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De rodízio a azenha a moinho que morre









De rodízio a azenha a moinho que morre

A vida do moinho decorria ao ritmo do entra dia sai dia, até que, de um momento para o outro, o pior que lhe poderia ter acontecido quase aconteceu. Essa normalidade habitual foi quebrada no dia 9 de Agosto de 1919, Sábado para Domingo da festa do Santíssimo Salvador do Mundo, da Ribeirinha. Um tremendo temporal, castigo para quem via nisso a mão do Alto, em que ‘(…) o moinho de Manuel Andrade ficou todo areado e arrasada a ponte que para lá dava passagem (…).’[1] A ponte que Manuel Pedro de Melo e Silva construíra encostada ao ‘Arco das Freiras’ foi varrida pela força das águas da ribeira. Mais de uma centena de metros do caminho de terra batida da margem esquerda que lhe dava acesso foi devorada pela ribeira. Apesar de tudo, o moinho de Manuel Andrade teve melhor sorte do que o do ‘Senhor Manuel Pedro Viveiros’ que desapareceu.[2] Que fazer a partir de 20 de Agosto? Será que a casa do moinho de Manuel Andrade foi ampliada? Foi-lhe acrescentado novo piso? Será que construíram novos muros de protecção? Talvez só uma observação meticulosa à ruína actual (escondida por um canavial espesso e um silvado ameaçador) e umas poucas mas criteriosas sondagens arqueológias nos pudessem adiantar algumas respostas credíveis, até lá, haja paciência, só há uma resposta possível e honesta a dar: não sei. Manuel Andrade, isso terá de ter sido feito, teve obrigatoriamente de mandar desobstruir a areia da levada e dos cubos. A mão e a levada, com alguns prováveis ajustes e limpezas radicais, terão continuado a ser (mais ou menos) as mesmas. E o acesso ao moinho? Se já antes também usava a servidão Norte da margem direita, a partir de então, passou a usá-la exclusivamente. Servidão que ligava o moinho a Trás Mosteiros e daí ao centro da Ribeira Grande. Inovações e reparos, presume-se, uns, por necessidade, feitos de imediato, outros, não tão urgentes, feitos ao longo dos anos, Manuel Andrade de Almeida Rodrigues continuaria (ele ou alguém da família) na posse do moinho por mais vinte e três anos.   

Em 1942 muda de mãos. Edmundo Barbosa de Oliveira, da Ribeirinha é o novo dono do moinho. Porque o vendeu Manuel Andrade (ou a sua família)? Até porque em 1942, com a chegada de tropas do Continente e a emigração fechada, caso o moinho estivesse em boas ou razoáveis condições, teria ‘freguesia garantida.’ Terá sido por morte dele?[3] Por velhice ou cansaço?  Não sei. Quem era o novo dono? Era dos Barbosa da Ribeirinha. Não consegui descobrir a relação (se é que existe) entre José Barbosa do Moinho de Cima da ribeira Nova dos Moinhos (na Ribeirinha) e Edmundo Barbosa. [4] Ou entre Edmundo e Luís Barbosa que explorou o moinho da Rua Direita da Ribeirinha. Suspeito, no entanto, que, muito ou pouco, devem ter alguma relação familiar. E as relações familiares eram quase sempre importantes naquele negócio. Por aquele moinho da Mãe de Água, em situações normais, moer mais e melhor e ter mais freguesia (clientes) do que os moinhos da Ribeirinha/Gramas, Edmundo ficou bem servido. Aliás, ele é um dos que já haviam trocado ou iriam trocar os moinhos da Ribeirinha/Gramas pelos da ribeira Grande/levada da Condessa. Ainda assim, Edmundo, por qualquer razão, que desconheço, manteve aquele moinho apenas por seis anos. Em 1948, por venda ou troca (desconheço a forma como passou de um para o outro) chega às mãos de João Inácio Vieira Sénior, também da Ribeirinha. Vieira nascera em 1889 na América, em Massachussetts,  mas viera aos quatro anos de idade com o pai viúvo para a Ribeirinha. Era de famílias de moleiros. Em 1880, um tal António Vieira era dono do Moinho de Baixo da ribeira Nova dos Moinhos (antes de ser demolido era conhecido como Moinho do Sr. Fulgêncio). João Inácio casou com 22 anos, em 1911, na Ribeirinha. Comprara em 1924 o Moinho das Gramas de Baixo. Passando já dos cinquenta anos, em 1948, tinha sete filhos, e alguns netos, e morava na rua do Jogo. Os cinco filhos homens, mal iam ganhando corpo e tino, ajudavam o pai. O pai mandava-os, entre muitas outras tarefas, ir regularmente de carroça ao Nordeste e à Povoação comprar milho. Iam na segunda e regressavam à quarta. João tinha à sua conta ‘umas vinte a trinta carroças. Carregava madeira do Lameiro para Ponta Delgada e de Ponta Delgada trazia estrume para a Ribeira Grande. Levava farinha também. O que não vendia deixava numa loja ao lado da Praça de Ponta Delgada.[5]

