Casa Rosa
É o nome do pico principal das Calhetas. É a marca do spot.[1]
É o edifício a cair no abismo. Há 500 anos, o local ficava 70 a 80 metros
dentro de terra.[2]
Quando ‘o mar está muito grande nos
areais [Santa Bárbara e Monte Verde] devido
à grande rebentação,’ lá está OK.[3]
Surfistas da Ilha e de fora, vão lá desde os anos oitenta.[4]
Nos anos noventa, há surfistas na terra. Porém, pelo menos duas décadas antes,
ainda que não fosse propriamente para fazer surf, havia ali quem remasse em
cima de portas. Em 2005, tenham ou
não surfado, por lá passou uma Surf Trip (composta por jovens ingleses). Em
2008, a Associação de Surf de São Miguel, elege-as como spot a frequentar do Concelho da Ribeira Grande (juntamente com
Rabo de Peixe, Santa Bárbara, Monte Verde e Maia). [5]
Sendo, entre a comunidade de surf, considerado secret spot, em 2018 ou em 2019, não figura no mapa descritivo dos
(então) cinco spots do Concelho.[6]
Apesar disso, é frequentado o ano inteiro. Haja (boas) ondas.
Em ‘Onda,’
ofereci a geografia (possível) das ondas surfáveis (dos Açores), neste texto
vou (tentar) vê-las como as vêem os surfistas.[7]
Bati à porta de dois surfistas que representam duas gerações: um, dos anos
oitenta, o outro, dos anos 2000. Acham
que (se me for explicado) consigo vê-las como vocês?[8] Ou,
pelo menos, vê-las de forma mais próxima do que vocês vêem? Pedro Medeiros Violante torce o nariz. Sublinha a
precedência da experiência: ‘só quem está na água é que vê. Ou pode
vir a ver. Por exemplo, numa ida à Ribeira Grande, ainda na estrada, só olhando
para a ponta do Cintrão já vejo. É uma ciência com muita experiência.
Não entendas isso como uma crítica que te faço. É o que é.’[9] Ricardo Cabral salienta o diálogo
teoria/experiência. Uma explicação pode levar um leigo (ou um aspirante da
modalidade) a melhor perceber a onda: ‘Uma onda boa para surfar é como uma rampa de skate na água (quarter
pipe). Ela precisa de se formar de maneira gradual ("aberta"),
criando uma parede inclinada que permite deslizar e fazer manobras. Não deve
quebrar de uma vez só (closeout), pois, assim, não dá tempo de aproveitar a
parede. As mais inclinadas (cavadas) fazem um tubo e são consideradas o
ex-libris das ondas, embora tecnicamente difíceis e mais perigosas. As ondas
moles são mais fáceis de surfar e não são muito violentas. Se for muito
demasiado (deitada), não dá velocidade suficiente para surfar (a não ser que se
use uma longboard, nesse caso são boas). Além disso, o tamanho tem que ser
adequado para o nível do surfista – muito grande pode ser assustador e
perigoso. Muito pequena pode não ter força suficiente.’ Particularizando, esclarece
que ‘os bodyboarders também costumam gostar de onda
extremamente cavadas e muito difíceis que se chamam de slabs, ou quebra cocos.
Estas quebram em sítios que o mar fica muito raso do nada (como a onda da Maia).’
A concluir, ‘agora... o que se considera
uma onda perfeita varia muito com o gosto/nível pessoal.’[10] Para
Marco Medeiros ‘Escadote’ ‘a
onda defronte da casa cor-de-rosa está no top 10 das ondas da Ilha.’[11] Outros, discordam. Todos, no entanto,
consideram que pode ser ‘perigosa.’[12]
Como
descobriram a onda da Casa Rosa? Na década de oitenta, ‘quando se surfava em Rabo de Peixe, apanhava-se uma onda no meio da
baía. Numa esquerda. Avistava-se as Calhetas. Ali há onda. Víamos a espuma. Onde há espuma, há onda.
Há ondulação.’[13] Em inícios de 2000, João Paulo
Simões e Luís Ferreira que já tinham ‘ouvido falar numa onda por ali mas
ninguém ligava pois a de Rabo de Peixe ficava ao lado,’ surfaram-na ‘de bodyboard pela primeira vez.’ Aquilo ali, ‘foi sempre um ‘secret [spot].’
