (centro). O moinho da Rocha (o último da ribeira Velha, já quase na foz) é também de um proprietário da Matriz. Destes moinhos, três são dos irmãos Ferreira Cabido: José António, Augusto César e Jacinto Ferreira Cabido. Um outro irmão era senhor do moinho do Açougue (moinho de ribeira). Outros da família, têm partes em um moinho da Longaia (Matriz). Manuel Duarte Silva é também dono de dois moinhos na Mãe de Água, na Matriz. Em contrapartida, há duas pessoas com o apelido de Afonso, Manuel da Silva Afonso, da Ribeirinha, no fabuloso Moinho da Palha (uma das sete primeiras casas da levada da Condessa na Ribeira Grande) e António Moniz Afonso, da Ribeirinha, com um moinho na Ribeirinha (ribeira Velha).

Destas oito casas (moinhos) de 1854/55, por qualquer razão que desconheço, não fazem parte as três (casas com moegas/moinhos) de Jacinto Fernandes Gil (futuro Visconde do Porto Formoso) na levada ou ribeira dos Moinhos (ribeira Nova). Porquê? Será porque contestava o pagamento? Entendia que a água que fazia moer as suas moegas não pertencia ao domínio público? De facto, ficavam dentro da propriedade do Conde da Silvã. Será porque ainda os estava a construir? Pouco provável. Ou a apetrechar? É possível. Será porque ainda não os arrendara? Ou comprara? Também é possível. Apesar de todas essa nossas dúvidas, e são muitas, antes de melhor prova, inclino-me, como adiante tentarei provar (ou insinuar o mais possível), para a hipótese do arrendamento. Os moinhos pertenciam ao (futuro ou já?) Conde da Silvã. Ou na pior das hipótese haviam sido construídos em prédios dele. Continuando a pescar nas ricas águas das taxas, agora para o ano económico de 1855 – 1856, agora sim já com Jacinto Fernandes Gil (futuro Visconde do Porto Formoso), contam-se quinze moegas, não em oito casas mas em seis moinhos). Jacinto Gil explora quatro moegas distribuídas (como se verá mais à frente) por três casas de moinho.[36] Isso na ribeira Nova. Quem é Jacinto Fernandes Gil? Jacinto Gil nasceu em 1821 e faleceu em 1892, em Ponta Delgada. Em 1869 foi eleito pelo Círculo Eleitoral da Ribeira Grande (leram bem) deputado nacional pelo Partido Regenerador. Em 1871 foi feito Visconde.[37] Os três moinhos da área das Gramas (que incluía o Monte do Outeiro) continuam nas mãos de gente da Matriz. Os três moinhos explorados por Jacinto Gil Fernandes, morador em Ponta Delgada, são moinhos da ribeira dos Moinhos (levada artificial que capta a água num local próximo do Centro de Inspecção Automóvel): o de Cima o do Meio e de Baixo.[38] Jacinto Fernandes Gil (n. 1821-3? – f. 1892 – Ponta Delgada) em 1869 foi eleito pelo Círculo Eleitoral da Ribeira Grande (leram bem) deputado nacional pelo Partido Regenerador. Em 1871 é feito Visconde.[39] Em relação ao ano económico anterior, ficaram duas casas da ribeira Velha de fora. Porquê? Estiveram parados naquele ano? Não sei. Para a o ano económico de 1856 – 57, o último da série, temos quinze moegas em nove casas de moinhos (engenhos), três nas Gramas ainda na posse dos mesmos proprietários da Matriz, três na ribeira Nova, na levada da rua dos Moinhos (de Jacinto Gil, de Ponta Delgada) e três na ribeira Velha.[40]

Quanto à sorte na pesca, entre 1856/57 e 1880, a propósito de suculentas séries documentais de origem municipal, nada vezes nada. Só com o ‘Livro de licenças para moinhos de 1880-1886’ é que logramos quebrar esse jejum documental. Aí fala-se de ‘casas de moinhos’ e taxa-se sobre os ‘moinhos que cada casa tem.’ Já não sobre o número de moegas mas sobre o número de moinhos, aqui entendidos como casais de mós, o que, na prática, vai a dar ao mesmo, pois não há moega sem casais de mós. De 1880 a 1886, o número de moinhos (casas com moinhos) oscila entre os cinco em 1880, os oito em 1883 e os nove nos restantes anos.[41] Em 1880, o nome de Jacinto Fernandes Gil já não consta, em seu lugar surge o do Conde da Silvã.[42] O verdadeiro dono dos moinhos? Comprara-os? Não os havia vendido? A quem pertencia o terreno onde estavam implantados os três moinhos e lançada a levada? O Morgadio de António Rodrigues da Câmara de 1508, que incluía as terras dos moinhos e da levada, era agora do Conde da Silvã. Ao tempo dos moinhos ainda lhe pertenciam? Infelizmente, não conhecemos qualquer contrato de arrendamento, de venda ou de outro tipo ou natureza. Aqueles moinhos haviam surgido antes de 1854, há indícios, como já vimos, de que recuem a um período situado entre 1810 e 1815. Foi um tal Francisco Peixoto de Bettencourt que então os construiu (aí não se diz quantos foram) no prédio do Conde da Silvã. Para conseguir tirar as muitas dúvidas que nos fazem a cabeça andar à roda, infelizmente, não conhecemos quaisquer eventuais arquivos privados ou públicos que nos pudessem esclarecer acerca dessas dúvidas. A taxa do ano económico de 1885, o último ano em que o Conde da Silvã figura como dono, identifica os três moinhos: moinho de Cima, do Meio e de Baixo. Em 1886, passam a ter dois novos donos. D. João falecera em 1880, dois dos três, o do meio e o de Cima, estão no nome de ‘Jacinto Cabral Botelho e José Pimentel Frade.[43] Gente da Ribeirinha. O terceiro moinho, o moinho de Baixo, já está no nome de António Inácio Vieira (hoje conhecido como tendo sido do Sr. Fulgêncio Ferreira Marques).[44] Outro da Ribeirinha. A família Vieira, a par da família Barbosa e Cabral, a partir de finais do século XIX e decididamente a partir da sua primeira década, vão para os ricos moinhos do centro da Ribeira Grande. Para os excelentes moinhos da Rua, Novo, Alfinete, Cova I (Moinho de Manuel Pedro de Melo e Silva), Açougue.

