Go,
Captain! Go!
Não lhe puxei pela língua. Partiu dele. Houve
qualquer coisa, talvez uma onda, talvez o vento, que lhe fez vir à tona da
memória o que vira ali mesmo quase três anos antes: ‘Nosso Senhor Querido, aquela gente quer-se matar!’ Não lhe intrigara
nadinha haver gente no farolim, era normal haver, era ali o posto mais emblemático
do Trilho de Vera Cruz, intrigara-o, sim, e muito, a ponto de o fazer parar. o
rugido de motores vindo do mar: ‘Ondas?
De meter medo. Um mar. Misericórdia!! Misericórdia! Motas dentro de água. Para
lá e para cá. Um em cima de uma prancha. Para lá e para cá. Ia, ia quase, quase
à rocha. Ao calhau da Cabra. Ali, estás a ver? Levaram nisso mais de uma hora.
Vai um, vai outro. Mesmo diante do farolim.’[1]
Naquele mar, Jorge Anão apanhara sustos. Mergulhava (ainda) por ali e fora pescador
com o pai. Pai que morrera afogado naquele mar. Bem como um sobrinho. Quem eram aqueles maluquinhos dentro de
água? O primeiro a surfar, é conhecido, no círculo dos recordistas das
ondas da Nazaré, com quem priva tu cá tu lá e a quem faz segurança, por ‘The Captain.’ Porquê? Pela farda que veste
- em ocasiões de gala -, e por fazer continência sempre que acaba de surfar (com
êxito) uma (boa) onda. Vinha já a namorar há algum tempo a onda do farolim. Surfou
a sua primeira onda grande no baixio de Santana em 2016. A partir daí ficou
agarrado. Já surfou na praia do Norte na Nazaré. Nasceu, fez carreiras da baixa grande ao Monte
Verde, aprendeu a surfar e vive na Ribeira Grande. Chama-se Marco Medeiros. Para
muitos, é nome de marca do surf da Ribeira Grande. Tal qual o ‘slogan’ Ribeira Grande Capital de Surf.
Marco, como deste com a onda do farolim? ‘Em Setembro, no final da época balnear de
2020 [confirmou a data no seu telemóvel]
entrou um swell grande [ondulação muito grande]. Aproveitei para ir espreitar a onda da Viola. A ondulação estava boa,
mas o vento não ajudava. Fui mais à frente, aos Fenais. Estava excelente.’[2] Como explicas isso? ‘A ponta do farolim protegia do vento. Como estava forte do Oeste.
Lá rodava para Sul.’ Não a surfaste logo ali? ‘Não, só
vim a surfá-la [confirma a data no telemóvel] no dia 24 de Novembro de 2022.’ Não haviam planeado experimentar a onda
do farolim, mas a coisa proporcionou-se. Naquele dia foram experimentar a
Viola. Tiveram pouca sorte, após mais de uma hora a tentar, viram que não dava
na Viola: ‘devido à ondulação, a onda não estava perfeita.’ Foi então
que Marco saiu-se com a onda do farolim: ‘Vamos
ver uma onda que conheço de terra? Ao
fundo, avistava-se uma espuma grande, sinal de onda.’ Sebastien, que não
volta a cara a novas experiências, aceita de pronto a dica: ‘Let’s go Captain!’ As três motas (então) rumaram (a
nascente) à ponta do farolim ‘a minha
mota, com o João Macedo, que fez de segurança, a que o João Reis emprestou, comigo
e com o Sebastien e a do Ricardo Moura, com ele, que testemunhou, e o Gabriel
Amorim, meu nadador salvador, que fotografou com a go-pro. Em terra, no
farolim, Pierre (francês) o cameraman do Sebastien, filmou. Havia lá em cima
mais gente a ver. Não me lembro dos nomes.’[3] Chegaram
mesmo ‘no pico da onda. Parece que chegava aos 2, três metros. Onda perfeita.