Não aqueceu o lugar, dois anos depois, talvez para dar uma mãozinha ao filho João Inácio Vieira Júnior, João Inácio Vieira Sénior, que iria continuar com os seus negócios até não ter forças, faleceria em 1973 com 88 anos, passa o moinho ao filho. Júnior tinha então vinte e cinco anos, nascera em 1925, na Ribeirinha. Era já casado e, pelo menos, pai de um filho. Talvez por estar casado de fresco, o pai conseguira até ‘livrá-lo da tropa.’ Aprendeu ‘o ofício de correeiro em São Roque com o pai do Eugénio Varela. Montou oficina na rua do Meio [Medeiros Correia] no Rosário. Foi mestre Mestre Carlos Albardeiro [Teixeira].’[6] Fazia arreios, trelas e albardas.’[7] Vendia bem, no entanto, porque havia outros negócios a dar, entrou no negócio da farinha. Viera morar para a o centro da Ribeira Grande aos 21 anos. António, o irmão mais velho, fazia já de renda o moinho do Açougue (na Cova de Milho); o irmão Alfredo (acima dele) comprara em 1948 o moinho do Alfinete e talvez fizesse já de renda o moinho da Rua Direita (Ribeira Grande). O irmão abaixo dele, José, estava no moinho das Gramas de Baixo. José casara com uma filha do José Barbosa Velho. Que fazia o Moinho de Cima da ribeira Nova dos Moinhos (na Ribeirinha).          