Depois desta série de 1880-1886, seguem-se cronologicamente as Matrizes Prediais da Estrela – Ribeirinha, cujos registos vão possivelmente da década de noventa do século XIX ou ainda da década de oitenta. Conseguimos identificar aí nove moinhos.[45] Três nas Gramas. O das Gramas de Cima, que da década de cinquenta à de oitenta pertenceu a Manuel Duarte Silva, da Matriz.[46] E que sendo vendido a Manuel de Sousa Almeida, das Gramas na década de oitenta do século XIX, em 1919 foi adquirido por Jacinto Cabral Água Morna.[47] Dois nas Gramas de Baixo. O de Francisco Cabral, das Gramas de Baixo.[48] E o que fora de Martiniano Ferreira Cabido comprado em 1924 por João Inácio Vieira, da Ribeirinha.[49] No limite entre as Gramas e o Centro do Lugar, no Monte do Ouvidor, um outro, também pertencente a um membro da família Cabido. Vendido em 1929 à Empresa de Tecelagem Micaelense hoje Centro de Inspecção Automóvel.[50] Seguem-se, já a beneficiar da chamada ribeira dos Moinhos ou ribeira Nova, dois dos três do Conde da Silvã; o do Meio e o de Baixo. A Matriz Predial por qualquer motivo, não regista o moinho de Cima. O Moinho do Meio na década de 1880 passa a ser de José Cabral Botelho, em 1935 passa para Luís da Silva Cabral. Este moinho viria a conhecer uma azenha no tempo de Hermano Cordeiro.[51] Na década de 1880, em 1886 já era dele, o Moinho de Baixo passa das mãos do Conde da Silva para António Inácio Vieira, da Ribeirinha. É herdado por José Inácio Vieira e é adquirido em 1929 por Fulgêncio Ferreira Marques.[52]O Sr. Fulgêncio Velho meteu uma pedra de moagem a motor a gasolina. Viera da América e trouxera a família. Os filhos haviam nascido na América. Morava numa à direita de quem sobe o Outeiro do Salvador. No canto da rua dos Moinhos.[53] Na margem esquerda, na rua Direita, quase no Largo da Cruz, duas casas antes da Igreja Paroquial, o moinho da Rua Direita que foi vendido em 1910 por António José de Sousa Pombo, da Ribeirinha, à Condessa de Jácome Correia, de Ponta Delgada.[54] Na margem direita da ribeira, indicando que ficava na rua da Ribeira, segundo a Matriz, e rua dos Brincos segundo Eduardo Vieira, neto materno do último dono desse moinho, próximo do centro, mais ou menos onde hoje se ergue o Coreto, o Moinho de Manuel da Silfa Afonso, da Ribeirinha. Em 1925 passa por herança a Mariano da Silva Afonso.[55] Um outro moinho, ainda na rua da ribeira, mas mais abaixo, segundo ouvi ao velho António Vieira em 1986, ficava no Outeiro, que fora da família Costa Feio, passando por Jerónimo da Costa Cabral, por Manuel da Silva Afonso e em 1925 por herança a Mariano da Silva Afonso. Segundo registou a respectiva Matriz já não existia.[56] Perfaz o número de nove moinhos, dos quais, um já não existia. No entanto, cruzando os dados das séries municipais antes referidas com a tradição oral, haverá que acrescentar outros dois: o da rocha (que foi da família Cabido) e o moinho de Cima (do Conde da Silvã). Portanto, sem fazer conta a um ou dois prováveis que existiram na ribeira do Salto, na ribeira Velha, ribeira Nova dos Moinhos e ribeira das Gramas, em simultâneo ou não, no seu máximo, terão existido onze moinhos. 

O que recorda a memória oral? Em 1986, numa entrevista que fiz ao Sr. António Vieira, com 90 anos de idade, portanto nascido ainda no século XIX e pertencendo a uma família ligada à farinha e aos moinhos, falando com ele sentado no degrau da porta da sua casa da rua das Covas lembrava-se, foi-me enumerando dez moinhos. Trabalhou em muitos moinhos e trabalhou no moinho do irmão Joaquim Vieira, no moinho Novo, uma das sete primeiras casas da levada da Condessa na Ribeira Grande. Aqui vão como os ouvi da sua boca de montante para jusante: (1) Gramas de Cima; (2) Gramas de Baixo; (3) Fábrica da Chita (Moinho do Sr. Augusto); (4) Moinho do José Barbosa; (5) Moinho do Meio; (6) Moinho do Vieira; (7) Moinho da Barbosa (CONDESSA); (8) Moinho do Manuel da Silva (‘esborralhado.’); (9) Moinho do Outeiro (‘tem a canada.’); (10) Moinho da Rocha (Ti José Genipa) (‘não tem nada.’) (O Genipa foi às lapas/ e a mulher aos caranguejos/ os filhos ficaram em casa/A catarem percevejos.’ [57] Deixou de fora o segundo das Gramas de Baixo. Laureano Almeida, um rapaz já feito nas décadas de quarenta/cinquenta, nosso sempre presente informador das coisas da Ribeirinha, recorda dessa altura sete moinhos a funcionar e um abandonado: ‘(1) O das Gramas de Cima, dentro de uma quinta, do Sr. Jacinto Cabral; (2) o das Gramas de Baixo, explorado por uns Vieiras, depois por alguém que regressou da América; (3) (4) os dois dos Barbosa, o moinho de Cima e o moinho do Meio; (5) o do Sr. Fulgêncio; (6) o do Luís Barbosa, na rua Direita (7) e o do Sr. Mariano Silva na rua das Covas.’[58]

