Essa História não começa em 1833 nem
acaba em 1924
Tanto
assim foi que, uma década depois de os herdeiros de Manuel Duarte Silva terem
vendido os moinhos, seria milagre encontrar na Ribeira Grande um só moinho que
não moesse sem cessar dia e noite. Para dar vencimento
às moendas das ‘freguesias.’[1]
E às de farinheiros e de quarteiros de perto ou de longe. Indo até às Bretanhas. Em 1939, o correspondente da
Ribeira Grande para o jornal A Ilha, tira
um instantâneo a esse universo de vinte e dois moinhos, catorze da levada da Condessa e oito da ribeira, dos quais ‘os catorze da Condessa [dispunham] de quatro pedras [três para o nosso] que, no Verão, [trabalhavam] três
ao mesmo tempo. No Inverno, apenas duas.’[2]
Nessa altura, só à conta da Mãe de Água, havia quatro: dois da Condessa (com
três mós cada e moendo com a água da levada da Condessa) dois de ribeira (também
com três mós mas moendo directamente da água da ribeira Grande).[3]
No entanto, o moinho de Manuel Duarte Silva (MDS I), ou melhor o que fora de
Manuel Duarte Silva, não era o melhor moinho da Ribeira Grande. Nem da Mãe de
Água. Havia grandes moinhos. Casas fortes. Com grandes freguesias. Com bons
moleiros. Considerando apenas o número de casas de moinhos, poderia pensar-se
que em 1939 a Ribeira Grande recuperara totalmente da catástrofe de Agosto de
1919.[4]
Não foi esse o caso. Houve moinhos que reduziram o número de mós.[5]
Além disso, havia outras indústrias a utilizar a água da ribeira: ‘(…) As
águas da ribeira Grande [eram] aproveitadas por duas centrais eléctricas,
uma da Empresa Gás e Electricidade que [fornecia] energia para iluminar a Vila, Rabo de Peixe e Pico da Pedra e para
serviços industriais de Ponta Delgada e outra que pertence à Câmara de Ponta
Delgada e [ia] alimentar a rede de
distribuição na cidade e seus arredores.’[6] Havia
ainda outro perigo a espreitar: as moagens eléctricas. Nas Ilhas. Na Ilha, a
Moagem Micaelense de 1922, ganhou mercado.[7] E na
Ribeira Grande? Não seria novidade, já que, em 1919, há notícia de haver uma na
Ribeira Grande. Para impedir o aparecimento de novas moagens, alguns dos proprietários
de moinhos de água fizeram pressão sobre a Câmara para as proibir.[8] Por
outro lado, tentam ainda negociar bitolas de água com as hidroeléctricas. Sem
grande sucesso.
Ainda assim, os moinhos de água da
Ribeira Grande aguentaram-se. E bem. Se o negócio da farinha era bom em 1939, melhor
ficaria em 1941. As restrições impostas pela II Guerra Mundial, fazem com que a
população da Ilha aumente. A torneira da emigração fechara. Além do mais, na
Primavera de 1941, começa a desembarcar na Ilha ‘uma força expedicionária de 16 500 homens (…).’[9] É
então que, em 1942, Manuel Félix Vitória, aos 41 anos, compra o moinho que fora
outrora da família Duarte Silva e que passaria doravante (também) a ser
conhecido por moinho do Félix. Sendo negócio a não perder, além deste moinho, os
outros três da Mãe de Água também mudam de mãos.[10] Assim
como outros na Ribeira Grande. Dito de forma simples, poderá dizer-se que os novos
donos eram trintões e quarentões com ambição de ‘avançar na vida.’ Quem foi Manuel Félix Vitória? Solteirão,
toda a vida, mas muito chegado à família, nasceu na Conceição a 14 de Fevereiro
de 1901 e aí faleceu a 27 de Janeiro de 1966.[11]
Segundo a afilhada, ‘foi moleiro e
farinheiro. Trabalhou alguns anos no moinho. Mas tinha moleiros por sua conta. Mais
tarde, montou na sua casa uma pequena fábrica de blocos de cimento. Comprou mais
tarde uma quinta na Ribeira Seca’[12] É
tratado por ‘proprietário.’ Teve um
percurso semelhante ao de outros no ramo da farinha. Como conto mostrar mais à
frente.
