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GO, CAPTAIN! GO!







Go, Captain! Go!

Não lhe puxei pela língua. Partiu dele. Houve qualquer coisa, talvez uma onda, talvez o vento, que lhe fez vir à tona da memória o que vira ali mesmo quase três anos antes: ‘Nosso Senhor Querido, aquela gente quer-se matar!’ Não lhe intrigara nadinha haver gente no farolim, era normal haver, era ali o posto mais emblemático do Trilho de Vera Cruz, intrigara-o, sim, e muito, a ponto de o fazer parar. o rugido de motores vindo do mar: ‘Ondas? De meter medo. Um mar. Misericórdia!! Misericórdia! Motas dentro de água. Para lá e para cá. Um em cima de uma prancha. Para lá e para cá. Ia, ia quase, quase à rocha. Ao calhau da Cabra. Ali, estás a ver? Levaram nisso mais de uma hora. Vai um, vai outro. Mesmo diante do farolim.’[1] Naquele mar, Jorge Anão apanhara sustos. Mergulhava (ainda) por ali e fora pescador com o pai. Pai que morrera afogado naquele mar. Bem como um sobrinho. Quem eram aqueles maluquinhos dentro de água? O primeiro a surfar, é conhecido, no círculo dos recordistas das ondas da Nazaré, com quem priva tu cá tu lá e a quem faz segurança, por ‘The Captain.’ Porquê? Pela farda que veste - em ocasiões de gala -, e por fazer continência sempre que acaba de surfar (com êxito) uma (boa) onda. Vinha já a namorar há algum tempo a onda do farolim. Surfou a sua primeira onda grande no baixio de Santana em 2016. A partir daí ficou agarrado. Já surfou na praia do Norte na Nazaré. Nasceu, fez carreiras da baixa grande ao Monte Verde, aprendeu a surfar e vive na Ribeira Grande. Chama-se Marco Medeiros. Para muitos, é nome de marca do surf da Ribeira Grande. Tal qual o ‘slogan’ Ribeira Grande Capital de Surf.

Marco, como deste com a onda do farolim? ‘Em Setembro, no final da época balnear de 2020 [confirmou a data no seu telemóvel] entrou um swell grande [ondulação muito grande]. Aproveitei para ir espreitar a onda da Viola. A ondulação estava boa, mas o vento não ajudava. Fui mais à frente, aos Fenais. Estava excelente.’[2] Como explicas isso? ‘A ponta do farolim protegia do vento. Como estava forte do Oeste. Lá rodava para Sul.Não a surfaste logo ali?Não, só vim a surfá-la [confirma a data no telemóvel] no dia 24 de Novembro de 2022.’ Não haviam planeado experimentar a onda do farolim, mas a coisa proporcionou-se. Naquele dia foram experimentar a Viola. Tiveram pouca sorte, após mais de uma hora a tentar, viram que não dava na Viola: ‘devido à ondulação, a onda não estava perfeita.’ Foi então que Marco saiu-se com a onda do farolim: ‘Vamos ver uma onda que conheço de terra? Ao fundo, avistava-se uma espuma grande, sinal de onda.’ Sebastien, que não volta a cara a novas experiências, aceita de pronto a dica: Let’s go Captain!’ As três motas (então) rumaram (a nascente) à ponta do farolim ‘a minha mota, com o João Macedo, que fez de segurança, a que o João Reis emprestou, comigo e com o Sebastien e a do Ricardo Moura, com ele, que testemunhou, e o Gabriel Amorim, meu nadador salvador, que fotografou com a go-pro. Em terra, no farolim, Pierre (francês) o cameraman do Sebastien, filmou. Havia lá em cima mais gente a ver. Não me lembro dos nomes.[3] Chegaram mesmo ‘no pico da onda. Parece que chegava aos 2, três metros. Onda perfeita. Protegida da Viola.’ Por haver descoberto a onda e ter sugerido que a fossem explorar, estou em crer, foi-lhe dado a honra de ser o primeiro a tentar: ‘Go, captain!’ Incentivou-o Sebastien. Que, em 2022, já era recordista da Nazaré. Marco (seguro de si) avançou: ‘Levou-me para o alto-mar. Para navegar a onda até ao pico. Por incrível que pareça, naquele preciso instante, chegou uma onda grande. O João Macedo manteve-se na zona de segurança. O Ricardo Moura numa zona calma. A ver a onda de frente. Nunca vires as costas ao mar!! Go! Go! Depois de um set, vem a onda. Toda a gente a gritar que era uma grande onda. Até o Sebastien não queria acreditar. Ouvi a voz do Ricardo Moura: Foste o primeiro a surfar aquela onda.’ Onda do Captain. Foi assim que o Sebastien [Steudtner] a baptizou. Ele e o João Macedo também surfaram nesta ocasião. Num belo tube. Depois disso, apesar de termos tentado, não tem havido condições.’ [4] Tamanho da onda? Três semanas depois, em entrevista dada ao Correio dos Açores, após terem feito ‘uma avaliação correcta do tamanho da onda,’ Marco teve ‘a confirmação dos gigantes da Nazaré que aquela foi a maior onda surfada nos Açores. O jornal destacava: ‘Na costa Norte de São Miguel, Marco Medeiros surfa a maior onda dos Açores na ponta do farol dos Fenais da Ajuda.’[5] Grato, Marco confessa ao jornal ter tido ‘o privilegio’ de ter sido ele a surfar esta aquela ‘onda e a ser rebocado pelo actual recordista do mundo Sebastien Steudtner. Com o João Macedo a ver-nos [foi o primeiro luso-americano a ousar atacar uma onda gigante da Nazaré].’ Como é a onda do farolim? ‘É boa mas perigosa. Terás de ter um bom operador de resgate. Se cais no pico de arranque, és arrastado para as rochas. Na primeira tentativa. Onda frequente. Aguenta mais vento do que a da Viola. Se a Viola não funcionar, funciona os Fenais.’ Noutra ocasião, pedi-lhe que partilhasse o que sentira no momento: ‘Estava tenso. Nunca surfara uma onda assim tão grande. Fora da protecção do vento. Zona de respingos. Quando a onda levanta. Borbulhas. Sinal de que a onda vai rebentar. Até me arrepiei. Na altura em que deixo o cabo e começo a surfar sozinho. Quando me apercebi que era gigante. Assobiava. Não queria errar. Ao descer a onda. Fiquei muito sossegado. Na segunda. Para ter velocidade na terceira. Não queria acreditar no tubo. Tsunami ao meu lado. Depois de surfar, já no rabinho, já fiz as manobras.[6]