Perguntei a Eduardo Vieira, filho de António Vieira, o filho mais velho de João Inácio Vieira, que trabalhou no moinho do avô depois de sair da escola até sair com os pais para Angola em 1959 com 14 anos: Que moinhos trabalhavam aqui na Ribeirinha quando saiu em 1959? Eduardo, diga-se, que trabalhou no moinho do avô materno Mariano Cabral, ‘o moleiro José Moleiro estava velhinho e não podia com a taleigas, foi ele que o foi ajudar,’ era também neto paterno de João Inácio Vieira, o João Vieira Velho, que fez o moinho nas Gramas de Baixo e não só, sobrinho dos Vieiras que foram donos ou rendeiros dos melhores moinhos da Ribeira Grande, antes de embarcar para Angola o pai fez de renda o Moinho do Açougue e quando regressou fez de renda o moinho Outeiro. Regressado de Angola após a independência, viveu catorze anos em Nova Lisboa e Huambo, regressou á sua terra natal onde ainda é mecânico de automóveis. Senti que sentia um enorme orgulho em recordar isso. Responde-me: ‘Estavam todos a trabalhar.’ Quais? Pode começar pelos das Gramas, por favor. ‘Nas Gramas trabalhavam o das [1] Gramas de Cima, que era de Jacinto Cabral, o Água Morna. Nas Gramas de Baixo tinha sido o [2] moinho do meu avô Vieira depois foi do meu tio José Vieira. Era então de um tal Eugénio. O filho morreu e mora lá a viúva. Na freguesia, o [3] de José Barbosa Velho. Era o melhor moinho da Ribeirinha. Com duas pedras. Tinha os cubos mais altos. O da [5] Azenha do Hermano Cordeiro. Moía bem. Trabalhava até com um rego da rega. No Verão não deixava de moer. O do Senhor José Fulgêncio Ferreira Marques, do Filho [6]. O Sr. Fulgêncio Velho meteu uma pedra de moagem a motor a gasolina. Viera da América e trouxera a família. Os filhos haviam nascido na América. Depois o moinho da [7] Rua Direita. Da Conceição Barbosa, viúva do Luís Barbosa. Na rua dos Brincos, [8] onde ao depois fizeram os urinóis, o moinho do meu avô Mariano Pacheco da Silva, pai da minha mãe. Depois de sair da escola, trabalhei lá. Havia lá um moleiro velho o José Moleiro que já não podia com as taleigas. Passou a ser eu a acartar as taleigas.’ E um no Outeiro? ‘Ouvia dizer, mas só vi lá umas paredes, mais abaixo, um no Outeiro.’ E o da rocha? ‘Não ouvi falar dele.’ E um segundo nas Gramas de Baixo? ‘Também não ouvi falar dele.’  De onde era a clientela dos moinhos daqui? ‘Da freguesia só. Não vinha ninguém de fora. A Ribeira Grande tinha moinhos.’ Parece que saiu muita gente da Ribeirinha nos anos cinquenta, porque foi isso? ‘Mais de 90% era camponeses e lavradores. Havia a fábrica da Chita, do Leite, da Chicória. Havia crise. Um trabalhor, em dias, ganhava 5$00 ao dia.’ ‘O melhor moinho de todos era o do José Barbosa Velho. Cubos altos. Tinha duas pedras. De Verão só se moía com uma pedra.’ E moinhos que a família dos Vieira faziam na Ribeira Grande? ‘Meu pai fazia de renda o moinho da Cova do Milho [O do Açougue] Na Mãe de Água, o meu tio João. No moinho da rua Direita, o meu tio Alfredo. De renda. Também teve o da rua dos Foros [Do Alfinete] que trocou por uma terra como meu tio José. E o seu tio Mariano? Não me lembro se teve. Dos irmãos, só o meu tio Alfredo e o meu tio é que não saíram da Ilha.’[59] E quando regressou em 1874/75, quantos moinhos ainda trabalhava na Ribeirinha e Gramas? ‘Estive 14 anos fora, sai em 1959 com 14 anos. Trabalhava ainda o das (1) Gramas de Baixo. Na Ribeirinha o (2) de José Barbosa Novo e o (3) do irmão. O (4) do Fulgêncio ainda trabalhava. O (5) da Senhora Conceição Moleira também.[60]

Na década seguinte ao regresso de Eduardo Vieira à sua terra, no ano 1988, havia já menos um moinho a trabalhar. Dentro do núcleo central da Ribeirinha, além do moinho da viúva de (1) Luís Barbosa, moinho da rua Direita, ainda estavam activos (2) o moinho de Romão Barbosa (Moinho do Meio), (3) o do irmão José Barbosa (moinho de Cima). Em 1980, Eugénio Melo do moinho das Gramas de Baixo emigrou com a família para a América, ocasionalmente o filho mais velho, casado, que ficara atrás, mói.[61] Em 1993, mantinha-se o mesmo número de moinhos.[62] Porém, entre 1993 e o final do século, os moinhos foram reduzindo a sua actividade e fechando portas. Pelas mesmas razões dos moinhos do coração da Cidade da Ribeira Grande.  E agora? Restava pouco mais do que preservar a sua memória? Mas como o fazer? A 1 de Dezembro de 2001, a Junta e a Câmara inauguram o Jardim do Moinho. Para construir o jardim, no entanto, sacrificaram o que restava do outrora imponente Moinho do Sr. Fulgêncio. Como memória desse moinho, colocaram um painel de azulejos pintado por Ilídio Machado e executado na Cerâmica Micaelense. Trata-se da reprodução sobre azulejo de uma fotografia. Vem datado de 2001. Esse mesmo moinho, figura no painel Sul do Salão Nobre da Câmara Municipal da Ribeira Grande pintado pelo famoso pintor de azulejos Jorge Colaço. É da década de trinta do século XX. O pintor reproduz uma outra fotografia. Um executivo da Junta de Freguesia pretendendo honrar (e bem) a memória dos moinhos da terra abriu em 2009/2010 – no moinho da rua Direita -, o Museu do Moinho.[63] Que outro elenco de Junta de Freguesia, não sei se mantendo ou não a função inicial, passou a Casa do Artesanato. Ao lado, num edifício encostado, há a Casa do Romeiro.[64] Por algum tempo, o Moinho Cima da ribeira dos Moinhos (o melhor da Ribeirinha) foi visitável. Lamentavelmente, por falta de limpeza da levada, fechou. Dizem-me. Na década de sessenta, haviam feito, levados pelo exemplo recente da ‘Cova do Milho, haviam prestado um valioso serviço à ribeira. Em Março de 1968, visitando Ribeirinha, Daniel de Sá rendeu-se ao aspecto da ‘praça ao pé da igreja.’ ‘O que lá mais nos prende a atenção é o leito da ribeira. Antes, era de ruim aspecto como todos que servem de estrumeira…agora, é um verdadeiro jardim (…).[65]