Em ano incerto, mas próximo de 1950, para fazer o moinho render mais, João Inácio Vieira Júnior, mantendo dois dos três moinhos de rodízio, desmancha um dos três de rodízio e em seu lugar instala um moinho de azenha. Obriga-o a fazer alterações drásticas no interior e no exterior do moinho (levada e mão novas, roda, …).[8] Ainda assim, compensava. Moía melhor. E mais depressa. Uma azenha consistia numa roda vertical exterior. Precisava de pouca água. Tinha muitas padeiras e casas de Rabo de Peixe.[9] Onde terá Vieira Jr. ido buscar a ideia da azenha? Perguntei aos filhos (disponíveis) do mais velho ao mais novo, nenhum deles me soube responder, apenas disseram: ‘meu pai tinha cada ideia.’[10] Tanto quanto é sabido, aqui na Ilha, a esmagadora maioria dos moinhos de água eram moinhos de rodízio. Não sei, no entanto, se foi sempre assim, o que sei é que, na Ilha, houve em tempos azenhas nas margens da Lagoa das Sete Cidades e na Povoação. As azenhas da Povoação eram (dizem-me) de dimensões industriais.[11] Fora da Ilha, na Ilha Terceira, em Angra, houve ou ainda havia à altura azenhas na chamada ribeira dos Moinhos.[12] Na Ribeirinha, Hermano Cordeiro (1919-1995), feitor do Lameiro, fora antes instrutor agrícola no Asilo dos Rapazes (hoje C.A.SA.), montou à vista de todos uma azenha no moinho do Meio da ribeira Nova dos Moinhos.[13] Acima dele, era o moinho do José Barbosa Velho, sogro do irmão José de João Vieira. Abaixo do moinho de Armando Cordeiro, beneficiando da mesma água, Fulgêncio Ferreira Marques ‘metera um moinho movido a gasolina.’ No Verão, os moinhos abaixo do Moinho de Baixo ficavam sem água, a água era desviada para a rega. Os acima dele, só tinham água para uma só mó. Como ‘combater’ a moagem a gasolina de Fulgêncio e a falta de água no Verão? Uma azenha. O Professor Mariano Alves, então um muito jovem marçano que, em 1948/49, trabalhou na mercearia/taberna da rua dos moinhos, garante que não viu o moinho do Meio a trabalhar muito menos a azenha. Se não foi então, segundo uma testemunha ocular, poderá ter sido em 1951 ou 1952. Hermano Cordeiro tinha uns 33 anos e casara havia pouco. Explorava um espaço na subida do Outeiro do Salvador do Mundo onde vendia farinha e milho. Além de todo o trabalho de feitor na imensa herdade do Lameiro. João Afonso Casinha, com 80 para 81 anos, o moinho havia pertencido à sua família, viu construir a azenha de Hermano Cordeiro. ‘Nasci em 1945, havia de ter uns seis a sete anos. Os carpinteiros a fazer em madeira. Aquilo foi puxado por um guindaste. À força de cordas. A água vinha do moinho de cima.[14] Eduardo Vieira, filho de António Vieira, irmão mais velho de João Inácio Vieira Júnior, perto dos 82 anos, conheceu a azenha de Hermano Cordeiro: ‘Fui para Angola em 1959. Não me lembro de quando foi feita, mas no Verão, como a água do Moinho do Sr. Fulgêncio para baixo ia para a rega, eu cheguei a ir com taleigas à azenha ou também ao moinho de Cima. O moinho que eu trabalhava era do Sr. Mariano Cabral, irmão da minha mãe.[15]

Por que razão me inclino a pensar que a azenha de João Vieira Jr. foi feita por esta altura e talvez (não há certezas) influenciada pela de Hermano Cordeiro? A de Hermano Cordeiro foi feita à vista de todos. É possível que tenha despertado a curiosidade de João Vieira. O irmão José morava por ali.[16] Terá sido assim? Não sei. Antes, durante ou depois, foram ambas construídas. O filho mais velho de Vieira, nascido em 1946, não se recorda da azenha a trabalhar.[17] Porém, um amigo de infância, pela sua idade, lembra-se de a ver trabalhar (1954/55).[18] O filho José (74/75 anos) não se lembra de ver a azenha a trabalhar mas viu os restos da roda: ‘armação de ferro, uma cruz com dez ou doze gavetas. Na altura estava já tudo enferrujado.’ O filho mais velho, que não se lembra da azenha a trabalhar, reparou que foi preciso desistir de um moinho ou dois moinhos (de rodízio) para em seu lugar instalar a azenha. A mão que lhe fornecia água ficava no Poço do Homem. Uns metros abaixo da mão dos três moinhos de rodízio. Era então um poço bem fundo: o Sr. Andrade dava mergulhos da levada.[19]