A ‘fartura do tempo da guerra,’
porém, não sobreviveu ao fim da guerra. Conquistada a paz, reabertas as
fronteiras, regressada a tropa a casa, o negócio quebra. Numa conversa em
1986 com Manuel Pascoal, emigrara na década de 1950, irmão de Eduardo e de José
Pascoal, filhos e netos de farinheiros, disse-me que a crise ‘começa’ mal acaba a guerra. E ao
contrário do que se dizia, a emigração viera ajudar a resolver a crise, mais do
que a criá-la. Fecham muitas moagens nos anos de 1950. E moinhos de água. Alguns
moinhos, sem deixar a farinha, entram noutros negócios. Uns, nos blocos de
cimento. Ezequiel Moreira da Silva fora pioneiro na década de 1930.[13] Fui
falar com o engenheiro Albano Moniz Furtado, filho e neto de gente dos moinhos:
‘Meu pai intuiu o futuro. O negócio da farinha vai acabar, pensou. O
negócio da farinha não dava mais do que já dava. Não havia futuro. Tinha
vontade de crescer para dar futuro aos filhos.’ O que fez? Melhora o fabrico da farinha:
‘Electrifica uma mó, penso que em 1956, está lá a data, penso que para mandar
farinha para Santa Maria. Como tinha de a embarcar queria ter a certeza de que
moía. Se dependesse da água, podia ser que não conseguisse.’ Entra no
negócio dos blocos: ‘Em 1958/9 começa com
a fábrica de blocos. Meu tio João Alberto foi pioneiro nos blocos.’ E, em
parceria, cria uma empresa de prestação de serviços: ‘Em 1959, com o cunhado, meu tio João Gouveia Moniz, que abandonara o
negócio da farinha, chegou a ter uma moagem em Rabo de Peixe, fora moleiro, ou
farinheiro, digo eu, compra um camião. Camião de praça. Em 1961, vai a Lisboa e
compra um camião Mercedes Benz. Com o meu tio João. E um tractor para lavrar
terra. É um camião de praça para a Firma Moniz & Tachinha.’[14] Outros, como os irmãos Alfredo e João Vieira, fazem (ou já haviam feito)
outro tanto.
Manuel Félix Vitória segue a
tendência. Vem a falecer em Janeiro de 1966. Um a dois anos antes adoecera. Se
o moinho já não era a sua maior fonte de rendimento, tinha os blocos, a partir
de então deixa de moer. Em 1968, Eduardo Pascoal, casado com uma sobrinha de
Manuel Félix, por herança da mulher, fica com o moinho. Perguntei ao sobrinho
José Manuel, ligado ao moinho do Vale, e ao universo dos moinhos, sobre o que
recordava da vida do tio: ‘Meu tio
Eduardo moía no moinho do meu pai. O moinho do Vale. Distribuía farinha em Rabo
de Peixe. Em 1965, ano em que nasci, meu tio moía ainda lá.’[15]
Continuando com José Manuel, repare-se no negócio que acrescentou (e depois
substituiu) o da farinha: ‘Meu tio
Eduardo deixou o negócio da farinha e do milho porque tinha o negócio da
charcutaria. Metia-se em muita coisa.
Sem dinheiro mesmo. Atirava-se. Fez umas pocilgas. Currais de porco. Lá em cima
no moinho. Quem lá estava a tratar de tudo, porcos e farinhas era o Humberto [Moniz
Machado] Tenente.[16]
Dormia lá e tudo. Bidões de soro de 200 litros. Era lá que tinha a criação de
porcos que matava. E vendia. Meu tio
Manuel faz sociedade com o irmão Eduardo e abrem um talho. Tinha lavoura grande com vacas. Tractores.’[17]
Era conhecido como comerciante.
De
meados da década de sessenta a 1971, fecham portas 45% dos catorze moinhos da
levada da Condessa. A emigração ‘só de
1965 a 1975’ leva ‘mais de 107 mil
açorianos.’[18]
Na Mãe de Água, além do moinho de Manuel Félix, resta o do Pimentel.[19]
E mesmo esse perde dois dos seus três donos para a emigração. Eduardo Machado
Pascoal morre em 1977, aos 40 anos, vítima de acidente. A viúva vende o moinho
a Euclides Moniz Machado talvez em 1981 ou (mais certo) em 1982.[20]
Apesar de haver menos moinhos, de haver, em princípio, menos concorrência, nem
por isso era boa altura para entrar no negócio da farinha.[21]
Foi uma compra arriscada. Em contra-ciclo. Em 1986 já só havia nove moinhos na
Ribeira Grande, todos da levada da Condessa. Euclides vai à banca. Tem de
refazer o moinho. Construir uma ponte. Pagar um condutor. A sua clientela é
pequena. Como se poderá caracterizar a situação? Gualter Furtado, antigo
Secretário Regional das Finanças, especialista na área, deu-me a resposta: ‘A década de 80 é o início de uma
reorientação estratégica que resultou do processo de integração de Portugal na
então CEE (…).’ Que impacto teve nos moinhos? ‘Os moinhos morrem com a mudança da economia, queda na produção de
cereais trigo e milho humano, emigração em massa (…) a mudança da produção do
grão para a erva, necessitava menos mão-de-obra e o produto final era mais
rentável (leite e carne), e ainda por cima com apoios extraordinários à
produção e ao rendimento (…) sem homens para trabalhar a terra, com processos
de produção antigos e pouco mecanizados dos moinhos, com consumidores
subsidiados para consumirem produtos importados, a morte dos moinhos era
inevitável.’[22]
Quem foi Euclides Moniz Machado? Fui
conversar com Dionísia, viúva de Euclides há 24 anos.[23]
Três anos mais nova do que
o marido, nasceu em 1946. Tal como o marido é filha da Ribeira Seca. Da Grota. No sopé do outeiro da ermida de
Nossa Senhora da Piedade, junto à qual, morou o futuro marido. Arrumava a
carroça no portão ao lado da ermida. Casaram
na igreja da Ribeira Seca. São Pedro. No dia 15 de Novembro de 1969.