E a ribeira a montante e a jusante desse pequeno oásis? Infelizmente, padece do mesmo mal da ribeira Grande, da Seca e da Levada da Condessa: efluentes domésticos, vacarias, etc.[66] E exige cura idêntica. Como disse recentemente o filósofo José Gil, ‘a qualidade de vida é agora.[67]

PS: A lindérrima vereda marginal à ribeira trilhada diariamente pelos operários da antiga Fábrica de tecelagem, hoje intransitável, pede que a devolvam às pessoas.[68]

Pedra da Lembrança: e a obra prometida do Porto de Santa Iria? - Cidade da Ribeira Grande (continua)

PS: Num trabalho de recolha oral de 1988 coordenado pelo Professor Álvaro com alunos de um programa de Educação Permanente, os alunos falaram com familiares e conhecidos mais velhos, quanto a moinho que haviam existido nas Gramas e dentro da Ribeirinha, chegou-se a onze moinhos: nove dentro da Ribeirinha e dois nas Gramas. Porém, só deram prova de dez moinhos.[69]



[1] Frutuoso, Gaspar, Saudades da Terra, Livro IV

[2] Testemunho de José Romão, 2 de Setembro de 2024: ‘Da fabrica das chitas para cima, é a ribeira das Gramas, para baixo da fábrica das chitas para baixo é a ribeira Velha da Ribeirinha.’

[3] Nota de 6 de Agosto de 1016: Veja-se Gaspar Frutuoso. Há vestígios no terreno e na memória oral. A esse respeito, veja-se o meu trabalho sobre as Prainhas.

[4] Houve um terceiro moinho ao fundo da avenida – ao lado do do Sr. Fulgêncio. O seu arco de cabouco ainda é visível. Mas não terá feito parte destes três.

[5] Nota de 6 de Agosto de 2026: Além dos três da levada da ribeira dos Moinhos (Moinho de Cima; do Meio e de Baixo); 1) Gramas de Cima; 2) Gramas de Baixo; 3) Monte do Ouvidor; 4) Rua Direita; 6) onde hoje se construiu o coreto; 6) Rua do Jogo; 7) Rocha. Poe ter existido mais um ou dois que ainda não confirmei. Na ribeira Grande e na levada chegou a haver 27 a 28. 15 na levada d Condessa (não é gralha, foram 15) e 13 ao longo das margens da ribeira (3 na Longaia); 3 na Mãe de Água; 1 na ribeira do Escarola; 2 na Ponte Nova; 1 na rua do Barracão Velho e 3 na Cova do Milho.

[6] A construção em meados do século XIX e a de inícios do século XXI, alteraram percursos. Um dos quatro que chegou até nós, vinha do engenho velho no Lameiro e irrigava as suas terras até ao porto de Santa Iria. Outro, colhendo água da Água Férrea e da ribeira, dirigia-se ao caminho novo das Caldeiras e irrigava as terras até à canada Nova (já no centro da Matriz); um terceiro, saía do moinho da rua na Ribeirinha e passando pela rua da Afrizada, à entrada da Ribeirinha, subdividia-se, um ramo para norte até às barrocas do mar, outro, Rosário abaixo, irrigava os terrenos até ao Rosário (na Matriz). Outro rego partia diante do moinho da rua e dirigia-se às Covas.

[7] Continua a tentar encontrar o paradeiro de uma carta dos regos que existiu ou ainda existe no IROA. O seu responsável prometeu-me fazer uma pesquisa.

[8] Antes de continuar a escrever mais uma linha, relembro que até 3 de Agosto de 1948, a Ribeirinha (onde se inclui o Lugar das Gramas) foi Lugar da Freguesia Matriz de Nossa Senhora da Estrela.[8] Apesar de ter sido elevada a Curato em 1674, a paróquia do Santíssimo Salvador do Mundo, independente da paróquia mãe de Nossa Senhora da Estrela, só seria erigida a 25 de Maio de 1956. O seu primeiro templo, já dedicado ao Santíssimo Salvador do Mundo, situado no local onde hoje resta um pequeno adro na subida para o Lameiro, foi mandado construir junto às suas casas por António Gonçalves da Câmara. Tendo ali permanecido até à inauguração em 1826 do templo actual (Curato ainda). E que, a partir de 1981, passou a ser uma das cinco freguesias da cidade da Ribeira Grande.

[9] Dele veio peixe, por lá exportou-se laranja, apanhou-se cachalote. Chegou a ter Alfândega. Pelo movimento e importância, foi um dos três (no máximo quatro) principais portos da Ilha. Nota de 6 de Agosto de 2026: Ao que parece já há planos, orçamento e só falta lançar a obra a concurso para iniciar alguma recuperação do acesso (proteccção das arribas) e muralha do porto. Não sei se mais porque aquilo tudo parece que está no segredo dos deuses.

[10] Água férrea); a Matriz é abastecida pela nascente dos Pachões (recebe igualmente o excedente da Ribeirinha). Hoje, as duas freguesias citadinas a nascente (Ribeirinha e Matriz) são abastecidas por nascentes que nascem no Monte Gordo: Pachões e Água Férrea (nas Gramas de Cima).

[11]Nota de 7 de Agosto de 2026: Faltam-nos importantes fontes documentais. Não conheço nada entre a série de recolha de taxas municipais sobre o número de moegas de 1856 a 1857 e a nova série municipal que taxa os moinhos (casais de mós) de 1880 a 1886. Daí até já à segunda metade do século XX, felizmente temos as Matrizes Prediais (da Fazenda Pública). Não tenho conhecimento de contratos de sociedade ou outros seja em fundos notariais ou particulares. Ou a existência de um fundo do Conde da Silvã e do Visconde do Porto Formoso. Se existem, não procurei como deveria ter procurado. Sobre moinhos da Ribeirinha, além dos que aqui citei, há um pequeno texto de Laureano Almeida sobe o Moinho do Sr. Fulgêncio Ferreira Marques – o moinho de Baixo da ribeira dos Moinhos -, publicado no jornal (infelizmente, não me consegue localizar). 