Quem é Marco Medeiros?Nasci em casa, na Matriz (cidade da Ribeira Grande), no dia 4 de Julho de 1980. Os meus avós maternos estavam ligados ao mar. À pesca. Aos calhaus.[7] É bombeiro e coordenador dos Nadadores Salvadores da Costa Norte. Faz formação em resgate.[8] Quando aprendeste a andar numa prancha? ‘Fazia carreiras numa prancha de madeira de bodyboard e de barbatanas. Mais um grupo da minha idade. Uns foram aprender surf com o João Brilhante. Foi o caso do meu irmão Miguel e do meu primo Frade. Apanhava as ondas na Baixa Grande e ia até Monte Verde.’ E o surf?Muito antes de aparecer o Pedro Cruz, há uns 23 ou 24 anos, apareceu pela bomba de gasolina dos Bombeiros [na rua da Praça, Ribeira Grande] um surfista havaiano que me perguntou onde ficava Santa Iria. Fui lá com ele. Ele na prancha em pé e eu deitado na minha prancha de bodyboard. Fomos lá várias vezes. Quando ele foi-se embora, deixou-me a prancha. Há mais ou menos uns vinte anos, apareceu o Pedro Cruz. Queria ir também a Santa Iria. Fui lá com ele. Aí é que comecei a tomar gosto pelas ondas radicais. Vi-o fazer.[9] Mas não foi logo que te puseste de pé?Fui tentando. Existe medidas de prancha para cada um. Levei algum tempo a acertar.’

A paixão do Marco pelas ondas deu uma volta de 360 graus com a vinda em 2014 do projecto EDP – Mar Sem Fim. Projecto lançado por João Macedo no ano anterior que tinha como objectivo (um dos) descobrir novas ondas grandes. Como é que acabas associado a este projecto? o Sr. Emanuel Oliveira da Yamaha, patrocinou o projecto. Queriam alguém para fazer segurança. Como eu fazia isso na mota de água dos Bombeiros, indicou o meu nome.’[10] A Câmara da Ribeira Grande também era patrocinadora. O que te levou às ondas grandes? ‘Vi que era mais fácil surfar as ondas grandes do que remar. Saltavam-se as três bases: remar; por em pé e colocar na posição. Era só deslizar na onda.’ Quando te baptizaste nas ondas grandes?Foi em 2016.’ Onde? ‘Na baixa de Santana. Fui rebocado pelo Eric Rebiére.E o salto para operador de Resgate na Nazaré? ‘Também em 2016. O João Macedo e o Mário Almeida convidaram-me para fazer segurança aos atletas portugueses na Nazaré. Ainda em 2016, recebi um convite da Maia Gabeira (surfista brasileira).Disseram-te a razão do convite? ‘Sim. Gostaram da forma organizada que fazia a segurança.’ O seu desempenho agradou, a tal ponto que, ‘o Sebastien, em 2017, como estava a construir o seu team, convidou-me para o apoiar.’ Parceria que ainda hoje se mantém.