Protegida da Viola.’ Por haver descoberto a onda e ter sugerido que a
fossem explorar, estou em crer, foi-lhe dado a honra de ser o primeiro a tentar: ‘Go, captain!’ Incentivou-o Sebastien. Que,
em 2022, já era recordista da Nazaré. Marco
(seguro de si) avançou: ‘Levou-me para o alto-mar.
Para navegar a onda até ao pico. Por incrível que pareça, naquele preciso
instante, chegou uma onda grande. O João Macedo manteve-se na zona de
segurança. O Ricardo Moura numa zona calma. A ver a onda de frente. Nunca vires
as costas ao mar!! Go! Go! Depois de
um set, vem a onda. Toda a gente a gritar que era uma grande onda. Até o
Sebastien não queria acreditar. Ouvi a voz do Ricardo Moura: Foste o primeiro a
surfar aquela onda.’ Onda do Captain.
Foi assim que o Sebastien [Steudtner]
a baptizou. Ele e o João Macedo também surfaram nesta ocasião. Num belo tube.
Depois disso, apesar de termos tentado, não tem havido condições.’ [4]
Tamanho da onda? Três semanas depois, em entrevista dada ao Correio dos Açores, após terem feito ‘uma avaliação correcta do tamanho da onda,’ Marco teve ‘a confirmação dos gigantes da Nazaré que
aquela foi a maior onda surfada nos Açores.’ O jornal destacava: ‘Na
costa Norte de São Miguel, Marco Medeiros surfa a maior onda dos Açores na
ponta do farol dos Fenais da Ajuda.’[5] Grato,
Marco confessa ao jornal ter tido ‘o
privilegio’ de ter sido ele a surfar esta aquela ‘onda e a ser rebocado pelo actual recordista do mundo Sebastien
Steudtner. Com o João Macedo a ver-nos [foi o primeiro luso-americano a
ousar atacar uma onda gigante da Nazaré].’ Como
é a onda do farolim? ‘É boa mas
perigosa. Terás de ter um bom operador de resgate. Se cais no pico de arranque,
és arrastado para as rochas. Na primeira tentativa. Onda frequente. Aguenta
mais vento do que a da Viola. Se a Viola não funcionar, funciona os Fenais.’
Noutra ocasião, pedi-lhe que partilhasse o que sentira no momento: ‘Estava tenso. Nunca surfara uma onda assim
tão grande. Fora da protecção do vento. Zona de respingos. Quando a onda
levanta. Borbulhas. Sinal de que a onda vai rebentar. Até me arrepiei. Na
altura em que deixo o cabo e começo a surfar sozinho. Quando me apercebi que
era gigante. Assobiava. Não queria errar. Ao descer a onda. Fiquei muito
sossegado. Na segunda. Para ter velocidade na terceira. Não queria acreditar no
tubo. Tsunami ao meu lado. Depois de surfar, já no rabinho, já fiz as manobras.’[6]
Quem
é Marco Medeiros? ‘Nasci
em casa, na Matriz (cidade da Ribeira Grande), no dia 4 de Julho de 1980. Os
meus avós maternos estavam ligados ao mar. À pesca. Aos calhaus.’[7]
É bombeiro e coordenador dos Nadadores Salvadores da Costa Norte. Faz formação
em resgate.[8] Quando aprendeste a andar numa prancha?
‘Fazia carreiras numa prancha de madeira
de bodyboard e de barbatanas. Mais um grupo da minha idade. Uns foram aprender
surf com o João Brilhante. Foi o caso do meu irmão Miguel e do meu primo Frade.
Apanhava as ondas na Baixa Grande e ia até Monte Verde.’ E o surf? ‘Muito antes de aparecer o Pedro Cruz, há uns 23 ou 24 anos, apareceu
pela bomba de gasolina dos Bombeiros [na rua da Praça, Ribeira Grande] um surfista havaiano que me perguntou onde
ficava Santa Iria. Fui lá com ele. Ele na prancha em pé e eu deitado na minha
prancha de bodyboard. Fomos lá várias vezes. Quando ele foi-se embora,
deixou-me a prancha. Há mais ou menos
uns vinte anos, apareceu o Pedro Cruz. Queria ir também a Santa Iria. Fui lá
com ele. Aí é que comecei a tomar gosto pelas ondas radicais. Vi-o fazer.[9] Mas não foi logo que te puseste de pé? ‘Fui tentando. Existe medidas de prancha para
cada um. Levei algum tempo a acertar.’