Euclides já com 26 anos. Dionísia talvez já com 23. Tiveram três filhos: Dinis,
Graça e Bruno. O pai de Euclides era Machado, parente dos Machado Pascoal.[24] Euclides sempre foi moleiro. Moía no
moinho do José Pascoal. Aprendeu o negócio com o irmão Francisco, o irmão mais
velho. No moinho do Sr. Manelinho, o que
o mar levou. Quando o irmão ‘embarcou’
para o Canadá, ficou com a ‘vida do irmão.’
Ribeira Seca e Lomba. Não era toda a Lomba. Comprou-lhe o boi e a carroça.
Parou enquanto fez a tropa no quartel em Ponta Delgada. Quando terminou a
tropa, voltou à vida da farinha. Foi moer ao moinho do José Pascoal. No moinho
do Vale.[25]
Por
que comprou o moinho? O Eduardo Cordeiro, um cunhado meu,
marido da minha irmã, é que veio com a conversa. Vais comprar um moinho. Vais
comprar um moinho. O Euclides não queria. Mas o meu cunhado insistiu. Insistiu.
Vais comprar o moinho. Em vez de pagar renda.[26] Eu
não queria. O moinho estava muito desprezado.
Não tinha portas. Janelas. Nada. Nem a ponte. Tinha uma casa grande. Cozinha de
pedra de lavoura. Forno. Não tinha luz. Era de candeeiro a petróleo. Euclides acabou por querer. Por que
terá querido? A viúva não diz, porém, quanto a mim, talvez tenha pensado como
os homens geralmente pensam na idade que Euclides então tinha: ‘Vou a caminho dos quarenta, tenho mulher e
três filhos pequenos para sustentar.’ Fomos ao Banco de Fomento
[Nacional] em Ponta Delgada pedir emprestado o dinheiro.[27]
Papelada despachada, houve que dar
o primeiro passo: construir a ponte de madeira que ligava o moinho na margem
esquerda à margem direita da ribeira. Largaram fogo à que havia dantes no tempo
do Eduardo Pascoal. A esse respeito, e a outros afins, o filho Dinis lembra-se perfeitamente
bem: ‘Estava tudo partido. Não tinha nada
lá. Moegas. Cambeiros. Só tinha as pedras e as paredes. Quem fez a ponte foi o
meu pai. Foi o Tibério Carvoeiro. Mateiro. Que arranjou os eucaliptos para as
traves. Quem fez a obra da ponte foi o Fernando Galinha. E fez também portas,
janelas. Era da Ribeira Seca. Já
morreu.’[28]
Voltando a Dionísia: Picar as pedras. Afinar
moinhos. Tudo foi feito pelo António Alberto. Que morava ali para cima pro
Rosário (na Matriz).[29]
Lançada a ponte, refeito e
afinado o moinho, pelo António Alberto, puseram-no a trabalhar. Havia dívidas a pagar. Fechava-se o moinho quando acabava a
moenda. Havia dias em que ficava, diz Dionísia, até ele chegar de fora. A
freguesia do moinho era a Ribeira Seca toda e alguns lados de Santa Bárbara.
Havia na Lomba também o Manuel Chamarrita
– lá em cima no fim da Lomba [Santa Bárbara]. Mais cá em baixo, perto da igreja,
havia a moagem do José de Melo, pai do Leonel da Bomba [de Gasolina]. A gente também moía muito para Ponta
Delgada. Às vezes até trabalhava aos Domingos. Moía muito para o Sr. António [Pedro
Jorge?] da Arquinha.[30]
Farinha amarela para o gado. Dois e três camiões por semana. Muito. O lucro do
milho ficava para pagar. Ainda há filhos que trabalham lá. Havia serões em que
ficava toda a noite para ajudar.[31] Aproveitavam o espaço à volta do moinho?
Criava-se galinhas. Na terra do
José Eduardo [Carlota, que confronta a Norte], pagando renda, tinha gueixas. O que faziam lá em cima para se divertirem?
‘Pesca de iróses [enguias] na levada. Tomar banho no Poço do Homem.’ [32]
Disse Dinis. ‘A casa [que pertence ao
moinho] estava cheia de plantas. Cresciam
bem ali, A Francelina que morava no moinho à entrada da canada [moinho da
Cova] é que dava plantas à minha mãe.’[33]
Diz-me a filha Graça.