Coleccionando novo palmarés, a 17 de Fevereiro de 2020, Marco atira-se à sua primeira grande onda na praia Norte da Nazaré. Isso ainda no âmbito do Projecto dos Atletas portugueses, Mar Sem FIM. A onda (sem ser algo oficial) andaria entre 13 a 15 metros: ‘O Grant Twiggy Baker pôs-me na onda. Mar lisinho (offshore). Vento fraco. Ondulação grande. O João Macedo estava cansado. Perguntou-me se queria descer uma. Quero, respondi-lhe. Ficou a fazer-me segurança. Vamos ao segundo pico. No primeiro, estavam todos os profissionais. Era uma onda mais agressiva. O pico dois era menos agressivo. Fui ao pico dois. Onda fácil. Parede deitada. Cheguei às borbulhas.’ Borbulhas?Onde vai-se formar a onda. Onde vai arrebentar. Quando largo o cabo, o tamanho da onda duplicou. Só me apercebi pela velocidade. Com a experiência e o receio de falhar, pensei: não posso cair. Fugindo da espuma. Para não ser engolido pela espuma.’

Nesse entretanto, o potencial das ondas grandes da Ribeira Grande, confirmado logo na primeira expedição de 2014, era novamente reconfirmado pela expedição de Fevereiro de 2021. Há, segundo ‘os surfistas,’ ‘potencial na Ribeira Grande para se organizar uma competição internacional de ondas grandes, à semelhança do que já se verifica noutros locais do país, como na cidade da Nazaré.’[11] A pretensão teve (no entanto) de ficar a marinar, pois, logo de seguida, seriam impostas restrições sanitárias para evitar o alastramento da pandemia. Restrições, parcialmente levantadas, apenas na segunda metade de 2022. Em 2024, não fora a falta de apoio, ter-se-ia realizado a primeira competição internacional de ondas grandes na Ribeira Grande. Contaria com a presença de nomes sonantes, segundo a lista de convidados que consultei.[12] Mesmo sem apoios, houve quem não desistisse da ideia: ‘O João Macedo estava cá, juntou-se a mim [Marco Medeiros] e ao Sebastien. Tentamos na Viola, nada. Se tivéssemos ido um dia antes, era bem capaz de termos conseguido. Fomos a Santa Iria. Resultou. Mas onde resultou em cheio foi nos Espinafres [lado poente do Monte Verde]. Tivemos na segunda-feira [dia 25 de Novembro] e na terça-feira [dia 26] ondas de 3 metros e meio a quatro metros.[13] O sonho ainda que novamente suspenso, não desapareceu.

Em terra, o que poderiam ter visto os que seguiam a evolução dos surfistas na água? Caso o dia estivesse limpo, avistariam, ao fundo, as Bretanhas (a poente) e as Achadas (a nascente). E o que veriam (caso tivessem vagar) os que estavam dentro de água? Seguindo as arribas (de nascente a poente), entre matagais da rocha do Fenais talvez dessem com as ruínas de quatro moinhos de água. À beira-mar, um nadinha mais a ponte, a calheta, usada como praia/calhau de banhos da terra. Diante deles, o magnífico monumento geológico da ponta do Farolim (da Ajuda): grutas, arcos, uma calçada de gigantes (no género das da Irlanda). Eva Lima, geóloga, autora dessa tabela do trilho da Vera Cruz, não poupa no elogio: ‘é o melhor afloramento deste tipo de estrutura na ilha de São Miguel.’ As ‘grutas e arcos,’ continua, tiveram origem na erosão das colunas, que, devido à agitação marítima, vão sendo partidas ao longo do tempo.’ Tudo obra (em épocas diferentes) dos vulcões da Povoação, Furnas e Fogo. Os Fenais da Ajuda, localizam-se na parte da Ilha que (em termos geológicos) pertence à ilha de Nordeste. Continuando a seguir a costa, não longe, os portos (velho e novo).

