O Curato - III
Em 1674, o Bispo D. Frei Lourenço
de Castro (1671-1678), criou
dois curatos no Concelho da Ribeira Grande: nas Calhetas (à altura, local do
Lugar de Rabo de Peixe, Termo da Ribeira Grande); e na Ribeirinha (à altura, local
da Paróquia de Nossa Senhora da Estrela, na Vila da Ribeira Grande).[1] O
da Ribeirinha, na ermida do Santíssimo Salvador do Mundo. Que passaria a
paróquia em 1956.[2]
Nas Calhetas, na ermida de Nossa Senhora da Boa Viagem, que obedeceu (inicialmente)
a duas paróquias: Nossa Senhora da Luz dos Fenais da Luz, Termo do Concelho de
Ponta Delgada e Senhor Bom Jesus do Lugar de Rabo de Peixe, Termo do Concelho
da Ribeira Grande. Enquanto a ligação ao Vigário de Nossa Senhora da Luz, terá cessado
nunca antes de Novembro de 1831,[3] a
ligação ao Vigário do Senhor Bom Jesus, só terá terminado em 1836 ou 1837. Será
suficiente dizer isso? Não. A questão é bastante ‘retorcida.’ Pois, em 1837, na ‘Petição
(dirigida ao Bispado) para erigir na
igreja [de Nossa Senhora da Boa Viagem]
uma paróquia independente da de Rabo de Peixe,’ os peticionários (naturalmente
gente das Calhetas) consideraram-na assim: ‘desde
já o há [Boa Viagem] por desligada
[do Bom Jesus e, pelos vistos, da de Nossa Senhora da Luz] constituindo só por si uma Paróquia sufragânea à Senhora da
Apresentação do Lugar das Capelas.’[4] Fácil de deslindar? Só foi paróquia em
1994? Não o era já antes? Vou tentar desatar o nó (quase cego) no
decorrer desta série de artigos sobre as Calhetas.
Antes de ‘arrepiar’ caminho, convirá dar umas (ligeiras)
pinceladas na História da Igreja dos Açores.[5] Até 1514,
os Açores estiveram sob a alçada da Ordem de Cristo, com sede em Tomar. A
partir de 1514, ano da criação do bispado do Funchal, até 1534, ano da criação
da ‘diocese de Angra e Ilhas dos Açores,’ os Açores fizeram parte do Bispado
do Funchal.[6] A partir de 1534, já Bispado de Angra, a estrutura
eclesiástica da Ilha sofre (assinaláveis) mudanças. Na
Ilha de São Miguel (o mesmo terá sucedido nas demais), até 1527 (pelo menos), a
igreja de São Miguel Arcanjo, em Vila Franca do Campo, terá sido a única igreja
paroquial da Ilha. As restantes igrejas da Ilha (não são incluídas as ermidas) eram
apenas capelanias, dependentes do vigário de Vila Franca.[7]
Uma destas mudanças, ocorre talvez ainda na década de trinta ou (o mais tardar)
na seguinte. Começam então a surgir (temos provas disso) outros vigários além
do de Vila Franca.[8] Por
exemplo, o da igreja de Nossa Senhora da Estrela, da Ribeira Grande. Saltando no
tempo, um século depois, por ocasião da criação do Curato das Calhetas, no
Concelho da Ribeira Grande, encontramos três paróquias (com seus vigários):
Nossa Senhora da Estrela, São Pedro e Bom Jesus. Os Fenais da Luz (que nos
interessa) já era também paróquia. Bem como as Capelas (Nossa Senhora da
Apresentação), que nos irá interessar mais adiante nesta narrativa.[9]
Porquê fazer nas Calhetas um Curato?
Antes de responder à pergunta, importa explicar o que era (então) um Curato? Uma
ermida (e, no caso das Calhetas, a certa altura, uma igreja) servida por um
cura (que, ainda no caso das Calhetas, para maior confusão, alcançou outros
estatutos) que obedecia a uma (neste caso, a mais de uma) igreja paroquial. Então porquê o Curato? Porque dispunha
de um certo número de fogos, que então se consideraria importante. Além disso,
‘as almas de confissão e de comunhão,’
que habitavam aqueles fogos, pertenciam a duas paróquias (perigosamente)
distantes. Era preciso confortá-las. E urgia ‘controlá-las.’
‘(…) Nas paróquias de
maior dimensão ou de habitat disperso [como
eram os casos das paróquias de Nossa Senhora da Luz e do Senhor Bom Jesus], onde se celebra missa nas ermidas para
facilitar a prática cultural a todos os fiéis, implanta-se um sistema de vigilância
mais complexo. Um representante de cada família é obrigado a ir à missa na
paróquia e os restantes podem ir às ermidas, mas em qualquer dos casos são
chamados a rol.’[10] Isso ficará ainda mais claro nas palavras do Bispo. Como
adiante veremos. Mas houve (como já vimos no artigo anterior) outras razões. Repito-as.