Quem
ajudava no moinho? O
meu filho Dinis saía da escola e ia ter com o pai ao moinho. Aprendeu a vida
com o pai. Comprou-se um camião ao Manuel Ventura e ele com nervos não quis
conduzir. Nem me deixou aprender. Tu ainda vais-te matar! Teimou. E não deixou.
Pagámos a vários condutores.[34] Uma
despesa grande. Sem precisão. Quando fez dezoito anos [é de 1971] o Dinis tirou
a carta e pegou no camião.[35] Porque venderam o moinho? Tivesse
quieto![36] O
meu marido já estava com depressão. Saía pouco de casa. Eu é que governava
tudo. Eu é que aguentei a vida. Porquê
Euclides? Por um lado, eram as prestações devidas ao banco e a outros a
quem devia dinheiro, por outro, o negócio não rendia o suficiente? Sentiu-se
falhado como homem de família? Terá isso tudo agravado a tendência depressiva de
Euclides? Penso eu. Vieram ter comigo. Diz a viúva. Já não me lembro quem foi.
Comprou o [Manuel Correia] Bettencourt. Morava na rua João do Rego de Baixo.
Onde morava o meu cunhado. Não me lembro por quanto vendi. Havia um que queria
primeiro, um que era pescador, amigo dele, mas foi ele que veio depois e
ofereceu mais. E foi ele que ficou com o moinho. O filho Dinis, o último a moer
no moinho, explica os anos finais: ‘Quando
caiu a ponte é que foram elas. A gente havia tentado reforçar com vergas de
aço. Mas parece que foi pior. Caiu tudo. Vendemos em 1990. O Bettencourt
deixava-me lá estar sem pagar renda. Estive por minha conta durante dois anos. Durante
dois anos usava o pasto do Carlota [José Eduardo Silva]. Pagava uma renda de 250 contos por ano. Ainda se tentou. Quase no
fim. Quando a farinha começou a enfraquecer, levamos também fruta, ração,
batatas, legumes, maçãs. Não dava para o gasóleo! E entreguei ao Bettencourt o
moinho.’[37]
Ao lado, fechava o moinho do Pimentel. Acabavam os moinhos da Mãe de Água. Na
Ribeira Grande, resistiam seis dos catorze da Condessa: quatro com vontade de
avançar no negócio, dois só para se entreterem.[38] Segundo
me foi dito na altura.
Se
a farinha não dava, dava o pão.
Quando fiz a padaria, diz Dionísia, vendi o moinho.[39]
Abri a padaria (da) Lacerda (nome da
família da Dionísia), ainda sem licença. Em 1990. Foram-me acusar.[40] Pus
tudo direito em 1992. Comecei a cozer pão para uma vizinha e para outra que me
pedia. Foi aumentando.[41] O
Bruno e a Graça trabalham na Padaria. O Dinis abriu nos quatro cantos da
Ribeira Seca - a uns cem metros abaixo da Padaria - o Café Lacerda. E depois de Dinis entregar o moinho em
1992? Ao que dizem, Bettencourt
‘queria fazer ali um museu do moinho.’
Depois desse ano, ele ou o filho, vendem o moinho a um belga. Esse belga, em
2018 vende-o a José e João Gonçalves. Que querem fazer? ‘Ainda não sabemos o que queremos fazer ali. Mas terá de ser um projecto
que integre tudo. A cascata. O moinho. É um local precioso.’[42]
Enquanto
não se decide o destino daquele fabuloso moinho da Mãe de Água, outros já
decidiram o destino dos seus. Dois converteram-se em dois mimosos espaços de alojamento
local e um terceiro só não tido o mesmo destino, dizem-me, por desnecessários ‘entraves’ burocráticos.[43]
Quatro dos moinhos da levada da Condessa e da ribeira foram transformados em
centros de interpretação. Dois são alojamento local.[44]
Criou-se um percurso pedestre dos moinhos.[45]
Armindo Vitória, descendente de uma longa e muito antiga família de moleiros,
farinheiros e quarteiros, é o último moleiro da Ribeira Grande. O Armindo
Jantarinho já desistiu há mais de um ano. Armindo Vitória mói ‘coisa pouca.’ Uma ou duas vezes por
semana. Mói no Moinho do Vale. Na verdade, vende pelas portas outras coisas
além da farinha. Aliás, vende menos farinha do que as outras coisas. Tem
clientes na Ribeira Seca, Santa Bárbara e pouco mais. Alguns clientes no
centro. Compra o milho à única moagem da Ilha. Havia ainda outra nas Capelas
que já fechou. Veja-se lá a grande ironia da História dos moinhos da Ribeira
Grande: a moagem onde Armindo compra o milho, fica em Ponta Delgada. Quando no
século XVI o capitão da Ilha obrigara Ponta Delgada a quebrar as suas atafonas
para que fosse moer aos seus moinhos da Ribeira Grande.[46]
Quem ira imaginar no século XVI que isso iria acontecer no século XXI?