Os de terra, no regresso, porventura, se entrassem num dos cafés à volta da igreja paroquial, e metessem conversa com alguém, ficariam a saber que o farolim foi feito (em 2016) a pedido dos ‘pescadores de Rabo de Peixe.’ E se quisessem ver o que lhes contavam, voltando (como eu) de novo ao local em companhia do Jorge, ficariam a saber que à volta do farolim era ‘um ‘sítio com muita baixa [apontou-me para o mar].[14] Na década de setenta, naufragou um barco de pesca de Rabo de Peixe, morrendo todos os seus ocupantes.[15] Do ‘nosso porto’ (velho e novo) ao calhau da calheta, existem quinze calhaus. Vão às lapas, aos caranguejos, polvos e pescam de cana. Nas encostas (tal como acontece à roda da ilha) cultivava-se vinha. Até ao tempo do pai embarcava-se favas. Apontou-me para os ferros enferrujados. Conheceu seis barcos de pesca (um do pai, que morreu no mar), outro do tio. Iam à pesca. Iam ‘de dia, aos bodiões, e à noite, às abróteas e congros. Barcos a remos, com uma vela. Levava-se mais um par de remos. Iam até à Achada. Nordeste. Meu pai chegava a casa com feridas no traseiro. Em carne viva.’[16] No último dia da festa (de Nossa Senhora da Ajuda) ‘era o dia do porto. O melhor dia da festa. Cai muito povo ali. Meu pai acartava pessoal. Para passear. Às vezes até à Achada. Lá fora onde se avistava a igreja de Nossa Senhora da Ajuda do mar. Levava um dinheirinho.’ E tomavam banho ali? No porto novo. Mais fundo. E no Velho. Umas poças. Hoje vai lá mais gente e menos à Calheta. Antes das quebras era o contrário.’ O que há (hoje) além da agro-pecuária? Agora é a vez do David e o Marinho entrarem na conversa: ‘Pouca batata. Como já foi a chicória. Houve uma fábrica de chicória. No Caminho da ponte e da Calheta. Quintas de fruta. Já não há trigo nem milho. Agora só milho de silagem. Havia muita vinha. A vinha, ainda que pouca, é mais do que a das freguesias aqui na roda.’[17] O apelo do mar aqui (tal como à roda da Ilha) é irresistível. O trilho circular de Vera Cruz, inaugurado a 10 de Dezembro de 2022, é prova disso. Mais. Dos quatro alojamentos locais existentes, ‘três situam-se à beira-mar. Dois na rua que vai para a Calheta. Por detrás do cemitério.[18]

Farolim, Fenais da Ajuda (Ribeira Grande)

 

 