A paixão do Marco pelas ondas deu uma volta
de 360 graus com a vinda em 2014 do projecto EDP – Mar Sem Fim. Projecto lançado por João Macedo no ano anterior
que tinha como objectivo (um dos) descobrir novas ondas grandes. Como é que acabas associado a este
projecto? ‘o Sr.
Emanuel Oliveira da Yamaha, patrocinou o projecto. Queriam alguém para fazer
segurança. Como eu fazia isso na mota de água dos Bombeiros, indicou o meu nome.’[10] A Câmara da Ribeira
Grande também era patrocinadora. O
que te levou às ondas grandes?
‘Vi que era mais fácil surfar as ondas grandes do que remar. Saltavam-se as
três bases: remar; por em pé e colocar na posição.
Era só deslizar na onda.’ Quando
te baptizaste nas ondas grandes? ‘Foi em
2016.’ Onde? ‘Na baixa de Santana. Fui rebocado pelo Eric Rebiére.’ E o salto para operador de Resgate na Nazaré? ‘Também em 2016. O João Macedo e o Mário
Almeida convidaram-me para fazer segurança aos atletas portugueses na Nazaré. Ainda
em 2016, recebi um convite da Maia Gabeira (surfista brasileira).’ Disseram-te a razão do convite? ‘Sim. Gostaram da forma organizada que fazia a segurança.’ O seu desempenho agradou, a tal ponto
que, ‘o Sebastien, em 2017, como estava a construir o seu team,
convidou-me para o apoiar.’ Parceria que ainda hoje se mantém.
Coleccionando
novo palmarés, a 17 de Fevereiro de 2020, Marco atira-se à sua primeira grande
onda na praia Norte da Nazaré. Isso ainda no âmbito do Projecto dos Atletas
portugueses, Mar Sem FIM. A onda (sem ser algo oficial) andaria entre 13 a 15
metros: ‘O Grant Twiggy Baker pôs-me na onda. Mar lisinho (offshore). Vento
fraco. Ondulação grande. O João Macedo estava cansado. Perguntou-me se queria
descer uma. Quero, respondi-lhe. Ficou a fazer-me segurança. Vamos ao segundo
pico. No primeiro, estavam todos os profissionais. Era uma onda mais agressiva.
O pico dois era menos agressivo. Fui ao pico dois. Onda fácil. Parede deitada.
Cheguei às borbulhas.’ Borbulhas?
‘Onde vai-se formar a onda. Onde vai
arrebentar. Quando largo o cabo, o tamanho da onda duplicou. Só me apercebi
pela velocidade. Com a experiência e o
receio de falhar, pensei: não posso cair. Fugindo da espuma. Para não ser
engolido pela espuma.’
Nesse entretanto, o potencial das ondas
grandes da Ribeira Grande, confirmado logo na primeira expedição de 2014, era novamente
reconfirmado pela expedição de Fevereiro de 2021. Há, segundo ‘os surfistas,’ ‘potencial na Ribeira Grande
para se organizar uma competição internacional de ondas grandes, à semelhança
do que já se verifica noutros locais do país, como na cidade da Nazaré.’[11]
A pretensão teve (no entanto) de ficar a marinar, pois, logo de seguida, seriam
impostas restrições sanitárias para evitar o alastramento da pandemia. Restrições,
parcialmente levantadas, apenas na segunda metade de 2022. Em 2024, não fora a
falta de apoio, ter-se-ia realizado a primeira competição internacional de
ondas grandes na Ribeira Grande. Contaria com a presença de nomes sonantes,
segundo a lista de convidados que consultei.[12]
Mesmo sem apoios, houve quem não desistisse da ideia: ‘O João Macedo estava cá, juntou-se a mim [Marco Medeiros] e ao Sebastien. Tentamos na Viola, nada. Se
tivéssemos ido um dia antes, era bem capaz de termos conseguido. Fomos a Santa
Iria. Resultou. Mas onde resultou em cheio foi nos Espinafres [lado poente
do Monte Verde]. Tivemos na segunda-feira
[dia 25 de Novembro] e na terça-feira
[dia 26] ondas de 3 metros e meio a
quatro metros.[13] O sonho ainda que novamente
suspenso, não desapareceu.