Poço do Homem, Mãe de Água, Cidade da Ribeira
Grande
PS: Nota de 26 de Maio de 2026: Quanto à relação ribeira/levada e Monte Verde, sobretudo no que toca à
qualidade das águas do mar/ribeira, até aos anos noventa, os moinhos usavam a
vala (valas) como apoio às pocilgas. Quase todos sem excepção. As quintas e
terras adjacentes, na sua esmagadora maioria, passaram a pasto. Há ‘cacarias’
em pontos sensíveis. Quer essas quer os pastos, contribuem hoje
maioritariamente para a pouca qualidade das águas do Monte Verde. Infelizmente.
Felizmente, Nem sempre. Até quando? A última descarga conhecida, ocorreu
Domingo passado (dia 24 de Maio). Houve protestos. A autarquia, na pessoa do
seu Presidente, jurou na RTP/Açores, em jornais, etc… ‘ter, se necessário, mão
dura sobre os prevaricadores.’ De criar um piquete ambiental e estabelecer uma
melhor ligação com os departamentos da Região. Fica-se à espera. Volto a
repetir a sugestão de introduzir, a exemplo do exemplo de Oeiras, plantas nas
margens da ribeira. Para quê? Fiscalizam 24/24 horas durante 365/6 dias no ano
as descargas. De forma simples e gratuita.
[1] Os herdeiros de Manuel Duarte Silva Júnior haviam vendido
em 1923 a ruína da casa com dois moinhos movidos pela água da ribeira (Grande
ou e da Pernada) a Bento Rocha da Conceição, em 1924, vendiam a casa com três
moinhos movidos pela água da levada do Conde (ou da Condessa) a Jaime Soares
Rocha, da Matriz. Nesse mesmo ano, Jaime Rocha compra a Bento Rocha a ruína. Na
outra margem da ribeira, ainda em 1924, o moinho do Caroucha, moinho de
ribeira, foi comprado por Manuel Francisco Costa, das Gramas. Entre 1924 e
1942, António Francisco Taveira compra aos Rocha a casa sobrevivente de Manuel
Duarte Silva de três moinhos. Conhecem-se nomes de dois rendeiros, Pedro Bicudo
e Manuel Homem da Silva Júnior, da Vila da Ribeira Grande. Que terão tido
moleiros a trabalhar por sua conta. Tirando isso, do resto, confesso-me
ignorante.
[2] Correspondente da Ribeira Grande, Irrigação, A Ilha, 26
de Junho de 1939, pp. 1-2. Nota: As Matrizes Prediais, uma fonte documental oficial segura,
porém, diz-nos que na Mãe de Água, e na levada referida, quer o nosso moinho
quer o que lhe fica antes dispunham apenas de três.
[3] O anterior ao Carocha havia sido levado pela água em 1919 e o MDS II já havia antes deixado de ser moinho. Restavam, de ribeira, o Carocha e o Cova I.
[4] Ezequiel Moreira da Silva, A catástrofe de Sábado, Ecos do Norte, 16 de Agosto de 1919, pp.
1-2: Em Agosto de 1919, havia (…) 25 moinhos [14 da Condessa e 11 da ribeira. Quais? 1) Paivinha;
2)Viveiros; 3) Caroucha; 4) Cova I; 5) Velha; 6) Ponte Nova; 7) Cova II; 8)
Barracão; 9) Açougue ; 10) Cova de Milho. E o 11º ? Se o do
Arrenegado já estava desactivado, então resta o segundo de Manuel Duarte Silva?
Referir-se-ia a este?] que aqui
trabalhavam, apenas três estão moendo com regularidade. A água das regas que
fizeramn derivar para a levada dos moinhos da Condessa, pouco resultado tem
dado, por ser em pequena quantidade. Enquanto
em Agosto, Ezequiel referia 11 moinhos de ribeira, em Novembro já só se falava
de 7. Quais
seriam estes 7 de ribeira? 1) Cova de Milho; 2) Açougue; 3) Barracão; 4) Ponte
Nova; 5) Velha; 6) Cova I; 7) Caroucha. Seriam esses? [Parte do texto: Ezequiel Moreira da Silva?; Imagens Toste e o
genro] Crónica da Tempestade de 9 de Agosto de 1919, Revista Micaelense,
Novembro de 1919, p. 575
[5] Por exemplo, o
moinho do Caroucha passou a ter duas mós.
[6] Correspondente
da Ribeira Grande, Irrigação, A Ilha, 26 de Junho de 1939, pp. 1-2.