[14] O
que vem ao encontro de muitos dos que lá vão: ‘nós bodyboarders cá na ilha costumarmos a não dizer onde fica a onda
mas se vai fazer o trabalho posso dizer tudo sobre e posso lhe enviar umas
fotos.’[15] O
que (ainda assim) não impede que seja frequentada regularmente por locais e
estrangeiros. N ano passado (2024), diz-me Leandro Sousa, o Ricardo Caveira mais o Rodrigo Rijo, o Pedrim Correia, ‘estiverem cá e fizeram alta sessão de bodyboard aqui nesta onda.’[16]
Há (inclusive) uma onda favorita dos surfistas: ‘de fora até na semana passada estive a falar com um surfista da
Austrália que teve a surfar a onda.’[17]
Ao largo - ou já no interior -, de duas
pequenas reentrâncias da costa entre a Rocha Quebrada (casa Rosa) e a Banda das
Vinhas (casa Estrela Rego), quebram três ondas. E umas ondinhas para
principiantes (ao lado) no Calhau da Furna (entre a Banda das Vinhas que separa
o porto do Calhau da Furna).[18]
Isso acontece no interior da baía da Ribeira Grande (ponta do Cintrão – ponta
de Santo António). Luís Melo (que lá vai com frequência) identifica-as: ‘Uma logo na saída da antiga rampa de acesso
dos barcos. A da casa cor-de-rosa, propriamente dita, que funciona para os dois
lados, mas preferencialmente para a esquerda, nos dias maiores. E depois existe
a onda lá de fora que rebenta nos baixios quando o mar está acima dos 4 metros. Tem sido surfada pelo Marco Medeiros e
João Reis ultimamente usando motas de água. E uma outra para a esquerda [do
porto: Calhau da Furna] que funciona nos
dias mais pequenos e é onde alguns jovens locais da freguesia se iniciam no
bodyboard.’[19]
Continuando com Luís Melo. Quando está
bom (para vocês)? ‘Vento Sul. Meia
maré e ondulação acima dos 2 metros para começar a rebentar.’ Serve de alternativa aos areais? ‘Sim. Quando está impossível nos areais é uma
alternativa. Santa Iria é outra.’ Como se caracterizam as ondas dali? Para
o bodyborder (que também faz surf) João Paulo Simões: ‘Uma
onda com pouca margem de manobra para erros porque na maioria dos dias só
rebenta com swell de 2 metros e de maré baixa deixando pouco espaço entre ti e
as rochas pontiagudas da margem. Já fiz bastantes rasantes... Onda tubular. Dá
direitas e esquerdas com diferentes direcções de ondulação.’[20] Para
Leandro Sousa, o bodyborder das Calhetas que as vê mal abre a porta da rua ou
espreita da janela: ‘Tem uma direita muito tubular, depois
mais cá tem outra esquerda mais pequena.’ E referindo-se às predilectas dos surfistas, diz: ‘A (da) direita tem que ser uma pessoa já
assim boa porque é uma onda muito perigosa mesmo!’[21]
E
os praticantes das Calhetas? A propósito de deslizar nas ondas, não
propriamente para surfar, os mais velhos recordam-se de casos dos anos setenta
do século passado.[22]
Luís Vicente, 67 anos, morador na rua da Igreja, vizinho de Mário José Raposo,
viu muitas vezes o Mário em cima de uma porta: ‘Remava até às baixas. Punha-se em pé. Ia apanhar lapas. Peixe. Ia quase
sempre outro.’[23]
Quer se entenda ou não essa prática (que poderia ou não envolver alguma
brincadeira com as ondas) como um (precursor) do surf, prática comum a muitos
mais locais da Ilha, porém, só a partir dos anos oitenta é que começam a chegar
os (verdadeiros) surfistas às Calhetas. E como aconteceu no resto da Ilha, na
década de 90, surgem ali (também) surfistas (no caso, bodyboarders). André
Benevides, o ‘São Roque,’ de 41 anos,
é o primeiro conhecido. Ia ao mar com João Vítor e Roberto Amaral. André não reside
(actualmente) nas Calhetas, mas continua a praticar. Os amigos, porém, deixaram
de o fazer. Um foi para Santa Maria o outro emigrou para o Canadá. A geração
seguinte é a de Leandro Sousa, de vinte anos. Já tem (ou teve) quem o
acompanhasse (dois colegas de 16 anos): Hélder Soares e Rodrigo Silva. Dos
dois, só Rodrigo continua a fazê-lo, ainda que de forma irregular, pois,
dedica-se também ao futebol. Segundo um dos veteranos de fora, tem queda. André
Benevides nasceu em São Roque mas mudou-se com seis anos para as Calhetas. Com essa
idade já andava (diz ele) numa prancha de madeira nas Milícias. Via os mais
velhos a surfar. No Verão, nas Calhetas, juntamente com outros da sua idade, brincava
nas ‘ondinhas’ do Calhau da Furna.
