Onde fica o Paraíso? Em 1963, a um ano e meses da inauguração do Paraíso Infantil, Ventura R. Pereira explicava que o sonho era centenário. [1] E que os primeiros passos que levariam a Cova do Milho ao Paraíso, não tinham mais do que três décadas. Tudo começara nas ‘ Câmaras presididas por Calisto de Oliveira Rocha [1926-1929] e [pelo] Dr. Artur Soares Arruda [1932-1940].’ [2] Nesse período, a Câmara ‘ comprou algumas casas devolutas para demolir .’ Mais tarde, os Presidentes Luciano Machado Cordeiro [1942-1945] e Lucindo Rebelo Machado [1941; 1946-1949] também compraram algumas casas disponíveis. [3] Que pretendia a Câmara? Além de acabar com o ‘ infecto ’ Bairro da Cova do Milho, nesta fase, pouco mais queria. Ou antes, que se saiba, até hoje não se descobriu projecto do que se possa ter pretendido. O que se passava por essa altura lá em baixo no Bairro? Em 1943, o Bairro rebentava pelas costuras. Eram dezasseis casas e noventa e um moradores. [4] Era uma situação anormal...
Cova do Milho Nem o Paraíso pós catástrofe de 1563/64 passou a Cova de Milho de um dia para o outro. Nem a Cova de Milho foi sempre um ghetto social. [1] De onde virá esse nome? [2] E por que razão o deram? Nem as actas da Câmara, as mais antigas são de 1555 e de 1578, nem Frutuoso, que deixa de escrever quando morre em 1591, dizem o que quer que seja a esse respeito. [3] Nem poderiam dizê-lo, pois, o ‘ milho americano ’ não era ainda aqui cultivado. E se, porventura, fosse já cultivado, teria pouca ou nenhuma expressão. [4] Os cronistas que se seguiram a Frutuoso, seguem pelo mesmo caminho. Falo de Agostinho de Monte Alverne, um rapaz da terra. Falo de Frei Diogo das Chagas, florentino que por aqui andou. Do Padre António Cordeiro, que também andou por aqui. De Francisco Afonso de Chaves e Melo, que casou na Ribeira Grande. Textos posteriores, já do primeiro quartel do século XIX, ainda que já confirmem a importância do milho na Ribeira Grande, nada dizem acerca da Cova de Milho...