[7] Nota de 24 de
Maio de 2026: Cf. Bibl. Enes, C. (1994), A
economia açoriana entre as duas guerras mundiais. Lisboa, Edições
Salamandra: 124-130. João, M. I. (1991), Os Açores no século XIX ?
economia, sociedade e movimentos autonomistas. Lisboa, Edições Cosmos:
76-85. Merelim, P.’(1974), As 18 paróquias de Angra. Angra do
Heroísmo, Tip. Minerva
Comercial: 859-860. ‘A produção de farinha no arquipélago remonta aos primeiros
tempos do povoamento, através do recurso a moinhos e azenhas movidos pela força
eólica ou hidráulica. Estas fontes de energia mantiveram-se até meados do
século XIX, altura em que começaram a surgir algumas moagens funcionando a
vapor ou motor de explosão. Em 1852, já existia um estabelecimento destes com
17 assalariados e, por volta de 1871, funcionava outro no Faial, pertencente à
família Dabney. Todavia, as novas fontes energéticas continuaram a ter um peso
pouco significativo no conjunto desta indústria que se manteve muito artesanal,
até aos finais da I Guerra Mundial. (…) A
grande alteração no sector verificou-se com a abertura de três unidades industriais nas principais ilhas: a
Moagem Faialense, de José Peixoto Ávila & Cª, montada em 1914, a Moagem Micaelense, da Empresa da Moagem
Micaelense, Ldª, inaugurada nos últimos dias de 1922, e a Moagem
Terceirense, de Basílio Simões, de 1928. A abertura da Moagem Faialense foi responsável
pelo encerramento de onze estabelecimentos naquela ilha, num curto espaço de
três anos. Em S. Miguel, a Moagem Teves, fundada em 1903, ficou impossibilitada
de concorrer com a Micaelense e a Ferreira deixou de laborar após a entrada em
funcionamento daquela. O número de estabelecimentos foi diminuindo
gradualmente, e surgiram na sociedade açoriana uma série de conflitos até então
inexistentes. Esses conflitos giravam em torno da grande Moagem Micaelense que
pretendia monopolizar e controlar a actividade no arquipélago; entre moageiros
e importadores de farinha; entre consumidores e moageiros, defendendo os
primeiros a livre importação de farinhas; entre produtores de trigo e
moageiros, na medida em que estes preferiam importar trigo exótico.’
[8] AMRG, Actas, 9
de Abril de 1936, fl. 74 v.: ‘Abaixo-assinado
de alguns proprietários de moinhos de moer à força da água, sitos nesta Vila,
pedindo para se estipular, no novo contracto de iluminação pública, a celebrar
entre esta Câmara e a Empresa de Electricidade e Gas de Ponta Delgada, a
clausula proibitiva de fornecimento de energia elétrica para instalação de
montagem de moagens para cereais: A comissão ficou de estudar o assunto.’
[9] Almeida, José Almeida, A Campanha do ananás. Os Açores na II Guerra Mundial, 2008. Sobre a economia do período, entre outros, recomendo: Sérgio Rezende, A II Mundial nos Açores, 2018.
[10] No ano anterior,
Edmundo Barbosa de Oliveira havia comprado o Moinho da Cova I; e nesse ano de
1942, Amâncio Raposo Pimentel tomara posse do segundo moinho da levada da
Condessa; e Silvano Taveira Neiva do moinho do Caroucha. Para além dos moinhos da Mãe de Água, outros mais também
mudam de mãos. Em 1941, João Botelho Pascoal compra o Moinho da Areia; em 1942,
Manuel Alberto Moniz compra o da Velha; Nesse mesmo ano, Manuel Estrela Cabral,
compra o da Ponte Nova; Manuel Carlos Pacheco o moinho do Vale; Maria de Deus
Seridónia Viveiros o dos Couros; em 1945, Evaristo Máximo do Couto, o Cova II.
[11] APCRG,
Índice de Batismos N.º 17, 1900-1901: Manuel (Félix Vitória) filho de António
Vitória e de Maria da Glória Marques, 901, fl. 8; BPARPD, Baptismos de Nossa
Senhora da Conceição, Manuel Félix Vitória, 3 de Janeiro de 1901, fl. 8; Nasceu
às 7 horas da noite do dia 14 de Fevereiro de 1901. Baptizou-se a 3 de Março de
1901. Filho legítimo de António Vitória, carroceiro, natural de Nossa Senhora
da Estrela, e de Maria da Glória Marques, doméstica, natura de Nossa Senhora da
Conceição. Neto paterno de Vitorino Vitória e de Jacinta Cândida. E neto
materno de Manuel Marques Tavares e de Júlia Amélia Raposo. Padrinhos: Manuel
Rodrigues, casado, carroceiro, madrinha, Isabel Maria, casada. À Margem:
Faleceu na freguesia da Conceição pelas 18 horas do dia 26. Óbito N.º 32 27/1/
1966; APCRG, Óbitos da Conceição, Manuel Félix Vitória, faleceu a 26 e foi
sepultado a 27 de Janeiro de 1966, N.º 3, fl. 45 v: Manuel Félix Vitória, de
sessenta e quatro anos, proprietário, morador na rua dos Foros (n.º 74) faleceu
a 26 e foi sepultado a 27 no cemitério de Nossa Senhora da Estrela. Comungou e
recebeu a Extrema-unção pela mão do pároco Padre Luís Cabral. Filho de António
Félix Vitória e de Maria da Glória Marques. Ambos falecidos.