Ao que dizem, a azenha foi um sucesso. Ainda assim, não durou muito tempo. Deixou de trabalhar ainda na década de 50 ou, na melhor das hipóteses, nos inícios de 60.[20] O mesmo terá sucedido à de Hermano Cordeiro: ‘quem ficou com o moinho não trabalhou muito tempo a azenha.’ Porquê? Sem conseguir explicar a razão certa, no caso da de João Vieira, terá sido por avarias graves, diz-me um dos filhos. Não seria para menos, com uma tecnologia nunca (ou raramente) usada na Ribeira Grande, não haveria quem a soubesse trabalhar bem ou quem a consertasse caso avariasse. E mandar vir de fora quem soubesse fazê-lo? Saía caro? E não compensava? É provável. Outro dos filhos, ainda sem dar certezas, alega que teria sido porque o pai ‘mudara para os blocos.’ A fábrica ficava num terreno acima do moinho. Também curtia peles. O irmão Alfredo desafiara e vencera em tribunal o ‘pretenso monopólio do Ezequiel:’ ‘O sol quando nasce é para todos,’ terá sentenciado o Juiz. João foi um dos que aproveitaram a brecha legal aberta por aquela sentença. Mas não foi só por isso. Em 1959, António e duas irmãs, três dos sete filhos de João Inácio Vieira Velho, migraram para Angola. Naquela mesma década, os filhos José e Mariano rumaram ao Canadá. Na Ilha, ficaram apenas Alfredo e João. Seguindo a mesma onda, Hermano Cordeiro foi em 1959 para a Califórnia. As coisas estavam muito más na Ilha. Havia excesso de população. Os salários eram baixos. Houve retracção no cultivo de cereais. As fichas de candidatos a emigrantes no Concelho da Ribeira Grande, traçam-nos a este respeito um retrato cruel desse tempo carrasco. Se na década de cinquenta, quando se reabriu a emigração, houve 4804 candidatos, já na de sessenta havia 11763.[21] Mais do que duplicou. O que, mais coisa menos coisa, correspondia a um terço do total da população do Concelho.[22]

Meio avariada ou totalmente avariada ou talvez não valesse a pena consertá-la, João deixou a azenha de lado. No entanto, continuou a moer nos moinhos de rodízio (em um ou em dois): ‘não era para fora, era para si, para o gado ou para os trabalhadores. Descontava depois na féria. Quem moia era o Maximino Tenente, que lá morava mais a amiga, a Francelina e José Tenente, filho do Maximino. Móia de noite e ia trabalhar durante o dia para os blocos. A mulher, a Francelina, também moia quando era preciso.’[23] Quem são esses Tenente? Maximino Tenente é Maximino Moniz, de certeza já fora moleiro daquele moinho antes de ir trabalhar para os blocos. Era da era de 1923. Por aí. Viúvo. Vivia ‘ameigado’ com Francelina da Conceição, uns nove anos mais velha do que Maximino.[24] José Tenente, José Vieira Moniz, era de 1945. Era mais ou menos da idade do filho mais velho de patrão. Foi criado no Asilo, trabalhou nos blocos ao lado do pai antes de ir para a tropa. Dizem que foi tropa no Ultramar e que foi Polícia Militar, e que já fora da tropa, concorreu para a PSP mas que, por qualquer razão, disciplinar dizem uns, saiu ou não chegou a entrar na Corporação. De regresso à terra, ainda trabalhou por pouco tempo, porém, possuído pelos seus fantasmas, rendeu-se à bebida. Não largava a loja da viúva.[25] Ora, os moinhos de rodízio trabalharam até que a levada subterrânea (que corria por debaixo da quinta) desabou e ficou areada. Quando foi que isso aconteceu? Ao certo não se sabe, há quem aponte para a segunda metade da década de setenta, todavia, dúvidas à parte, uma coisa é certa, em 1988, quando João Vieira o vende a José Araújo, não só não trabalhavam como estavam desmantelados.[26]O meu pai nem sabia que tinha comprado um moinho e que lá moravam três pessoas. Eu, com os meus dezasseis a dezassete anos, de duas casas ao lado, criei cabras e porcos. Usava a água do arco. O moinho não tinha já cara de moinho. Lá dentro estava tudo desfeito. Havia pedras cá fora.’[27] Em 1994, José Pacheco Araújo Lima (da família dos famosos entalhadores Araújo Lima), mudara-se para a rua do Laureano em Ponta Delgada, vendeu-o a Albano Vieira, filho de João Inácio Vieira Júnior.[28] Antes de Araújo o vender, a filha ‘Patrícia gostava do sítio, até teve ideia de fazer lá a sua casa. Depois desistiu.’ Envelhecido, em 1995, Maximino Tenente, a viver de forma precária num espaço adaptado do velho moinho, não havia água canalizada ou luz eléctrica, morre aos 72 anos.[29]  Em 1997, aos 72 anos, morre João Vieira, o antigo patrão de Maximino.[30] Francelina da Conceição morre em 1998 aos 84 anos.[31] Em 2007, morre José Tenente, José Vieira Moniz, filho de Maximino, chamava tia a Francelina, a mãe verdadeira era Jorgeana Vieira Moniz. Solteiro, de 62 anos, aparentava ter oitenta ou mais anos.[32] Sem inquilinos, que, em parte, ali viveram, em parte, graças à caridade dos sucessivos donos e da ajuda alimentar da Santa Casa da Misericórdia, Albano Vieira, em 2018, doou o moinho à filha Joana. Joana quis fazer ali algo na área do turismo, porém, como a Câmara dificultasse, desistiu da ideia.[33] Em 2022, Joana vendeu-o a Rui Âmbar. Âmbar, por enquanto, diz não saber bem o que quer fazer ali.[34]