Em terra, o que poderiam ter visto os que seguiam a
evolução dos surfistas na água? Caso o dia estivesse limpo, avistariam, ao
fundo, as Bretanhas (a poente) e as Achadas (a nascente). E o que veriam (caso tivessem vagar) os que estavam dentro de água? Seguindo
as arribas (de nascente a poente), entre matagais da rocha do Fenais talvez
dessem com as ruínas de quatro moinhos de água. À beira-mar, um nadinha mais a
ponte, a calheta, usada como praia/calhau de banhos da terra. Diante deles, o
magnífico monumento geológico da ponta do Farolim (da Ajuda): grutas, arcos,
uma calçada de gigantes (no género das da Irlanda). Eva Lima, geóloga, autora dessa
tabela do trilho da Vera Cruz, não poupa no elogio: ‘é o melhor
afloramento deste tipo de estrutura na ilha de São Miguel.’ As
‘grutas e arcos,’ continua,
tiveram origem na
‘erosão das colunas, que, devido à
agitação marítima, vão sendo partidas ao longo do tempo.’ Tudo obra (em épocas diferentes) dos
vulcões da Povoação, Furnas e Fogo. Os Fenais da Ajuda, localizam-se na parte
da Ilha que (em termos geológicos) pertence à ilha de Nordeste. Continuando a
seguir a costa, não longe, os portos (velho e novo).
Os de terra, no regresso, porventura, se
entrassem num dos cafés à volta da igreja paroquial, e metessem conversa com
alguém, ficariam a saber que o
farolim foi feito (em 2016) a pedido dos ‘pescadores
de Rabo de Peixe.’ E se quisessem ver o que lhes contavam, voltando (como
eu) de novo ao local em companhia do Jorge, ficariam a saber que à volta do farolim era ‘um ‘sítio com muita
baixa [apontou-me para o mar].’[14] Na
década de setenta, naufragou um barco de pesca de Rabo de Peixe, morrendo todos
os seus ocupantes.[15] Do ‘nosso porto’ (velho e novo) ao calhau da
calheta, existem quinze calhaus. Vão às lapas, aos caranguejos, polvos e pescam
de cana. Nas encostas (tal como acontece à roda da ilha) cultivava-se vinha.
Até ao tempo do pai embarcava-se favas. Apontou-me para os ferros enferrujados.
Conheceu seis barcos de pesca (um do pai, que morreu no mar), outro do tio. Iam
à pesca. Iam ‘de dia, aos bodiões, e à noite, às abróteas e
congros. Barcos a remos, com uma vela. Levava-se mais um par de remos. Iam até
à Achada. Nordeste. Meu pai chegava a casa com feridas no traseiro. Em carne
viva.’[16]
No último dia da festa (de Nossa Senhora da Ajuda) ‘era o dia do porto. O melhor dia da festa. Cai muito povo ali. Meu pai acartava pessoal. Para passear. Às
vezes até à Achada. Lá fora onde se avistava a igreja de Nossa Senhora da Ajuda
do mar. Levava um dinheirinho.’ E
tomavam banho ali? ‘No porto novo.
Mais fundo. E no Velho. Umas poças. Hoje vai lá mais gente e menos à Calheta.