[12] Testemunho de
Isabel Pascoal, 28 de Março de 2026.
[13] Exemplo disso:
as chamadas Casas dos Magistrados na rua do Botelho. Na década anterior, já o
havia feito na Cidade da Horta, Ilha do Faial.
[14] Testemunho de
Albano Moniz Furtado, 4 de Maio de 2026.
[15] Segundo o
registado nas Matrizes Prediais, em 1942, o moinho pertencia a Manuel Carlos Pacheco. Só em 1965, é que pertence a José
Machado Pascoal. Pelo que, antes terá sido rendeiro?
[16] Nota de 24 de
Maio de 2026: APCRG, Óbitos 1997-2009, Livro 14, faleceu no dia 24 de Agosto de
1997. Era solteiro. De 75 anos. Filho de Hermano Machado e de Maria Estrela
Moniz. Morava na rua Artur Hintze Ribeiro, casa da viúva de Eduardo Pascoal.
Seria ainda parente dos Pascoal.
[17] Testemunho de
José Manuel Pascoal, primo da Isabel, 28 de Abril de 2026.
[18] Testemunho de Gualter Furtado, Secretário Regional das Finanças na década de oitenta, 3 de Maio de 2026.
[19] O do Caroucha estava parado. Quem o comprou em 1963 não trabalhou com ele. João Inácio Vieira Júnior que comprara o da Cova I em 1950 e introduzira uma azenha, podia ainda se servir uma vez por outra do moinho mas apostava forte nos blocos de cimento.
[20] Como não
consegui ver documentos de venda, vou de tentar chegar o mais próximo possível.
Usando testemunhos. Sempre imprecisos. Testemunho de José Manuel Pascoal, primo
da Isabel, 28 de Abril de 2026. Quando o
compraram? O meu mais velho [O Dinis] tinha 12 anos [se assim fui, terá
sido à volta de 1982/3, Dinis nasceu em 1971]. Quando o meu Bruno nasceu, já
tinha o moinho. Nasceu em 1982 [Portanto, em 1982 ou um pouco antes]. A Graça
já tinha uns quatro ou cinco anos. Indo falar de novo com José Manuel Pascoal,
em cujo moinho Euclides moeu antes de comprar o moinho da Mãe de Água, fiquei a
saber um pouco mais acerca do ano e das circunstâncias dessa compra: ‘Deixou de moer lá uns dois anos antes de meu
pai morrer [27 de Janeiro de 1984, cf. AIMRG, Óbitos, 1984-1988, livro. 14,
N.º 16, fl. 4: José Machado Pascoal] [Perante isso, será em 81 ou 82, porém, inclino-me
mais para 82]. Uma semana antes de deixar
de moer lá, foi avisar meu pai. Tinha comprado o moinho da Mãe de Água à minha
tia Mariazinha, viúva do meu tio Eduardo [morreu na segunda feira da
pombinha de 1977. CF. APCRG, Óbitos 1972-1979, N.º 16; Óbitos, 1975-1984, fl.
31, Eduardo Machado Pascoal, 19 de Junho de 1977]. Moía à noite. Vinha com uma carrocinha de boi. Depois vinha com uma
moto-cultivadora. Era ele que a conduzia.’
[21] Testemunho de Albano Moniz Furtado, 4
de Maio de 2026: Albano Moniz Furtado, engenheiro filho de uma longa linhagem
de gente de moinhos da Ribeira Grande, é testemunha do que então acontecia ‘O milho era o principal sustento. O que aqui
(na Ribeira Grande e na Povoação) se produzia não chegava para satisfazer as
necessidades de consumo da Ilha. Misturava-se milho de cá com o milho de fora.
Não era igual ao nosso. As mulheres não gostavam. Lembro-me dos protestos. Só
deu quatro pães. Não presta para nada! Milho de fora era muito rijo. Dava cabo
das pedras.’
[22] Testemunho
de Gualter Furtado, Secretário Regional das Finanças na década de oitenta, 3 de
Maio de 2026.
[23] Na sua
residência, por cima da sua padaria, padaria Lacerda, entre as 14 e a 16:30. Euclides faleceu 31 de Dezembro de
2002.
[24] Tratava-se há
muito com o Dr. Sampaio da Nóvoa. Tinha grandes temporadas de doença.
[25] O moinho era
picado pelo Manuel Gouveia que morava em Trás Mosteiros.
[26] Ele é da Maia. Trabalhou para uma Secretaria. Soube que estava um moinho fechado na Mãe de Água.