PS: Moinhos. Se agora, levanto os usos do mar, na década de 80, do século passado, levantei os moinhos à volta da Ilha. Fiz outro tanto em Santa Maria, nas Ilhas do Pico e na Terceira. Quis estudar a terminologia. A relação com a água (ribeira ou nascente). Com a clientela. Afinal, os moinhos foram essenciais numa sociedade agrária. Numa Sebenta (a 2.ª), em Setembro 1988, numa tarde saborosa, num longo diálogo, registei os moinhos (da memória) do Sr. Manuel Barreira, natural da Lomba da Maia mas residindo na Ribeira Funda, Lugar dos Fenais da Ajuda, 83 anos, 52 anos de experiência, deixou de trabalhar em 1971. Informação inédita, deixo-a (como o tenho vindo a fazer) para figurar no Blogue do Mário e Recanto das Letras. Já o fiz com os moinhos da Ribeirinha, Lomba da Maia, Maia, Vila Franca. Antes que a traça coma a Sebenta, eis os dos Fenais: ‘Na ribeira dos Carneiros ou ribeira Funda, de cima para baixo, houve 12 moinhos (partilhados pelos Fenais e Lomba da Maia). Sete da margem pertencente aos Fenais da Ajuda, cinco, à Lomba da Maia. Porque fecharam? Perguntei: Não se recorda de terem moído os 12. Diminuição da área de cultivo de cereais e aumento das pastagens. As moagens. Eu acrescentei a emigração. Guerra colonial. Novos hábitos. 1 – LOMBA DA MAIA. Um moinho no lado de cima da ponte da estrada entre a Lomba da Maia e a Ribeira Funda (Fenais da Ajuda). Casal de mós. O último proprietário foi Manuel Pacheco Beleza. Está inactivo; 2 - LOMBA DA MAIA. Um moinho de um casal de mós. Pertencia (teve dúvidas se era dele ou fazia de renda) a Manuel Pacheco Carneiro Chega Ladrão. Inactivo. Ainda trabalhava na década de setenta do século XX; 3 - LOMBA DA MAIA. Um moinho de um casal de mós. Pertencia (teve dúvidas se era dele ou fazia de renda) a Manuel Pacheco Carneiro Chega Ladrão. Inactivo. ESTES TRÊS ÚLTIMOS PARTILHAVAM A MÃO; 4 – FENAIS DA AJUDA (Ribeira Funda). Um casal de mós. Chegou a ter dois casais. Mas com ele (Sr. Barreira) sempre teve só um. De Manuel Pacheco Barreira (o nosso informador). Trabalhava ainda na década de setenta; 5 - FENAIS DA AJUDA (Ribeira Funda). Um casal. Sr.ª Marquinhas do Monte. Inactivo; 6- FENAIS DA AJUDA (Ribeira Funda). Um casal. Da mesma Sr.ª Marquinhas do Monte. Inactivo. Os dois anteriores, tinham uma mão comum. Era o procedimento entre os proprietários que detinham moinhos seguidos; 7- FENAIS DA AJUDA (Ribeira Funda). Um casal. Marcelino Pacheco da Silva. Inactivo; 8 - FENAIS DA AJUDA (Ribeira Funda). Um casal. Jacinto Pacheco da Silva, conhecido por Jacinto do Porto. Inactivo; 9 - FENAIS DA AJUDA (Ribeira Funda). Um casal. Jacinto Pacheco da Silva, conhecido por Jacinto do Porto. Inactivo. Os três últimos, do mesmo proprietário (ou rendeiro?) e tinham mão comum; 10 - FENAIS DA AJUDA (Ribeira Funda). Um casal. João da Arruda. Inactivo; 11- LOMBA DA MAIA. Um casal. Da família dos Cordeiros. Inactivo; 12- LOMBA DA MAIA. Um casal. Da mesma família dos Cordeiros. Inactivo. Dentro dos Fenais da Ajuda (moinhos de nascente). De cima para baixo. Ao pé do miradouro da igreja paroquial [Anotei de forma incorrecta. Será do adro da igreja da Ajuda]: 4 (inactivos) – um casal cada. Pertencentes a Manuel Furtado. ‘Acho que agora estão todos esborralhados.’ Diz que nunca lá esteve mas que os avistou do adro de Nossa Senhora da Ajuda. - Moura, Mário, 2.ª SEBENTA, entrevista com Manuel Barreira, natural da Lomba da Maia mas residindo na Ribeira Funda, Lugar dos Fenais da Ajuda, 83 anos, 52 anos de experiência, deixou de trabalhar em 1971, 6 de Setembro de 1988.

Confirmei alguns deles no século XIX: Março de 1880Ribeira Funda – 2 moinhos (um com duas mós e o outro com uma) = 3 casas. Fenais da Ajuda – 2 moinhos (cada com uma mó) – Proprietários: Manuel Lopes do Amaral e Dona Rosa Ludovina Soares.Lomba de São Pedro (ribeira Seca) – 2 moinhos de um casal cada; Abril de 1880: Ribeira Funda – 1 (com duas mós), mais 1 com uma mó cada = 3 casas; Fenais da Ajuda – 1 moinho com quatro mós = 4 casas. Proprietário = José Furtado Leite; 1885 = Fenais da Ajuda – Rocha dos Fenais = 1 moinho com quatro mós - proprietário: José Furtado Leite – mora Fenais da Ajuda; Na rua do Outeiro – 1 moinho de uma mó de Maria do Amaral e de Manuel Medeiros. - AMRG, Atribuição de licenças para moinhos 1880-1886

CALHAUS: Fazem parte da subsistência alimentar da terra. Tenho vindo a reconfirmar, ao contrário do que se afirmava, que a costa Norte dispunha de ligações marítimas tal como a costa Sul. No Concelho, como já vi e escrevi, dos Fenais às Calhetas, existiram Ou ainda existem): Fenais, Maia, Porto Formoso, Ribeirinha, Rabo de Peixe e Calhetas. Sabe-me dizer os nomes dos calhaus daqui? ‘Vou começar do nosso porto até à Calheta: 1.º Lavadouros; 2.º Calhauzinho; 3.º Cacém; 4.º Caminho Novo (?); 5.º Cabra [ao lado do Farolim – lado nascente. ONDE SURFARAM A ONDA]; 6.º Gadanho [onde está o Farolim]; 7.º Lage; 8.º Poção: 9.º Calhetas [onde tomam banho]; 10.º Campo Furado [local do naufrágio]; 11.º Risco; 12.º Cavalo; 13.º Poças; 14.º ribeira da Arela; 15.º pesqueiro Norte. O que faziam nos Calhaus? Pesca de cana. Lapas. Polvo. José Jorge de Melo, Anão, 68 anos, 5 de Março de 2025