Antes das quebras era o contrário.’ O que há (hoje) além da agro-pecuária? Agora é a vez do David e o Marinho
entrarem na conversa: ‘Pouca batata. Como
já foi a chicória. Houve uma fábrica de chicória. No Caminho da ponte e da
Calheta. Quintas de fruta. Já não há trigo nem milho. Agora só milho de
silagem. Havia muita vinha. A vinha, ainda que pouca, é mais do que a das
freguesias aqui na roda.’[17]
O apelo do mar aqui (tal como à roda da Ilha) é irresistível. O trilho
circular de Vera Cruz, inaugurado a 10 de Dezembro de 2022, é prova disso. Mais.
Dos quatro alojamentos locais existentes, ‘três
situam-se à beira-mar. Dois na rua que vai para a Calheta. Por detrás do
cemitério.’[18]
Farolim, Fenais da Ajuda (Ribeira Grande)
PS: Moinhos. Se agora, levanto os usos do
mar, na década de 80, do século passado, levantei os moinhos à volta da Ilha.
Fiz outro tanto em Santa Maria, nas Ilhas do Pico e na Terceira. Quis estudar a
terminologia. A relação com a água (ribeira ou nascente). Com a clientela.
Afinal, os moinhos foram essenciais numa sociedade agrária. Numa Sebenta (a
2.ª), em Setembro 1988, numa tarde saborosa, num longo diálogo, registei os
moinhos (da memória) do Sr. Manuel Barreira, natural da Lomba da Maia mas
residindo na Ribeira Funda, Lugar dos Fenais da Ajuda, 83 anos, 52 anos de
experiência, deixou de trabalhar em 1971. Informação inédita, deixo-a (como o
tenho vindo a fazer) para figurar no Blogue do Mário e Recanto das Letras. Já o
fiz com os moinhos da Ribeirinha, Lomba da Maia, Maia, Vila Franca. Antes que a
traça coma a Sebenta, eis os dos Fenais: ‘Na ribeira dos Carneiros ou ribeira
Funda, de cima para baixo, houve 12
moinhos (partilhados pelos Fenais e Lomba da Maia). Sete da margem pertencente
aos Fenais da Ajuda, cinco, à Lomba da Maia. Porque fecharam? Perguntei: Não se
recorda de terem moído os 12. Diminuição da área de cultivo de cereais e
aumento das pastagens. As moagens. Eu acrescentei a emigração. Guerra colonial.
Novos hábitos. 1 – LOMBA DA MAIA. Um moinho no lado de cima da ponte da estrada
entre a Lomba da Maia e a Ribeira Funda (Fenais da Ajuda). Casal de mós. O último
proprietário foi Manuel Pacheco Beleza. Está inactivo; 2 - LOMBA DA MAIA. Um
moinho de um casal de mós. Pertencia (teve dúvidas se era dele ou fazia de
renda) a Manuel Pacheco Carneiro Chega Ladrão. Inactivo. Ainda trabalhava na
década de setenta do século XX; 3 - LOMBA DA MAIA. Um moinho de um casal de
mós. Pertencia (teve dúvidas se era dele ou fazia de renda) a Manuel Pacheco
Carneiro Chega Ladrão. Inactivo. ESTES TRÊS ÚLTIMOS PARTILHAVAM A MÃO; 4 –
FENAIS DA AJUDA (Ribeira Funda). Um casal de mós. Chegou a ter dois casais. Mas
com ele (Sr. Barreira) sempre teve só um. De Manuel Pacheco Barreira (o nosso
informador). Trabalhava ainda na década de setenta; 5 - FENAIS DA AJUDA
(Ribeira Funda). Um casal. Sr.ª Marquinhas do Monte. Inactivo; 6- FENAIS DA AJUDA
(Ribeira Funda). Um casal. Da mesma Sr.ª Marquinhas do Monte. Inactivo. Os dois
anteriores, tinham uma mão comum. Era o procedimento entre os proprietários que
detinham moinhos seguidos; 7- FENAIS DA AJUDA (Ribeira Funda). Um casal.