No dia 26 de Setembro de 2024, alguns poucos dias após a publicação deste texto no Correio dos Açores, encontrei um trabalho que me cita e reproduz imagens por mim colhidas entre 1984 e 1986: Almeida, Filipe Silva, Património molinológico: proposta para a preservação e reutilização de um moinho, Universidade Fernando Pessoa, Porto, 2015. Não traz nada diferente: ‘(p.38) Na freguesia da Ribeirinha, o número de moegas varia entre 1 e 2 (…); ‘(p.49) [dá 6 mais dois moinhos?] Na freguesia da Ribeirinha sustentados por água proveniente da ribeira das Gramas, totalizou-se 6 unidades, encontrando-se 3 delas em levadas independentes e as restantes 3, distribuídas ao longo de uma levada.

[12] BPARPDL, Provedoria dos Resíduos de Ponta Delgada. Auto de prestação de contas de vínculos e legados pios, Instituição do Morgado de Antão Rodrigues da Câmara, Santarém, 17 de Abril de 1508, N.º 0095: ‘por títulos de arrematação de compras como por cartas de dadas de seu padre capitão da dita Ilha e de seu irmão Pedro Rodrigues lhe foram dadas de sesmaria.’

[13] BPARPDL, Provedoria dos Resíduos de Ponta Delgada. Auto de prestação de contas de vínculos e legados pios, Instituição do Morgado de Antão Rodrigues da Câmara, Santarém, 17 de Abril de 1508, N.º 0095. Encostado às propriedades de António, havia as do seu irmão Pedro Rodrigues da Câmara.Frutuoso, Gaspar, Saudades da Terra, Livro IV, ICPD, Ponta Delgada, 1998, p. 104. Frutuoso, Gaspar, Saudades da Terra, Livro IV, ICPD, Ponta Delgada, 1998, p. 104: ‘Para poente das de António, atente-se na extensão da propriedade, comparável à de António: ‘cuja largura começava donde está a casa do Espírito Santo [Frutuoso refere-se a ermida do Espírito Santo? Que diz que está junto à praça? Ou a outra casa?], indo para cima até às casas de Henrique de Betencor [Hoje Largo das Freiras. Henrique era filho de Pedro Rodrigues da Câmara], endireitando à Ribeira Grande, e daí, indo pelos chãos de Lopo Dias Homem, correndo por junto do pé do Monte de Trigo [Pico das Freiras], e chegava ao assento de Rui Gago da Câmara, onde vivia Manuel Vaz [Já na Ribeirinha?], e daí descia para o mar e ia ter ao assento de Pero Dias, da Achada, pelo que eram muitos moios de terra (…).

[14] BPARPDL, Provedoria dos Resíduos de Ponta Delgada. Auto de prestação de contas de vínculos e legados pios, Instituição do Morgado de Antão Rodrigues da Câmara, Santarém, 17 de Abril de 1508, N.º 0095.

[15] BPARPDL, Provedoria dos Resíduos de Ponta Delgada. Auto de prestação de contas de vínculos e legados pios, Instituição do Morgado de Antão Rodrigues da Câmara, Santarém, 17 de Abril de 1508, N.º 0095: ‘‘(…) Uma quintã com suas terras de pão, matos, pastos, águas, com suas casas, granéis, seleiros, engenhos, vinhas, pomares, com todas outras pertenças.

[16] BPARPDL, Provedoria dos Resíduos de Ponta Delgada. Auto de prestação de contas de vínculos e legados pios, Instituição do Morgado de Antão Rodrigues da Câmara, Santarém, 17 de Abril de 1508, N.º 0095.

[17]Carta da Infanta D. Beatriz de doação (e confirmações) da Capitania da Ilha de São Miguel a Rui Gonçalves da Câmara e da sua compra a João Soares, em 10 de Março de 1474, Manuel Monteiro Velho Arruda, Colecção de Documentos relativos ao descobrimento e povoamento dos Açores, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1977, p. 170. Os textos parecem distinguir o moinho de cereais das demais máquinas. Leia-se a Carta de 1474 da Infanta D. Beatriz ao capitão: ‘(...) e assim o façam seus herdeiros e das serras de água e outros quaisquer engenhos haverá o direito que têm os capitães da Ilha da Madeira (…).’ Frutuoso, por seu turno, no século seguinte, distingue perfeitamente engenho de moinho. Apesar de o termo engenho se referir também a moinhos de cereal, era mais vulgar designar assim os engenhos de pastel ou as serras de água.

[18]Carta da Infanta D. Beatriz de doação (e confirmações) da Capitania da Ilha de São Miguel a Rui Gonçalves da Câmara e da sua compra a João Soares, em 10 de Março de 1474, Manuel Monteiro Velho Arruda, Colecção de Documentos relativos ao descobrimento e povoamento dos Açores, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1977, p. 169. Ficavam (apenas) de fora: ‘mó de braço que a faça quem quiser não moendo outrem em ela e não façam atafonas.’

[19] Apesar de o cronista não aludir a moinhos na ribeirinha ou na do Salto na crise de 1563/64, seria imprudente excluir essa hipótese. Um desenrasque apenas. Em 1525, as águas da ribeirinha e da ribeira do Salto haviam ajudado a rasgar o caminho para o porto da Vila da Ribeira Grande: porto de Santa Iria.

[20] Monte Alverne, Frei Agostinho, Crónicas da Província de São João Evangelista das Ilhas dos Açores, ICPD, Ponta Delgada, 1961, p. 304: ‘‘Em 8 de Junho de 1664, em Domingo da Trindade veio aportar em uma caravela nova, em sua primeira viagem, mestre Miguel Gomes Falcato, defronte do moinho do porto, com 24 dias de viagem, acossada de temporal, o que sabendo o padre comissário Frei António de São José, que, então, era dos Terceiros, o que não pôde fazer, por ser já tarde e ventar muito para a desembarcar, o que no dia seguinte fez, acompanhado dos capitães Rodrigo da Câmara, Manuel Bicudo, Rui Tavares e o padre Francisco Nunes, e tanto que esteve em terra o caixão do Santo Cristo, logo que o vento se mudou ao norte a caravela se fez ao porto da cidade, onde ancorou terça-feira, desembarcando o Senhor no porto de Santa Iria.