Ficava (as Calhetas) a meio caminho da sede da Ouvidoria (na Vila da Ribeira
Grande) e do seu extremo poente: as Bretanhas. Era local frequentado regularmente
por quem fosse tratar de assuntos na administração da Ouvidoria (padres e
leigos). E acrescento mais exemplos. Por farinheiros ou moleiros. Para aqueles
lados, existiam raros cursos de água (os que havia, eram de reduzido caudal ou fruto
de ocasionais chuvadas nas grotas). Apesar de ter surgido (tanto quanto se sabe)
um primeiro moinho de vento em Ponta Delgada (em Santa Clara) por volta de 1630,
(tanto quanto já se sabe, pelo menos, tanto quanto sei) os moinhos de vento só terão
começado a espalhar-se (na Ilha) mais tarde.[11] No século
XVIII ou (decididamente) no XIX. Isso com pontos de interrogação. Mas ainda
assim, porque o vento nem sempre era o favorável (ou porque soprava em demasia
ou porque era demasiado fraco), os moleiros/farinheiros daqueles lados nunca
deixaram de frequentar os moinhos de água da Ribeira Grande. Isso até bem
dentro do século XX.
Quem
seria aquela gente daqueles ‘oitenta e cinco fogos ligados a
Rabo de Peixe e vinte e seis [fogos] ligados aos Fenais da Luz que moravam nas
Calhetas? Mencionados pelo Bispo. Sabe-se pouco acerca deles. Dos que
trabalhavam, pouco ou nada reza a história. Dos donos, já a História é outra. Mas
não muito mais. Do lado dos Fenais, seriam os descendentes dos Jácomes. Do lado
das Calhetas, eram os ‘aparentados’
ao Grão-Capitão. Vou fixar-me nestes últimos, cujo percurso se julga conhecer ‘um nadinha’ mais. Para o século XVII,
sabe-se que residia nas Calhetas, Nicolau da Costa Botelho Arruda (1632 –
1689).[12] Nascera
na Vila da Ribeira Grande e casara na igreja paroquial do Bom Jesus (como era
obrigatório fazê-lo) mas morava nas Calhetas (local do Lugar de Rabo de Peixe,
não o esqueçamos). Descendia de João do Rego Beliago, irmão de pai do Grão
Capitão Francisco do Rego de Sá (que era neto materno de Pedro Rodrigues da
Câmara, um dos homens fortes da Ilha e da Ribeira Grande). Nicolau teve três
filhos (nascidos nas Calhetas e baptizados no Bom Jesus. Como era também obrigatório
fazê-lo). [13]
António, mais tarde, Capitão António do
Rego e Sá, futuro Morgado das Calhetas, era o mais velho. Nasceu sete anos
antes de a ermida da Senhora da Boa Viagem ter sido elevada a sede de curato.[14]
Francisco, o futuro capitão-mor da Ribeira Grande, senhor do Solar de São
Vicente Ferrer e da quinta de Nossa Senhora dos Prazeres, no Pico da Pedra,
nasceu dois anos após a criação do curato. Permutaria (em 1729) a ermida e as
propriedades (no Pico da Pedra) com ‘os
administradores dos vínculos instituídos por Manuel Moniz.’[15] É
um ponto a não perder de vista nesta série de artigos, caso se queira (talvez)
perceber a viragem (mais tarde) no poder da área, das Calhetas para o Pico da
Pedra. Jerónimo, futuro Morgado do Porto das Calhetas, ascendente dos Leite
Bettencourt que tentaram (já no século XIX) cultivar (com sucesso) o chá nas
Calhetas, era o mais novo dos três: nasceu a 26 de Janeiro de 1684. Embora sem dispor de prova directa,
suspeito que o capitão Nicolau tenha contribuído (para a criação do curato. Talvez ‘mexendo’ os cordelinhos. Era um
homem de poder no centro do poder da Ribeira Grande. E terá (igualmente) ‘ajudado’
na construção, remodelação ou ‘apetrecho’ da ermida de Nossa Senhora da Boa
Viagem. Nova suspeita, ainda sem confirmação documental. Outra razão de peso para criar o Curato das Calhetas? Já existia
nas Calhetas um templo. O Grão-capitão havia construído dentro da sua quinta
das Calhetas um (que não sabemos se corresponde ao que em 1674 passou a sede de
curato), a tempo de Frutuoso dar conta dele, quando escreveu as suas Saudades da Terra. Portanto, na década
de oitenta? Ou em data anterior quando recolheu as suas notas? Não sei. Ainda
outra, que vem explicada numa visita de 1713 à paroquial do Senhor Bom Jesus. Nesta
visita, citando Gilberto Bernardo, quando se
‘fala que foi criado um curato na
ermida de Calhetas tendo em conta não só o povo daquele lugar mas também o do
Pico da Pedra.’[16]
Assim sendo, falta-me confirmar o original, revelará, creio, duas coisas: a complementaridade
das Calhetas e do Pico da Pedra, por um lado, e, a ‘subordinação’ do Pico da Pedra às Calhetas, por outro. Parece-vos
correcta a minha interpretação?