Marcelino Pacheco da Silva. Inactivo; 8 - FENAIS DA AJUDA (Ribeira Funda). Um
casal. Jacinto Pacheco da Silva, conhecido por Jacinto do Porto. Inactivo; 9 -
FENAIS DA AJUDA (Ribeira Funda). Um casal. Jacinto Pacheco da Silva, conhecido
por Jacinto do Porto. Inactivo. Os três últimos, do mesmo proprietário (ou
rendeiro?) e tinham mão comum; 10 - FENAIS DA AJUDA (Ribeira Funda). Um casal.
João da Arruda. Inactivo; 11- LOMBA DA MAIA. Um casal. Da família dos
Cordeiros. Inactivo; 12- LOMBA DA MAIA. Um casal. Da mesma família dos
Cordeiros. Inactivo. Dentro dos Fenais da Ajuda (moinhos de nascente). De cima para baixo. Ao pé do miradouro
da igreja paroquial [Anotei de forma incorrecta. Será do adro da igreja da
Ajuda]: 4 (inactivos) – um casal cada. Pertencentes a Manuel Furtado. ‘Acho que agora estão todos esborralhados.’
Diz que nunca lá esteve mas que os avistou do adro de Nossa Senhora da Ajuda. -
Moura, Mário, 2.ª SEBENTA, entrevista com
Manuel Barreira, natural da Lomba da Maia mas residindo na Ribeira Funda, Lugar
dos Fenais da Ajuda, 83 anos, 52 anos de experiência, deixou de trabalhar em
1971, 6 de Setembro de 1988.
Confirmei alguns
deles no século XIX: Março de 1880 –
Ribeira Funda – 2 moinhos (um com
duas mós e o outro com uma) = 3 casas. Fenais
da Ajuda – 2 moinhos (cada com uma mó) – Proprietários: Manuel Lopes do
Amaral e Dona Rosa Ludovina Soares.Lomba
de São Pedro (ribeira Seca) – 2 moinhos de um casal cada; Abril de 1880: Ribeira Funda – 1 (com duas mós), mais 1 com uma mó cada = 3 casas;
Fenais da Ajuda – 1 moinho com quatro mós = 4 casas. Proprietário = José
Furtado Leite; 1885 = Fenais da Ajuda – Rocha dos Fenais = 1 moinho com quatro
mós - proprietário: José Furtado Leite – mora Fenais da Ajuda; Na rua do
Outeiro – 1 moinho de uma mó de Maria do Amaral e de Manuel Medeiros. - AMRG,
Atribuição de licenças para moinhos 1880-1886
CALHAUS: Fazem
parte da subsistência alimentar da terra. Tenho vindo a reconfirmar, ao
contrário do que se afirmava, que a costa Norte dispunha de ligações marítimas
tal como a costa Sul. No Concelho, como já vi e escrevi, dos Fenais às
Calhetas, existiram Ou ainda existem): Fenais, Maia, Porto Formoso, Ribeirinha,
Rabo de Peixe e Calhetas. Sabe-me dizer
os nomes dos calhaus daqui? ‘Vou começar do nosso porto até à Calheta: 1.º
Lavadouros; 2.º Calhauzinho; 3.º Cacém; 4.º Caminho Novo (?); 5.º Cabra [ao lado do Farolim – lado
nascente. ONDE SURFARAM A ONDA]; 6.º Gadanho [onde está o Farolim]; 7.º Lage;
8.º Poção: 9.º Calhetas [onde tomam banho]; 10.º Campo Furado [local do
naufrágio]; 11.º Risco; 12.º Cavalo; 13.º Poças; 14.º ribeira da Arela; 15.º pesqueiro
Norte. O que faziam nos Calhaus? Pesca
de cana. Lapas. Polvo. José Jorge de Melo, Anão, 68 anos, 5 de Março de 2025
[1] Testemunho de
José Jorge de Melo, Anão, 68 anos, 5 de Março de 2025
[2] Hoje, dia 13 de Março, um dia depois de sair no jornal, o Marco mandou-me – entre várias outras fotografias -, uma de 2019. Nela está escrito 2019, quando procurava a onda dos Fenais. Então, foi em 2020 ou em 2019?