Malta terrível. Diz-me ele. Faziam brincadeiras nas pranchas. Era uma onda
dali. Na baixa. Com vento sul. De um, a um metro e meio de ondulação. Faz
esquerda e direita. Aos 14, 15, 16 anos, aventurou-se a surfar nas ondas das
Calhetas (leia-se, do porto).[24]
Muitos anos sozinho. E fora das
Calhetas? ‘Comecei a sair com 16/17
anos.’ Onde ias? ‘Monte Verde, Tu Ká Tu Lá, Pico da Ganza [os
últimos dois em Santa Bárbara]. Também já
fui à Maia.’ Alguma vez entraste em
competição? ‘Nunca.’ Conheces os bodyborders da Ilha? ‘Conheço
todos.’[25]
O que
levou Leandro Sousa a interessar-se pelo Surf? ‘quando saía da escola de Rabo de Peixe, muitas vezes passava a pé por
baixo e via o pessoal lá a fazer surf. Mas nessa época não fazia bodyboard.’
Como foi a tua iniciação no body? ‘Primeiro, fui aprendendo no Calhau da Furna,
ondas pequenas, depois, com 14 anos, aqui nesta onda nas Calhetas [porto], sem saber absolutamente nada. Muitas das vezes ia parar às pedras, mas
sempre com a vontade de aprender e hoje tenho 20 anos e já levo o bodyboard muito
a sério como um profissional apesar de não ter patrocínios.’ Tiveste alguém que te desse dicas? ‘Sim. Quando vou com o pessoal Pedrim,
Ricardo, esse pessoal mais velho.’ Começaste com equipamento simples? ‘Com
uma da decantlon que meus pais me comprarem na altura e uns pés de pato
remendados com linha de pesca. No inverno surfava sempre de licra.’[26]
Os teus pais não recearam que fosses
para o mar?[27] ‘De princípio, um pouquinho, depois foi
passando.’ E o caso de Rodrigo Silva? ‘Tenho
16 anos, comecei no body com 13 anos. Acompanhava o Leandro (mais velho).
Morava na Rua da Boavista. Há dois dias moro na Ribeira Grande. Vais à água regularmente? ‘Não. Mas quando vejo ondas, vou. Tenho todo
o equipamento preparado.’ Porquê o
body? Gosto do mar. O meu avô vai à
pesca [O avô mora há quarenta nos nas Calhetas, mas é da Vila Nova, bairro
diante do Monte Verde onde via os surfistas].
Os teus pais não recearam que fosses
para o mar? ‘A princípio, talvez.’
E além de ti e do Leandro? Mais um ou outro que surfava só no Verão. Eu
e o Leandro fazíamos todo o ano.’[28]
Existirá
uma comunidade surfística nas Calhetas? Como a que vimos
nos Mosteiros ou em Vila Franca? Não. E como a da Ribeira Quente? Sim. Em
certos períodos, uns dois, três ou quatro anos, houve dois ou três praticantes.
Com o andar do tempo, porém, reduzia-se a um (talvez dois).[29]
No entanto, seja um ou mais praticantes, estando integrados na comunidade da
Ilha, são bons anfitriões para quem vem de fora (da ilha ou de qualquer outra
parte). Vão ao Monte Verde e a Santa Bárbara (capital do Surf) e a todo o lado
da ilha onde haja (boas) ondas.