 

Mãe de Água, Cidade da Ribeira Grande  

 

 

 

 



[1] Ezequiel Moreira da Silva, A catástrofe de Sábado, O Norte, 16 de Agosto de 1919.

[2]Ezequiel Moreira da Silva, A catástrofe de Sábado, Ecos do Norte, 16 de Agosto de 1919, pp. 1-2.

[3] Pesquisei nos óbitos de 1939 a 1942 da Matriz de Nossa Senhora da Estrela, nada encontrei. O mesmo fiz para o Rol Quaresmal de 1940, com o mesmo resultado.

[4] O encaixotamento dos livros da Paróquia do Santíssimo Salvador, impede-me de ir mais além.

[5] Testemunho de José Vieira, faz 75 anos em Outubro, 20 de Julho de 2026.

[6] Testemunho de José Vieira, 75 anos, 22 de Julho de 2026.

[7] Testemunho de Manuel Borges Jornata, 20 de Julho de 2026.

[8] Não é minha intenção abordar em detalhe o sistema de funcionamento da azenha ou do sistema do rodízio.

[9][9] A esposa, filha do Velho Gouveia, a partir de 1956, tinha pais e alguns irmãos a morar em Rabo de Peixe. O pai tinha (ou tivera) lá um talho. E o irmão Ildeberto um café. Cf. Testemunho de Filomeno Gouveia, o filho mais novo, 15 de Agosto de 2026: ‘Com quatro anos e até aos dez anos vivi em Rabo de Peixe (é de 1952, portante moraram lá até 1966).’

[10] O mais velho, nascido em 1946, não se recorda da azenha a trabalhar. E, no entanto, um amigo de infância, pela sua idade, lembra-se de a ver trabalhar.

[11] Lucas Rebelo, Iris alerta para a depredação do Museu do Trigo, Açoriano Oriental, 18 de Agosto de 2026, p. 5. O museu está instalado num edifício de cerca de 1854 que foi azenha. O Museu foi aberto em 1995. A Câmara foi a promotora e o seu director científico foi o Doutor Rui de Sousa Martins. O design é da minha cunhada Maria dos Anjos Duarte.

[12] Silva, Isabel Coelho da, A energia da água na ilha das fontes, in Angra do Heroísmo, 2012, pp. 17-21; SILVA, Isabel Coelho da, Angra do Heroísmo: a Ribeira dos Moinhos: memória histórica e gestão patrimonial, 2012; FILIPE, Cátia Vanessa Garcia, 1989, Estudo da Ribeira dos Moinhos de Angra do Heroísmo e análise da sustentabilidade a nível energético e turístico no âmbito de um projeto que vise a sua recuperação, Universidade dos Açores, 2015; Ribeiro, Joäo Adriano, Moinhos nos Açores: elementos para o seu estudo, in: / Revista islenha / Direcçäo Regional dos Assuntos Culturais. - Funchal. - Nº20 (Jan./Jun. 1997); p.32-42; Dias, Jorge., Sistemas primitivos de moagem em Portugal