[27] [Banco de
Fomento Nacional aparece na década de oitenta, inícios, ainda com a banca
nacionalizada. Artur Santos Silva. Porto. Passou a BPI? A 6 de Outubro de 1981 é fundada a SPI-Sociedade Portuguesa de
Investimentos, por iniciativa de Artur Santos Silva, que viria a ser o primeiro
presidente executivo do Banco.]
[28] Testemunho
de Dinis Machado, filho de Euclides, 23-24-25 de Abril de 2026.
[29] [rua Estêvão
Alves. António Alberto trabalhava para o José Eduardo Carlota no moinho do Guido]
[30] Construíra uma moagem à entrada dos Ginetes.
[31] Testemunho de
Armindo Vitória, 8 de Maio de 2026: o moinho da Praia e o do Outeiro também
moíam para lá. Confirmado por Testemunho de António Pedro Jorge, Caminho da
Levada, 8 de Maio de 2026. E por: Marco Sousa, A única moagem de Ponta Delgada
mantém tradição familiar, sem sucessão. A empresa António Pedro Jorge &
Filhos, Lda, também embala produtos alimentares secos, Correio dos Açores. 19
de Abril de 2026, pp. 1-7.
[32] Testemunho
de Dinis Machado, filho de Euclides, 23-24-25 de Abril de 2026
[33] Testemunho de Graça Machado, filha de Euclides, 23 de Abril de 2026.
[34] Primeiro, era ele mais o meu cunhado (Pedro Cordeiro). Ele ia sentado ao lado, o meu cunhado é que conduzia. Almoçava, jantava e ganhava dez contos por semana. Morava em Ponta Delgada. Levava o camião consigo. Pusemos, depois, ele fora. Houve desentendimentos. Por causa de contas. Dava-se dinheiro para pagar juros. Nada. Depois foi o José Pascoal, o filho do Tio Guilherme Pascoal. O meu marido era primo chegado dos Pascoal pela parte do pai. António Avelino Machado. O José Pascoal andava a distribuir com o meu marido. Bateu com o camião. A frente despachada. Quinhentos contos para arranjar. O meu marido entregou esse dinheiro ao Paulinho Melo, na Boavista, nada de camião. Segue-se o Thomas [Kettenbaum] e a Susana. Os alemães. A Susie era muito esperta, mais do que o marido. Era ela que ia mais vezes. Depois o Carlinhos, filho do Ângelo Carvalho.
[35] O pior foi o meu
cunhado. O melhor de todos, o mais certinho foi o primeiro. Dez contos por
semana. Era dinheiro.
[36] Vendi o moinho
porque meu cunhado fez-me aquilo com a hipoteca sem saber.
[37] Testemunho de
Dinis Machado, filho de Euclides, 23-24-25 de Abril de 2026; Testemunho de
Dinis Lacerda Machado, filho de Euclides, 12 de Maio de 2026.
[38] Guido, Outeiro,
Praia e Areia, substituíram rodízios de madeira por rodízios de ferro, dava
mais. E levavam às freguesias outros produtos além da farinha. Alfinete e Palha
trabalhavam para se entreter: contavam os dias para fechar.
[39] O Dinis casou e ficou a morar comigo. Ele é que fazia a distribuição da farinha do pai e do pão. Passou a levar da Madalena [Padeira da Madalena] e do meu.
[40]A Madalena.
[41] Testemunho de
Dionísia Lacerda Machado, viúva de Euclides Moniz Machado, 30 de Abril de 2026.
Tive um vizinho que se queixou do fumo do forno. Meti-me com o advogado Pedro
Paulo. Filho do Clemente Carlota. Tive o trabalho todo para dar certo.
[42] Testemunho de Inês Gonçalves, 6 de
Maio de 2026. NOTA nossa: Dizem-nos que o moinho e a propriedade estão numa
imobiliária à venda por milhão e meio.
[43] Caroucha e
Pimentel são alojamentos locais. O Cova I desistiu.
[44] Alojamentos: Barracão Velho e Areia. Este último pertence ao proprietário do moinho do Félix. Espaços de interpretação: Moinho do Vale (parceria entre o proprietário e a Câmara); Açougue (João Pascoal I) e Cova do Milho (João Pascoal II) da Câmara. O Açougue está fechado. O Moinho da Praça foi também reaberto em parceria com a Câmara. Está também fechado.
[45] Organizada pela
Junta de Freguesia da Matriz. Circuito linear?
[46] Gaspar Frutuoso, Saudades da Terra, Ponta Delgada, Instituto
Cultural, liv.4, vol.3, 1987, p.55: ´[1563],
durante a crise sísmico-vulcânica]E, por a cidade estar desapercebida de atafonas, pelo Capitão Manuel
da Câmara alcançar sentença que se quebrassem e o povo fosse moer à Ribeira
Grande, foi tanta a necessidade que causou a falta das ribeiras (...).’
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