As Calhetas enfrentam paradoxos. Ficam à
beira-mar mas voltam costas ao mar. Situação absurda, pois, a economia azul
cria riqueza. É vulgar ler nos jornais (sem que tal sofra contestação seja de
quem for) que o ‘sector [do turismo] tornou-se o motor económico da Região nos
últimos 10 anos.’ [30]
As dezassete
unidades registadas nas Calhetas, num universo de apenas 350 habitações, provam-no à saciedade.[31] E o Hotel Pedras Negras? Se (ainda) fica
nos Fenais da Luz, no entanto, basta atravessar a rua para se estar nas
Calhetas. Outro paradoxo:
metade dos seus 910 habitantes, dizem-me, apenas vão lá dormir. Tirando alguns
jovens, que ligam pouco à freguesia, grande parte da metade restante, está
‘envelhecida, deprimida e “adoentada.’[32] Como unir esta comunidade? No
passado, a igreja -
em torno de uma crença e prática comum -, conseguiu unir os aglomerados
dispersos do porto à igreja, e criou as Calhetas. Hoje, nunca o poderá fazer
sozinha, pois, perdeu (claramente) esse poder (e monopólio).[33] A
força concentra-se (agora) no mar. Um morador (que vive há décadas na terra)
aponta caminhos: ‘(…)
usufruir do mar e da sua costa. calhaus com piscinas naturais e calhetas com
reservas naturais protegidas (…) para descanso e lazer junto ao mar; (…) algum
centro de mergulho que permita explorar os fundos marinhos, aproveitando a
proximidade do porto de Rabo de Peixe e uma gastronomia especializada em
peixe com esplanada para o verão e parte da época outonal, (…).’[34]
E para o bodyboard e o surf? Perguntei a um (assíduo) de fora: ‘O
piso é irregular e escorregadio de inverno que é quando a onda tem o maior
potencial. É perigoso. Seria bom uma intervenção e fazer um passadiço. Era isso
com duas torneiras para duche ao lado. E uma espécie de abrigo para muda de
roupa quando chove era um luxo. Qualquer coisa tipo paragem de autocarro ampla
com banco e cabides para pendurar roupa e fatos. O pessoal deixa tudo no carro
e vai descalço lá baixo. Ficava 5*[35] Manter a
água da baía livre de elementos patogénicos. E persistir na limpeza (regular)
dos calhaus e seus acessos.[36]
Acrescento. Há clara vontade de mudança: o surfing
e o mar serão motivo de destaque de um vídeo promocional da Freguesia. Em 2024,
parte da Semana Cultural, decorreu no porto (aí com interessantes sessões de
meditação). Todavia, para dar novo passo em frente, tendo por palcos (principais) o
Calhau da Furna e o Porto dos Barcos, a meu ver, talvez valesse a pena
tentar acrescentar algo
no género do que se faz na Praia dos Moinhos (que envolve toda a Freguesia do
Porto Formoso). Ou no género do que (ainda este mês) se fará na SARGO – Surf
& Arte -, na Praia de Santa Bárbara (que envolverá a comunidade de surf e a
Cidade da Ribeira Grande). Ajustando-se, porém, à realidade (concreta) das
Calhetas.
Calhetas
(Ribeira Grande)
PS: Onde
ficam as Calhetas? ‘A um terço de
légua [de Rabo de Peixe, Termo
da Vila da Ribeira Grande].’ De onde veio esse nome? Do acidente
topográfico que caracteriza o local: ‘umas
Calhetas em umas pontas e arrecifes de pedra.’ Explicou Gaspar Frutuoso. O que terá levado ao aparecimento nas proximidades destes recifes
(e calhetas) dos núcleos populacionais
de ‘Belchior Tavares, sogro de Manoel
de Puga, e (de) outros alguns moradores (…) [e o do], ‘grão capitão Francisco do Rego?’ Ficavam bem situadas: a sua
ligação privilegiada ao exterior por via marítima (nas calhetas) e por via
terrestre (ficavam a caminho da Ribeira Grande e dos Fenais da Luz). Além do
mais, as terras eram férteis (veja-se a grande quinta do capitão que ia de
costa a costa). Havia uma ermida: pólo de união. Abundância de peixe: ‘(…) em que se toma muito peixe de tarrafa e
se fazem boas pescarias.’[37]
Abundância de pedra, barro e água (ainda que fosse – suponho -, quase
intragável). Ainda hoje, na maré vazante, vêem-se nascentes de água
(salobra) a ‘borbulhar’ por entre as
pedras do porto das Calhetas.[38] Por
que não havia água potável? Porque as Calhetas ficam (geologicamente) na zona dos Picos (tal como, por exemplo, o seu
equivalente na costa Sul). Que é (geologicamente)
nova. Daí a pobre (ou nula) retenção de água (da chuva) (à superfície ou a
pouca profundidade da superfície).[39]
[1] Nota de 23 de
Março de 2025: segundo testemunho de pescador a marca é antes conhecida por
Casa Vermelha; cf. Testemunho Alexandre Miguel, 43 anos, 19 de Março 2025
[2] Seguindo os
cálculos de Paulo Borges. Junto ao mar seguia o caminho (ancestral) que ligava
(ainda em finais da década de noventa do século passado) Rabo de Peixe,
Calhetas e Fenais da Luz; Moura, Mário, À
procura da ermida do Grão Capitão, Correio dos Açores, 22 de Abril de 2023,
p. 16; No Princípio das Calhetas,
Correio dos Açores, 25 de Março de 2023, p.15.