[21] Nota de 4 de Agosto de 2026: Aires Jácome Correia (n. 1882 – f. 1937), dono do Lameiro, foi feito Marquês em 31 de Janeiro de 1901. Quem seria a Marquesa? Talvez o povo tratasse assim a mãe, D. Libânia Amélia Ferreira (n. 1854 - faleceu em 1943). Talvez também tratasse assim as filhas: Margarida Vitória e Dona Josefa Gabriela. 

[22] Nota acrescentada em 4 de Agosto de 2026. CF. AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz e Ribeirinha, volume 32, 1256-2407, artigo 2292: ‘Rua da ribeira, Ribeirinha. Prédio que consta de uma casa com dois engenhos de moer cereais à força de água que confronta Norte: rua; Sul: Primo Pacheco; Nascente: Manuel Joaquim de Oliveira e Poente Maria de Jesus Pacheco. Passou a 1348. António José de Sousa Pombo, rua Direita – Ribeirinha; 1910 – Condessa Jácome Correia.’ Cf. AMRG, Matriz Predial, Urbano, Matriz/Ribeirinha, volume n.º 36, 931-1407, artigo 1348: ‘1348 – Rua Direita, Ribeirinha, Condessa Jácome Correia, Ponta Delgada, Prédio que consta de uma casa com dois engenhos de moer cereais (…) que confronta Norte: rua; Sul: Primo Pacheco; Nascente: Ana de Oliveira e Poente: Marcelino Paulo Lopes, provém do artigo 2292.’

[23] Nota de 1 de Março de 2026.

[24] Carta Régia para o mesmo Dom Antão de Almada, Palácio da Ajuda, 15 de Setembro de 1766, in O Códice 529 - Açores. Introdução e fixação do texto por José Guilherme Reis Leite. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1988, p.177: ‘1766: ‘A liberdade, em que ficavam os mesmos moradores de usarem dos seus fornos, engenhos de bestas nas suas casas, e fazendas, e de se servirem das suas águas particulares para os moinhos que com elas lhes parecesse levantar, dando-lhes aquelas aplicações, que lhe pudessem ser mais úteis, e proveitosas.

[25] Nota de 7 de Abril de 2026: BPARPD/FAM/RG/12/491, Relação dos moinhos movidos pelas águas públicas e particulares que têm mandado construir várias pessoas desta Ilha de São Miguel desde 1810 a 1815; 1810-1815: ‘(fl.2) Ribeirinha, 3 moinhos (moegas? Casas de Moinhos?) (Na Ribeira Pública). Francisco Peixoto de Bettencourt. Prédio do Fidalgo Cabrinha de Lisboa. Ribeira Pública.’

[26] Rodrigo Rodrigues, Genealogias de São Miguel e de Santa Maria. Viveu repartido entre Lisboa, Ribeirinha e Ponta Delgada.

[27]Cada um com dois casais de mós.

[28] Já havendo, no entanto, moradores (que antes eram identificados como residentes da rua de São Salvador) em 1825, presume-se que já houvesse moinhos antes de 1826. Quanto tempo antes?

[29] A levada em causa tem actualmente cerca de 900 metros. Capta a água na ribeira das Gramas.

[30] Teófilo de Braga, Percurso pedestre à Ribeirinha, Amigos dos Açores, 1993: ‘Curiosamente, de Janeiro a Maio de 1848, três azenhas desta localidade moeram cerca de 65 moios de milho e 23 moios de trigo.’ Queriam mesmo dizer azenha ou dão esse mesmo nome a um moinho de rodízio? Não o esclarecem.  Porém, no moinho do meio, que foi do Conde da Silva e que pertenceu a Hermano Cordeiro, esse último introduziu uma azenha talvez em 1951/2. Na s Festas do Santíssimo Salvador do Mundo, na mão da água do moinho da tia Conceição Moleira, eu próprio vi na década de sessenta, montavam uma miniatura de azenha. Reminiscência daquela da década de cinquenta? Devo aqui repetir o que tenho insistido noutros trabalhos: terá havido azenhas antes?

[31] Nota de 7 de Abril de 2026: BPARPD/FAM/RG/12/30/30.22, Requerimento do Conde da Ribeira Grande para certidão dos réus acusados de terem construído moinhos nas ribeiras públicas (de que tem o monopólio), 1819-04-30.

[32] Se entre 1766 e 1821, não fora construída aquela levada, a partir de 1821, com os Direitos Banais abolidos, já haveria ali moinhos. Joel Serrão, Dicionário de História de Portugal, Livraria Figueirinhas, Porto, 1985. v. 2, p.320; Açoriano Oriental, 29 de Maio de 1841: Anúncios. Moinhos. Hão-de ser arrematados por quem der mais, de aforamento perpétuo, os oito (8) moinhos da mesma Vila (Ribeira Grande).’; João Adriano Ribeiro, Moinhos nos Açores: elementos para o seu estudo, Islenha, Funchal, n.º 20, Janeiro - Junho de 1997 p.40: ‘Os privilégios dos donatários terminaram com a lei dos Direitos banais em 1821 [Decreto de 20 de Março de 1821 que suprimiu muitos deles e a lei de 22 de Fevereiro de 1846 que os declarou abolidos]. Foi a partir de então que qualquer proprietário pôde construir o seu próprio moinho e deixar de se submeter às arbitrariedades do donatário, depositadas nas mãos do rendeiro.’

[33] Testemunho de Romão Barbosa, 7 de Setembro de 2024.

[34] Costa, Francisco Carreiro da, Ainda a respeito de moleiros, fl. 4.

[35] AMRG, Livro de Registo de contribuições pagas pelos moinhos ao Município da Ribeira Grande, 1854-1857, volume 66, 1855-1857: Para o ano económico de 1854: ‘Três localizados nas Gramas: ‘Manuel Duarte Silva, Gramas – 1 casal,’ que morava na rua da Ponte Nova, Matriz; José António Ferreira Cabido, com 2 casais e o irmão Augusto César Ferreira Cabido, da rua Detrás da Matriz, também com 2 casais. Na ribeira Velha, ou da Ribeirinha, José António Ferreira Cabido. Dispunha de outro, também com 2 casais. Seria da levada? Manuel de Sousa, ribeira da Ribeirinha, 2 casais. Esse corresponderá ao moinho da rua. Bento José de Paiva Lopes, Ribeirinha, Ribeirinha, 2 casais. António Moniz Afonso, Ribeirinha, 4 casais. Que veremos no ano económico de 1856 – 1857 correspondem a três casas distintas.