Vamos aos documentos da criação do Curato das
Calhetas? Primeiro: não terá existido um texto na Mitra
de Angra? Se existiu, nada se sabe dele. Felizmente existem outros. Dois dos textos
(originais) que criam (legalmente) o curato de Nossa Senhora da Boa Viagem foram
reproduzidos nos Livro de Visitas das igrejas paroquiais do Senhor Bom Jesus e
de Nossa Senhora da Luz. Confrontei (no local) os dois textos sobreviventes. O
teor de ambos os textos é (confirmei) idêntico, havendo (apenas) uma (ligeira) divergência nas datas
da sua produção.[17] Ao
Senhor Bom Jesus em finais de Abril e à Senhora da Luz, em Outubro. O que poderá
significar esta diferença de seis meses? Que o Curato só terá começado a
funcionar em pleno, em data posterior a Outubro de 1674. Portanto, em finais do
ano ou já em inícios do seguinte de 1675.
A
palavra ao Bispo D. Frei Lourenço de Castro. O resumo do
que terá dito. E o que autenticou como tendo dito com o seu selo e nome. Vou (ao
mesmo tempo) analisar o que diz. As paróquias-mães ficavam distantes das
suas ovelhas: ‘Vimos o detrimento que os
párocos dos Lugares de Rabo de Peixe e Fenais têm em administrarem os
sacramentos [poucos no Curato e todos na paróquia] aos moradores do Lugar de Calhetas.’ As ‘ovelhas’ já eram em
número considerável: ‘que são entre todos
cento e onze fogos dos quais pertencem oitenta e cinco a Paróquia de Rabo de
Peixe e vinte e seis à dos Fenais.’ [A pertença dupla dos moradores] A bem da Salvação das suas Almas, era
imperioso evitar que se furtassem ao cumprimento dos preceitos da Igreja: ‘e por evitaremos tantas faltas quantas
tem sucedido sem culpa dos párocos sendo causa delas a distância do caminho
como também a falta que aquele povo padece dos ofícios divinos nos pareceu no
dito lugar das Calhetas prover de novo hum cura que assista no dito lugar.’ [um
cura para ajudar o Pároco] Até onde iam as competências do Cura? ‘dizer missa aquele povo na ermida de Nossa
Senhora da Boa Viagem [missa comum e pouco mais] aonde terá os santos óleos em um armário fechado com todo o resguardo
para ungir aos enfermos sendo de manhã administrará o Santíssimo na dita ermida
e sucedendo de tarde dar acidente em alguma pessoa que lhe seja necessário a
sagrada comunhão ira do sacrário de qualquer das paróquias donde for freguês [apenas
em caso de estrema urgência] e morrendo
algum dos fregueses o dito cura será obrigado a dar conta ao pároco a quem
pertencer a ovelha para que a enterre e lhe mande fazer os sufrágios conforme
dispõe o direito e Constituições deste Bispado [na Paróquia]. E serão obrigados os párocos das ditas
freguesias chamarem o dito cura para os funerais e para todos os benesses que
houver nas ditas paróquias. E as crianças que nascerem irão a baptizar a
qualquer das freguesias aonde cada um pertencer [baptismos na paróquia]. E no tempo da quaresma cada uma das ditas
pessoas se irá desobrigar à freguesia donde for freguês. [a desobriga
também na paróquia. Não se refere o local dos casamentos, mas, a exemplo dos
demais sacramentos, deveriam também ocorrer na paróquia].’ Ter curato, além do que acima foi dito, implicava custos: ‘os moradores do dito Lugar das Calhetas
serão obrigados a mandar fazer à sua custa relicário para o Senhor e âmbulas
para os santos óleos.’ Havia, no entanto, uma regalia para o Cura, era (em parte) o seu sustento: ‘E as duas capelas de missa o que o dito
povo dizer na dita ermida de Nossa Senhora da Boa Viagem as não poderá dizer
outro sacerdote senão o dito Cura por nos nomeado.’[18]
O cura da ermida da Boa Viagem, em 1830, era o mais pobre entre os seus
pares na Ilha de São Miguel. Sabemo-lo por uma nota de despesa da Alfândega.