[3] Testemunho de
Pedro Medeiros, 19 de Fevereiro de 2025.
[4] Gui Costa tem
uma fotografia datada de 1985 onde se vê já as ondas das Calhetas.
[5] Arquivo Ribeira Grande mais, Empresa Municipal, Zonas
Balneares, Pasta 113, Ofício da Associação de Surf de São Miguel por parte de
João Oliveira (Brilhante) (sede: não diz ainda) dirigido ao Presidente da
Câmara Municipal da Ribeira Grande, Ricardo Silva, 10 de Janeiro de 2008,
pedido de cedência de espaço para sede da Associação
[6] Cartela
editada pela Câmara Municipal da Ribeira Grande: Baixa da Maia. Em 2018 ou já
em 2019, numa altura depois do registo da Marca Ribeira Grande – Capital do
Surf, numa cartela (iniciativa da Câmara) contendo cinco mapas descritivos de
Surf Spots da Ilha, com especial destaque para os do Concelho. Nota de 13 de
Dezembro de 2024, testemunho de Marco Medeiros: ‘Depois da Capital do Surf, no tempo da Nélia Branco, o Sérgio Aparício
e eu seleccionámos e descrevemos aquelas cinco. Deixamos de propósito a das
Calhetas – manter um secret spot.’
[7]Moura, Mário, Onda, Correio dos Açores, 18 de Dezembro
de 2024, p. 30
[8] O facto de haver
tratado (neste
mesmo jornal) a História das Calhetas, deixa-me livre para surfar mais a fundo o tema das ondas. De 25 de Março de 2023 a 4 de Agosto deste mesmo ano,
publiquei neste jornal Correio dos Açores, 19 trabalhos sobre o assunto. Moura,
Mário, Água, Correio dos Açores, 20 Maio
de 2023; À procura da ermida do Grão
Capitão, Correio dos Açores, 22 Abril de 2022; No princípio, Correio dos Açores; O porto dos Barcos, Correio dos Açores, 6 Maio de 2023; NOTA:
Antes, deixo uma breve caracterização da ‘alma
da terra,’ que me irá ajudar a perceber a sua relação com o mar. Logo,
perceber melhor o que aqui escrevo. Dois traços caracterizadores: a sua
condição de terra de fronteira.[8] Até 1835
(grosso modo) da igreja para Poente integrava os Fenais da Luz (Ponta Delgada),
para o lado Nascente, integrava Rabo de Peixe Lugar da Ribeira Grande. E outra
(porventura mais forte aqui do que em outros locais da Ilha): se por um lado, o
mar causa medo, porquanto, arranca pedaços à terra, por outro, exerce (também)
fascínio, de notar que não há terra (na Ilha) com tantos miradouros junto ao
litoral (sete).
[9] Testemunho de Pedro Medeiros, 20 de Fevereiro de 2025.
[10] Testemunho de Ricardo Cabral, 20 de Fevereiro de 2025.
[11] Testemunho
de Marco Medeiros Escadote, 14 de
Novembro de 2023.
[12] Testemunho de Luís Melo, 17 de Fevereiro de 2025.
[13] Testemunho de Pedro Medeiros, 19 de Fevereiro de 2025; Testemunho
de Paulo Sagão Ramos, 19 de Fevereiro de 2025. Paulo Sagão Ramos comprova-o: ‘Das poucas vezes que também surfamos na esquerda das
pedras da baia de Rabo de Peixe, dava a impressão que do lado das Calhetas,
quebrava uma onda. Fomos verificar, e realmente dava uma direita surfavél;’ Testemunho de Paulo Sagão Ramos, 19
de Fevereiro de 2025.
[14] Testemunho de João Paulo Simões, 19 de Fevereiro de
2025.
[15]Leandro Sousa, Calhetas 16 de Fevereiro de 2025.
[16] Leandro Sousa, Calhetas 16 de
Fevereiro de 2025.
[17] Leandro Sousa, Calhetas 16 de Fevereiro de 2025.
[18] Moura, Mário,
Poceirões & Calhau da Furna, Correio dos Açores, 4 de Agosto de 2023, p.
16.
[19] Testemunho de Luís Melo, 17 de Fevereiro de 2025.