[36] Nota de 4 de Agosto de 2026: São três casas: AMRG, Livro de Registo de contribuições pagas pelos moinhos ao Município da Ribeira Grande, 1854-1857, volume 66, 1855-1857: Jacinto Gil Fernandes (visconde do Porto Formoso) aqui claramente com quatro moegas distribuídas por três casas. AMRG, Livro de Registo de contribuições pagas pelos moinhos ao Município da Ribeira Grande, 1854-1857, volume 66, 1856-1857: Fernando Gil, 1 moega; idem, 1 moega; Idem 2 moegas.

[37] Leite, José Reis, Gil, Jacinto Fernandes (1.o visconde de Porto Formoso), Enciclopédia Açoriana, Centro do Conhecimento dos Açores: Sendo um comerciante de sucesso, ao contrário da generalidade dos actuais, foi ‘um grande benemérito apoiando financeiramente diversas instituições de solidariedade da ilha de São Miguel, às quais entregou sempre os seus rendimentos de deputado.’

[38] AMRG, Livro de Registo de contribuições pagas pelos moinhos ao Município da Ribeira Grande, 1854-1857, volume 66, 1856-57. As famílias Cabido e Duarte Silva – residentes no centro da Ribeira Grande -, insista-se: destacam-se desde o princípio como proprietários de moinhos na área.

[39] Leite, José Reis, Gil, Jacinto Fernandes (1.o visconde de Porto Formoso), Enciclopédia Açoriana, Centro do Conhecimento dos Açores: Sendo um comerciante de sucesso, ao contrário da generalidade dos actuais, foi ‘um grande benemérito apoiando financeiramente diversas instituições de solidariedade da ilha de São Miguel, às quais entregou sempre os seus rendimentos de deputado.’

[40] AMRG, Livro de Registo de contribuições pagas pelos moinhos ao Município da Ribeira Grande, 1854-1857, volume 66, 1856-57. As famílias Cabido e Duarte Silva – residentes no centro da Ribeira Grande -, insista-se: destacam-se desde o princípio como proprietários de moinhos na área.

[41] Em 1886. Cindo em (1880), nove (em 1881), nove (em 1882), oito (em 1883), de novo nove (em 1884); ainda nove (em 1885), oito (em 1886).

[42] Fernandes Gil Fernandes (talvez apenas rendeiro) estava a viver em Lisboa e terá preferido passar os moinhos. Nota de 4 de Agosto de 2026; [Moinho de Baixo, hoje conhecido como moinho do Sr. Fulgêncio] CF. AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz-Ribeirinha, Volume 32, 1256-2407, artigo 2284, Rua da Ribeira Ribeirinha, Prédio que consta de uma casa com dois engenhos de moer cereais à força da água e que confronta Norte e Nascente: Servidão; Sul: Francisco Pacheco de Sousa; e Poente: ribeira; Conde da Silvã, Lisboa; António Inácio Vieira, Ribeirinha, passou a 1377; AMRG, Matriz Predial, Urbana, Matriz-Ribeirinha, Volume 37, 931-1407, 1377, Rua da Ribeira, Ribeirinha, (…) António Inácio Vieira, Ribeirinha; 1925 herança, José Inácio Vieira; 1929, Fulgêncio Ferreira Marques (…); ’ [Moinho do Meio, hoje moinho do Romão. Foi azenha no tempo de Hermano Cordeiro] AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz-Ribeirinha, volume 32, 1255-2407, artigo 2286: ‘Rua da Ribeira, Ribeirinha, Uma casa de moer cereais à força da água que confronta Norte e Nascente: servidão; Sul: João Tavares; Poente: ribeira, Conde da Silvã, Lisboa; José Cabral Botelho, Ribeirinha, passou a 1378; ‘AMRG, Matriz Predial, Urbano, Matriz Predial Matriz - Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo n.º 1378: José Cabral Botelho, Ribeirinha; Isabel da Luz Vieira e outros, 1925 por herança; Ambrozina Isabel da Costa Cabral, 1926 por herança, ¼, Ribeirinha; Isabel da Luz Vieira ½, Ribeirinha; Manuel Cabral Botelho ¼; Luís da Silva Cabral, Ribeirinha, 1935, provém do 2286.’ [Não consegui prova do terceiro moinho, o de Cima, nas Matrizes Prediais acerca do Moinho de Cima, mas consigo-o provar com as taxas de 1856 - 1857. Na década de 40 do século XX, era de José Barbosa, que comprará a Hermano Cordeiro o do Meio a Hermano Cordeiro. Beneficiando da água da levada, o moinho de cima só pode ter pertencido ao Conde da Silvã]

[43] AMRG, Livro de licenças para moinhos 1880-1886, Livro 3, Volume 115: ‘residem na Ribeirinha, moinho na rua dos Moinhos, dois casais de mós; e de novo José Cabral Botelho, reside na Ribeirinha, situado na rua dos Moinhos, identificado como moinho do meio, 2 casais de mós;’ AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, Volume 32, 1256-2407, artigo 2286, Rua da ribeira, Ribeirinha, Conde da Sivã, José Cabral Botelho, Ribeirinha; AMRG, Matriz, Predial Urbano, Matriz – Ribeirinha, Volume 37, 931-1407, artigo 1378: José Cabral Botelho, Isabel da Luz Vieira e outros - 1925 por herança; Ambrozina Isabel da Costa Cabral (…) etc… Luís da Silva Cabral, Ribeirinha 1935 (…) (Hermano Cordeiro; 1950’s José Barbosa de Oliveira; Romão Oliveira).

[44] AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, Volume 32, 1256-2407, artigo 2284. Em 1925 por herança passa a José Inácio Vieira e em 1929 passa a Fulgêncio Ferreira Marques CF. AMRG, Matriz Predial, Urbana, Matriz – Ribeirinha, Volume 37, 931-1407, artigo 1377.