[1] Testemunho de José Jorge de Melo, Anão, 68 anos, 5 de Março de 2025

[2] Hoje, dia 13 de Março, um dia depois de sair no jornal, o Marco mandou-me – entre várias outras fotografias -, uma de 2019. Nela está escrito 2019, quando procurava a onda dos Fenais. Então, foi em 2020 ou em 2019?

[3] Testemunho de Marco Medeiros, 8 de Março de 2025: Ao confrontar essa narrativa com a do jornal da altura, descobri discrepâncias e fui falar de novo com o Marco. Eram duas ou três as motas?

[4] Testemunho de Marco Medeiros, 29 de Dezembro de 2024.

[5] Correio dos Açores, 14 de Dezembro de 2022, p.18.

[6] Entrevista com Marco Medeiros, Escadote, Captain, 1 de Março de 2025

[7] Onde fizeste a escola? ‘Fiz a primária na Escola Central, fui para a Preparatória Gaspar Frutuoso e completei o 12.º ano na Secundária. Tudo na Ribeira Grande.’

[8] Tem outros interesses desportivos. Em todos é bom, Seja no hóquei ou no futebol.

[9] Nota de 14 de Março de 2025. Se for o mesmo havaiano referido em Dezembro de 2023 por Paulo Luís Sousa, primo de Marco, temos que recuar a data para 1997. Atente-se bem: ‘Lembro-me (diz Paulo Luís) que na cheia que levou carros e vitimou uma senhora [10 de Setembro de 1997], estávamos lá. E de um surfista havaiano do top mundial que andou lá connosco. Por esta altura, formava-se uma onda perfeita mesmo ao pé do carro que a ribeira arrastara. Conheço fotografias desta casa.’ Que incluí em Uma História do Surfe na Ribeira Grande (I Parte), Correio dos Açores, 12 de Novembro de 2023, p. 8.

[10]Testemunho de Marco Medeiros, 8 de Março de 2025.

[12] Fora-me confidenciado ao telefone pelo André Avelar, hoje, dia 5 de Outubro, foi-me confirmado pessoalmente pelo próprio: ‘será uma iniciativa da Câmara e da AASB. Falta apenas que a autarquia avance com a verba prometida.’ Acrescentou, estão convidados – ainda não confirmados -, Maia Gabeira, Sebastien Strudar – campeão mundial -, Gabriel o Pensador; Nathan Florence, se não vier o João Macedo virá Toni Laureano.’ Mas não divulgues isso ainda.

[13] Testemunho de Marco Medeiros, 8 de Março de 2025; Moura, Mário, Viola, Correio dos Açores, 12 de Outubro de 2024, p. 15

[14] Testemunho de José Jorge de Melo, Anão, 68 anos, 5 de Março de 2025; Testemunho de José Morgado Pixela, 28 de Fevereiro de 2025: Um pescador amador diz: ‘Quando estamos a pescar por perto, mesmo no Verão, a gente desvia o barco daquela onda. Vai mais por fora.’

[15] Recolhi duas versões. Primeira, Testemunho de José Mário Marinho, 3 de Março de 2025 ‘Dizem que adormeceram, caíram à água e embrulhados nas redes de pesca afogaram-se todos.’ Outra: ‘O barco foi contra as rochas do Calhau Furado. Morreu tudo. Um deles nunca mais apareceu. O do leme – dizem – estava bêbado.’ José Jorge de Melo, Anão, 68 anos, 5 de Março de 2025.

[16] Onde vendiam o peixe? Na freguesia. E o Ti Manuel Madeira ia com cestos às costas vender peixe para a Lomba de São Pedro.

[17] Há uma Banda de Música, A Estrela do Norte, a Casa do Povo, um Posto Farmacêutico, três Minimercados e a REMAR (Artesanato).

[18] Testemunhos de Marinho e de David Camboia, 7 de Março de 2025: E um mesmo na ponte que vai para o farolim. Um é do dono da bomba de gasolina da Lomba da Maia, os outros dois, da família do Dr. José Maria.

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