[20] Testemunho de
João Paulo Simões, 19 de Fevereiro de 2025.
[21] Leandro Sousa, Calhetas 16 de
Fevereiro de 2025.
[22]Testemunho do Ti Resendes, 25 de Fevereiro de 2025: O Ti
Resendes (na casa dos noventa anos) falou-me de um filho do dono da casa que é
agora dos Estrelas Regos que ‘no Calhau
da Furna ia por cima da água numa tampa de mala até às baixas. Ia apanhar
lapas. Peixe.’
[23] Testemunho de Luís Vicente, 25 de Fevereiro de 2025.
Testemunho de José Manuel Tavares, 24 de Fevereiro de 2025.José Manuel Tavares
(tem 62 anos), teria 10 ou 12 anos, não mais, diz-me outro tanto: ‘o filho do sr, Messias, que foi presidente
da Junta, andava em pé em cima de uma porta no mar no Verão. Era na Ladeira das
Cagarras. Diante da Junta. Isso foi antes de ir para a marinha. Eu vi isso. Os
mais velhos também.’
[24] Moura, Mário, O Porto das Calhetas, Correio dos
Açores, 6 de Maio de 2023, p. 17.
[25] Testemunho de André Benevides São Roque, 18 de Fevereiro de 2025
[26] ‘Sim 100% desde que comecei sempre me
apoiarem e compravam-me umas coisas. Mas no início usava uma prancha da
Decantlon’
[27] Leandro Sousa, Calhetas 16 de Fevereiro de 2025.
[28] Testemunho de Rodrigo Silva, 18 de Fevereiro de 2025
[29] No fundo, as Calhetas aproximam-se mais do Surfista solitário de Gabriel ‘o Pensador’ do que de uma verdadeira comunidade.
[30] O boom do turismo
é bom para quem trabalha nele? Primeira hora. (…), Açoriano Oriental, 3 de
Março de 2025, pp. 1, 2-3.
[31] Repartidas entre, duas co Espaço Rural (2), Turismo de
Habitação (1) e 15 Alojamentos Locais. (Fonte: Posto de Turismo da Ribeira
Grande).
Quem lá vai, vai atraído pelo seu micro-clima, pelo mar, pela afabilidade dos
moradores, pela serenidade que ali se respira.
[32] Moura, Mário, Calhetas & Fenais, Correio dos Açores, 22 de Julho de 2023. Ainda outro paradoxo: por que razão, tendo ali à mão o Hotel Pedras
Negras e o Campo de Golfe, ninguém das Calhetas (ou quase ninguém) vai lá,
ainda que fosse tomar um café?
[33] Moura, Mário, A procissão fez as Calhetas, Correio dos
Açores, 29 de Abril de 2023, p. 16.
[34] Carlos Gonzalez, 2023.
Acrescentaria (às sugestões anteriores) a recuperação (e reformulação) do
trilho litoral que unia os Poços (de São Vicente) ao porto das Calhetas.
[35] Testemunho de João Paulo Simões, 27 de Fevereiro de 2025
[36] Do que o mar envia à terra e do que a terra atira ao mar; Testemunho de
Cátia Tavares, Presidente da Junta, 19 de Fevereiro de 2025: O LREC vistoriou a
rua do Porto: as casas têm de sair dali. Os encanamentos para a rocha. Há casas
indevidamente reocupadas. Um problema. De resto, na freguesia, as casas têm
fossas. Disse-o a Cátia Tavares, Presidente da Junta. O mesmo (mais ou menos)
disse-me o Mestre Carlos.
[37] Frutuoso, Gaspar, Saudades da Terra, Livro IV, 1998,
p.193.
[38] Moura, Mário, Água,
Correio dos Açores, 20 de Maio de 2023; Testemunho de Clara Estrela Rego, 12 de
Maio de 2023.
[39]Carvalho, Maria do Rosário da Encarnação de, Hidrogeologia do maciço vulcânico de Água de
Pau/Fogo (São Miguel – Açores), Dissertação apresentada à Universidade de
Lisboa para obtenção do grau de Doutor em Geologia, na especialidade de
Hidrogeologia, Lisboa, 1999, p. 77. Dizem (exactamente) assim: ‘A idade e a história tectónica desempenham,
também, um papel importante na sua permeabilidade. De um modo geral, quanto
mais antigos e profundos são os materiais menor a permeabilidade, devendo-se
esse facto ao processo de meteorização, colmatação e compactação.’
Comentários