Essa História não começa em 1833 nem acaba em 1924 Tanto assim é que, uma década depois de os herdeiros de Manuel Duarte Silva terem vendido os moinhos, seria milagre encontrar na Ribeira Grande um moinho que não moesse dia e noite. Para dar vencimento às moendas das ‘ freguesias .’ [1] E às de farinheiros e de quarteiros de perto ou de longe. Indo até às Bretanhas . Em 1939, o correspondente da Ribeira Grande para o jornal A Ilha , tira um instantâneo a esse universo de vinte e dois moinhos, catorze da levada da Condessa e oito da ribeira , dos quais ‘ os catorze da Condessa [dispunham] de quatro pedras [três para o nosso] que, no Verão, [trabalhavam] três ao mesmo tempo. No Inverno, apenas duas. ’ [2] Só à conta da Mãe de Água, havia quatro: dois da Condessa (com três mós cada e moendo com a água da levada da Condessa) e dois de ribeira (também com três mós mas moendo directamente da água da ribeira Grande). Considerando apenas o número de casas de moinhos, poderia pensar-se qu...
Os moinhos da Mãe de Água de Manuel Duarte Silva Essa História começa no dia 29 de Outubro de 1833. Numa terça-feira, o tabelião Francisco Machado Coutinho foi a casa de Manuel Duarte Silva formalizar uma ‘ escritura de contrato de sociedade entre Cândido de Oliveira, sua mulher Teresa de Jesus e Manuel Duarte Silva, sobre uns moinhos ou engenhos que pretendem edificar.’ [1] Onde seria isso? Num ‘ baldio sito à Mãe de Água, onde vulgarmente se chama a Bajana desta dita Vila .’ [2] O que é a Mãe de (ou da) Água? Para os antigos, o que se confirma para o século XIX, era a mãe (ou a mão) que dava ou tirava a água. Espaço entre rochas e a levada do Conde, fica no troço da ribeira da Mãe de Água (que aí recebe também a água do seu afluente da ribeira da Pernada). No apogeu, alimentou quinze mós em cinco moinhos. Daí o nome? Geologicamente, é uma Cova , no género da Cova do Milho, e das muitas Covas que vemos ao longo da ribeira Grande. Ao tempo em que surgem os moinhos de Manuel Du...