[45] AMRG, Matrizes Prediais, Estrela (inclui Ribeirinha), [1890’s – 1916 indo além dessas datas] pesquisa 5 de Setembro de 2024/ 4 de Agosto de 2026: (1) AMRG, Matriz Predial (…) Livro 37, 947-1407, rua da Ribeira, Ribeirinha, artigo 1348; (2) Livro 37 Rua da Ribeira, Ribeirinha, (…), artigo 1377; (3), volume 37, Rua da Ribeira, artigo 1378; (4) Volume 37, artigo 1359, Rua da Ribeira; (5) volume 37, rua da ribeira, artigo 1358; (6) volume 37, Monte do Ouvidor (Fábrica de Tecelagem/ Centro de Inspecção), artigo 1183; (7) Volume 37, Gramas de Cima, artigo 1189; (8) Volume 37, Gramas, artigo 1184; (9) Gramas, Volume 37, artigo 1217.

[46] Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 32, 1256-2407, artigo 1948.

[47] Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 1189.

[48] Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 32, 1256-2407, artigo 1942; Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 1184.

[49] Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 32, 1256-2407, artigo 1979; Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 1217.

[50] Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 32, 1256-2407, artigo 1778; Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 1183.

[51] Nota de 6 de Agosto de 2026: O de Cima: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 32, 1256-2407, artigo 2286;

Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 1778.

[52] Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 32, 1256-2407, artigo 2284; Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 1377.

[53] Testemunho de Eduardo Vieira, vai fazer 82 anos, 8 de Agosto de 2026.

[54] Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 32, 1256-2407, artigo 2292; Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 12 (3?) 48.

[55] Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 33, 2408-3369, artigo 3137; Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 1358.

[56] Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Rústica, Matriz – Ribeirinha, volume 33, 2408-3369, artigo 3138; Nota de 6 de Agosto de 2026: AMRG, Matriz Predial, Urbano, Matriz – Ribeirinha, volume 37, 931-1407, artigo 1359.

[57]Mário Moura, 15 de Outubro de 1986, (informação do moleiro António Vieira – 90 anos em 1986.

[58] Nota de 6 de Agosto de 2026: Testemunho de Laureano Almeida, nascido em 1937, 6 de Agosto de 2026.

[59] Testemunho de Eduardo Vieira, vai fazer 82 anos, 8 de Agosto de 2026.

[60] Testemunho de Eduardo Vieira, vai fazer 82 anos, 8 de Agosto de 2026.

[61] Entrevista de Mário Moura a António Vieira, 90 anos, 1986. Cf. Trabalhos elaborados em 1988 por alunos, Ribeirinha, Coordenação Concelhia de Educação Permanente da Ribeira Grande, Feijó, Álvaro, Ribeirinha: Uma Viagem no tempo, 2017, p. 107. Testemunho da filha Irene, 16 de Agosto de 2026: Eugénio Melo. Moinho das Gramas de Baixo, Embarcou 1980.

[62] Teófilo de Braga, Percurso pedestre à Ribeirinha, Amigos dos Açores, 1993.

[63] Testemunho de José Carlos Garcia, 12 de Setembro de 2024: A Junta de Freguesia da Ribeirinha – no mandato do Presidente Eugénio Salvador -, recebeu do Lameiro em 1998 a posse do Moinho que fora explorado pela Sr.ª Conceição Barbosa (Moleira).[63] A ideia da sua transformação em museu, porém, já vinha do mandato de Álvaro Feijó. Porém, tal só veio a se concretizar em 2009/2010, no mandato de José Carlos Garcia. Testemunho de António Cymbron, 14 de Setembro de 2024: Na década de quarenta, a minha sogra – a pedido da Conceição Moleira -, comprou-lhe o moinho. A partir daí o Lameiro dava água ao moinho. A minha esposa, Ana Hintze Cymbron, facilitou (cedendo a sua parte) a passagem dele para a Junta na condição de fazerem ali um museu. Segundo neta do proprietário (17 de Setembro de 2024) temporariamente indisponível, a levada carece de limpeza, o moinho de cima abre as suas portas a quem o queira visitar. Correcção de 4 de Agosto de 2026: o moinho da rua foi adquirido na década de 10 do século XX. Como é que a Conceição moleira comprou aquela parte? Não sei.

[64] Observação ao local em 7 de Agosto de 2026.

[65] Daniel de Sá, Ribeirinha, Açores, 24 de Março de 1968, pp. 1, 7: ‘Em grande parte destes benefícios há a destacar a acção do Senhor José Moniz Furtado, actual Presidente da Junta de Freguesia, bem como o Senhor Alfredo Cabral Botelho, secretário da mesma.’

[66] Sofrem outro tanto com as enxurradas: em 1919, na década de 1990 e recentemente a do dia 3 de Junho de 2024. Além disso, a freguesia citadina da Ribeirinha está só parcialmente coberta pela rede doméstica municipal de saneamento. Que as correntes arrastam (por vezes) até às Poças e ao Monte Verde? E a das Prainhas? Idem.

[67] Joaquim Paulo Nogueira, À conversa com José Gil, Tempo Livre, Inatel, Setembro - Outubro de 2024, p.7.

[68] É uma selva amazónica de esgotos domésticos (alguns disfarçados). Animais deambulam pela ribeira, outro pastam próximo. Isso a montante e a jusante. Quase a chegar à foz, uma unidade industrial de areia. Para além de vacarias. A levada é também usada para outros fins.

[69] Cf. Trabalhos elaborados em 1988 por alunos, Ribeirinha, Coordenação Concelhia de Educação Permanente da Ribeira Grande, Feijó, Álvaro, Ribeirinha: Uma Viagem no tempo, 2017, p. 106. 1) O moinho da Rocha, do Jenipa (foi dos Cabidos); 2) o do Outeiro; 3) Moinho da rua do jogo; 4) o moinho da rua; 5) o do Sr. Fulgêncio (Moinho de Baixo); 6) Fábrica do Linho; 7) moinho da ponte ou da ribeira (Moinho do Meio); 8) Moinho de José Barbosa (Moinho de Cima); 9) Gramas de Baixo (José Manuel); 10) Gramas de Cima (de Jacinto Cabral). Será o 11.º um terceiro que terá havido nas Gramas? Ou o que existiu na ribeira do Salto. 

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