Sistemas primitivos de moagem em Portugal; : moinhos, azenhas e atafonas / Jorge Dias, Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano. - Porto: Instituto de Alta Cultura, 1959, V.1: Moinhos de Agua e Azenhas;

Luz, António José Lopes da, 1844-1910, Monographia dos Ginetes, In: Revista Michaelense. - Ponta Delgada: Ayres Jacome Correia, A.1, nº 1 ( janeiro 1918). p. 45-48; 1900. A. 1, nº 2 (junho 1918). p. [83]-113.

[13] Encontrei um João Inácio Vieira de 11 anos, aluno da Escola Primário do Asilo de Escola Agrícola, isso no trabalho de Hermano Teodoro sobre a C.A.S.A. Creio que no ano de 1938. Que obteve nota máxima no exame da 2.º/3.ª classe. Não consegui apurar se estava interno ou externo. Ou se é o João Inácio ou outro João Inácio. Também apurei, agora nos Róis Quaresmais da Matriz da Estrela, de 1940, naquela instituição a servir de instrutor de agricultura ou algo semelhante, Hermano Cordeiro, de 24 anos. Só casaria aos 31 anos.

[14] Testemunho de João Afonso Casinha, 1 de Agosto de 2026.

[15] Testemunho de Eduardo Vieira, vai fazer 82 anos, 8 de Agosto de 2026

[16] Se o João Inácio Vieira que aparece no livro de Hermano Teodoro sobre a CASA é esse nosso João Inácio Vieira, é possível admitir-se que Hermano Cordeio tivesse sido professor de agricultura de João Inácio Vieira na Escola Agrícola (Na CASA). E que não só tenha visto construir a azenha como tenha pedido ao antigo professor que lhe tirasse algumas dúvidas.

[17] Testemunho de João Vieira, filho do Jr., 7 de Maio de 2026.

[18] Testemunho de Manuel Borges Jornata, 20 de Julho de 2026Nasceu em Novembro de 1946: Faz 80 anos a Novembro. Brincava com o João e o Eduardo. Apanhei a azenha a trabalhar. Uma grande roda. Devia ter uns 8/9 anos.

[19] Tentando espreitar por entre as muitas canas e silvas que a cobrem quase por completo, mesmo assim, é o que consigo ver. Só uma limpeza geral tiraria as muitas dúvidas. Quanto à levada que abastecia a azenha, penso que confundem a levada dos três rodízios, que vem canalizada por debaixo da quinta, com a da azenha, que segue paralelamente ao muro exterior da quinta.

[20] Testemunho de João Vieira, filho de João Vieira Jr, nascido em 1946, 7 de Maio de 2026: ‘Devia ter mais ou menos sete ou oito anos, quando meu pai largou o moinho (azenha).’ Outros dão a entender que terá sido pouco depois. Quando? Não se sabe ao certo.

[21] AMERG, Fichas de Emigrantes do Concelho da Ribeira Grande. Se nem todos chegaram a emigrar, o número dos que o fizeram, pelo que se conhece por outras fontes documentais, porém, ficou lá muito perto.

[22] Os dados apontam para um toral de pouco mais de 30 mil habitantes. Por que razão apostaram nos blocos? Dando uma resposta simples: a partir da década de sessenta, são as remessas dos emigrantes que vão permitir vários melhoramentos domésticos, daí o recurso aos blocos.

[23] Testemunho de José Vieira.

[24] Francelina tinha a paixão das plantas, oferecia-as ou trocava-as com as vizinhas. Tinha cães. Pequeninos. Rafeiros. Atrevidos. Mordiam os calcanhares de quem se aventurasse pela canada. Não havia luz ou água corrente. Maximino, descalço, já não me recordo bem, ia à lenha pela ribeira acima.