[3] Testemunho de Marco Medeiros, 8 de
Março de 2025: Ao confrontar essa narrativa com a do jornal da altura, descobri
discrepâncias e fui falar de novo com o Marco. Eram duas ou três as motas?
[4] Testemunho de
Marco Medeiros, 29 de Dezembro de 2024.
[5] Correio dos
Açores, 14 de Dezembro de 2022, p.18.
[6] Entrevista com Marco Medeiros,
Escadote, Captain, 1 de Março de 2025
[7] Onde fizeste a escola? ‘Fiz a primária na Escola
Central, fui para a Preparatória Gaspar Frutuoso e completei o 12.º ano na
Secundária. Tudo na Ribeira Grande.’
[8] Tem outros interesses desportivos. Em todos é bom, Seja no hóquei ou no futebol.
[9] Nota de 14 de
Março de 2025. Se for o mesmo havaiano referido em Dezembro de 2023 por Paulo
Luís Sousa, primo de Marco, temos que recuar a data para 1997. Atente-se bem: ‘Lembro-me (diz Paulo Luís) que na cheia que levou carros e vitimou uma
senhora [10 de
Setembro de 1997], estávamos lá. E de um
surfista havaiano do top mundial que andou lá connosco. Por esta altura,
formava-se uma onda perfeita mesmo ao pé do carro que a ribeira arrastara.
Conheço fotografias desta casa.’ Que incluí em Uma História do Surfe na Ribeira Grande (I Parte), Correio dos Açores,
12 de Novembro de 2023, p. 8.
[10]Testemunho de Marco
Medeiros, 8 de Março de 2025.
[11] https://www.cm-ribeiragrande.pt/ribeira-grande-tem-potencial-para-atrair-turismo-de-surf-de-ondas-grandes
[12] Fora-me
confidenciado ao telefone pelo André Avelar, hoje, dia 5 de Outubro, foi-me
confirmado pessoalmente pelo próprio: ‘será uma iniciativa da Câmara e da AASB.
Falta apenas que a autarquia avance com a verba prometida.’ Acrescentou, estão
convidados – ainda não confirmados -, Maia Gabeira, Sebastien Strudar – campeão
mundial -, Gabriel o Pensador; Nathan Florence, se não vier o João Macedo virá
Toni Laureano.’ Mas não divulgues isso ainda.
[13] Testemunho de Marco
Medeiros, 8 de Março de 2025; Moura, Mário, Viola, Correio dos
Açores, 12 de Outubro de 2024, p. 15
[14] Testemunho de
José Jorge de Melo, Anão, 68 anos, 5 de Março de 2025; Testemunho de José
Morgado Pixela, 28 de Fevereiro de
2025: Um pescador amador diz: ‘Quando
estamos a pescar por perto, mesmo no Verão, a gente desvia o barco daquela
onda. Vai mais por fora.’
[15] Recolhi duas
versões. Primeira, Testemunho de José Mário Marinho, 3 de Março de 2025 ‘Dizem que adormeceram, caíram à água e
embrulhados nas redes de pesca afogaram-se todos.’ Outra: ‘O barco foi contra as rochas do Calhau
Furado. Morreu tudo. Um deles nunca mais apareceu. O do leme – dizem – estava
bêbado.’ José Jorge de Melo, Anão, 68 anos, 5 de Março de 2025.
[16] Onde vendiam o peixe? Na freguesia. E o Ti Manuel Madeira ia com cestos às costas
vender peixe para a Lomba de São Pedro.
[17] Há uma Banda de Música, A Estrela do Norte, a Casa do Povo, um Posto Farmacêutico, três Minimercados e a REMAR (Artesanato).
[18] Testemunhos de
Marinho e de David Camboia, 7 de Março de 2025: E um mesmo na ponte que vai
para o farolim. Um é do dono da bomba de gasolina da Lomba da Maia, os outros
dois, da família do Dr. José Maria.
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