[25] Instalada numa garagem, o n.º 11, da rua das Freiras; Testemunho de José Vieira, 75 anos, 22 de Julho de 2026: Antes, chegara a morar ali em baixo, numa antiga cocheira, o Hermano Giguinha e a mulher, ‘que trabalhou na fábrica dos blocos, mas ao depois saiu do meu pai e foi trabalhar para a britadeira do Aurino Tachinha na Chã das Gatas.

[26] Durante anos, já sem azenha ou moinhos, João Vieira abasteceu com a água da ribeira (das levadas ou a da do Arco) a fábrica de blocos da Tondela, para onde transferira o seu estaleiro. Na Tondela não havia água. Era puxada por um motor de um barco e canalizada. Na década de 90, talvez entre 1990 e 1992, segundo recorda Rui Araújo, por acertos ou outro modo de negócio, não sabe ao certo, João Vieira troca ou vende o moinho (e um terreno ao lado) a José Araújo.

[27] De memória as datas não batiam certas, felizmente, consegui apurar no arquivo pessoal de Albano Vieira. No entanto, mantenho a versão oral: ‘Talvez uns quatro ou cinco anos depois, em 1996 ou 1997?’  O que te leva a dizeres isso? ‘Quando o meu pai vendeu tudo aqui na Ribeira Grande e comprou a casa da rua do Laureano, em Ponta Delgada, só restou o terreno onde fiz a minha casa, fez um acerto com o Albano Vieira. Foi ainda na década de noventa. Albano quis o sítio em recordação do pai.[27] Ao contrário da memória, normalmente, os documentos não se enganam. Vamos acertar datas? Ei-las: José Araújo (aliás, José Pacheco Araújo Lima comprou o prédio em 1988 a João Inácio Vieira.

[28] Conforme me informou Eduarda Vieira, filha de Albano Vieira, consultando o Título de Registo de Propriedade pelo telefone em 14 de Agosto de 2026.

[29] PMERG, Óbitos 1994-1998, Livro 16, N.º 27, fl. 28 v: Maximino Moniz. 27 – 10 -1995. Travessa da rua Trás Mosteiros, 72 anos [c. 1914]., viúvo de Jorgeana Moniz Vieira, filho de Manuel Moniz e de Maria dos Santos.

[30] AINSE, Matriz da Ribeira Grande, Óbitos, João Inácio Vieira Júnior, 17 de Julho de 1997, Assento 33, Livro 16, 1994-1999, fl. 60. Mesmo sem moinho mas com vaca, ainda em 1995, moia no moinho da Areia. Conversa com Óscar Costa Vitória, proprietário do moinho da Praia, Ribeira Grande, 24 de Outubro de 1995: (Clemente Silva) do moinho da Areia morreu e o João Vieira Velho está lá moendo. Não paga rende nem impostos à Fazenda. Porque diz que só mói para as suas vacas. Mas sei que também mói para o (Manuel) Ventura (também tinha gado).’ ‘Já disse ao José Amaral da Fazenda. Porque só para afilar as medidas pago todos os anos perto de seis contos e qualquer coisa, pago contribuição industrial e mais.’ Diz Óscar.

[31] APMERG, Óbitos 1994-1998, Livro 16, N.º 23, fl. 28 v. Francelina da Conceição - 10-07-1998. 84 anos. Viúva (diz o termo de óbito) de Maximino Moniz, filha de António Cabral (…) e de Maria Isabel.

[32]APMERG, Óbitos 2004-2010, Livro 18, N.º 8, [fl.?]: 29 de Março de 2007. José Vieira Moniz, solteiro, 62 anos [c. 1945]. Filho de Maximino Moniz e de Jorgeana Moniz Vieira. Rua de Trás Mosteiros.

[33] Testemunho de Albano Vieira, 7 de Maio de 2026. Terão morando no moinho pagando a renda retirada do seu salário? Só no fim vivreram lá sem pagar? Não sei.

[34] Registo Predial Digital, Ribeira Grande [cópia facultada por Rui Âmbar], Matriz Ribeira Grande, Artigo 422.




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