Diz respeito ao que a coroa pagou ao clero da ilha: ‘Ao cura de Nossa Senhora da Boa Viagem das Calhetas – 6$000 réis.’[1] Como
terão (certamente) reparado, o cura das Calhetas (e qualquer outro na
altura) não seria mais do que ‘um auxiliar’ (no caso do das Calhetas), de dois
Párocos. As suas competências não iam muito além de dizer missa. Isso não
significa, no entanto, que não houvesse casamentos ou enterros em Nossa Senhora
da Boa Viagem. Era necessário autorização dos vigários das paróquias. Um
exemplo. A 27 de Dezembro de 1713, ‘António
da Costa, solteiro (…) filho de
António da Costa Geiras e de sua mulher Maria Graça, já falecidos, morador nas
Calhetas, deste Lugar de Rabo de Peixe, de cinquenta e quatro anos, pouco mais
ou menos,’ ‘foi sepultado na ermida
de Nossa Senhora da Boa Viagem das ditas Calhetas, sufragânea à Paroquial dos
Fenais, com licença do Reverendo Pároco dela e minha (…) O Vigário António Pais de Vasconcelos.’[1]
Segundo Rodrigo Rodrigues, o Capitão António do Rego e Sá, casou, em segundas
núpcias, a 4 de Fevereiro de 1717, com Rosa Pais da Silva, sobrinha da defunta
sua esposa, na igreja da Boa Viagem, das Calhetas. Mas os registos estavam
centralizados na igreja paroquial. A situação (no entanto) mudaria (pelo menos)
em 1837. Já aí vemos o Cura das Calhetas (bem como o do Pico da Pedra) além de realizar
baptismos, óbitos e casamentos, a registá-los em livros autónomos dos da
paróquia.[19]
Os Curas das Calhetas (igualmente para os do Pico da Pedra) também já se
encarregavam da desobriga Pascal. Já o fariam antes de 1837.[20] Os
assentos da Boa Viagem, já não mencionam a igreja de Nossa Senhora da Luz.
Apenas a do Bom Jesus. E, em 1838, mesma esta última deixou de ser indicada. Nossa
Senhora da Boa Viagem começou (então) a identificar-se (e a ser reconhecida
pelas autoridades civis e religiosas, com muito poucas e esporádicas excepções)
como igreja Paroquial. E quanto ao Pico
da Pedra? Só setenta e um anos depois (das Calhetas) é que foi criado (oficialmente)
o Curato do Pico da Pedra, na ermida de Nossa Senhora dos Prazeres.[21] O
processo foi iniciado em Junho de 1735, porém, caso o Rei discordasse, como
aconteceu com a Lomba da Maia, não teria sido elevado. Todavia, o próprio Rei
admite que já funcione há três para quatro anos. O que recuaria para 1741 ou
1742. Dezassete anos (contando da altura do processo concluído) após a troca
que Francisco de Arruda e Sá, um filho das Calhetas, fez com os herdeiros do ‘dono’
inicial daquela ermida. Mais. Durante um período, por sentença do Bispo D.
António Vieira Leitão, de Novembro de 1706, o Pico da Pedra chegou a fazer
parte do Curato de Nossa Senhora da Boa Viagem. Do Lugar das Calhetas: ‘digo [D. António Vieira Leitão] que para
se conhecer sem controvérsia que os moradores do Pico da Pedra pertencem ao
Curado das Calhetas.’[22] E
mais: ‘O Pico da Pedra é limite das
Calhetas.’ (fl. 34 v.) Aliás, segundo a interpretação deste Bispo, deveria
ter sido assim desde 1674.[23] O Bispo deu razão ao vigário do Bom
Jesus, o Licenciado António Pais de Vasconcelos, e implicitamente ao de Nossa
Senhora da Luz, Manuel da Costa e Melo. Contrariou
a vontade de Manuel da Costa Andrade, Cura das Calhetas, que era com ‘os quase sessenta anos de idade e com perto
de trinta de indigno pároco,’ segundo o Bispo, não teria forças nem vontade
acrescentar às suas obrigações de ajudar os vigários de duas paróquias mais
outros encargos. O Pico da Pedra ficava (ainda) ‘lá para cima’ muito fora de
mão. Apesar dos protestos imediatos dos ‘moradores’ do Pico da Pedra (através
do vigário do Bom Jesus), que preferiam manter-se ligados ao Vigário de Rabo de
Peixe.[24]
Não fica claro. Nem tão pouco, fica claro (na interpretação que consigo tirar),
da visita de 1713, se o Bispo manteve a resolução ou se recuou.[25] Do
que não existem dúvidas, é que em 1735 é sufragânea do Senhor Bom Jesus.
Porque terá sido elevado (então) o
Pico da Pedra a Curato?
Porque tinha ‘noventa
e nove [fogos], e pelas almas de
confissão e comunhão as quais, no rol de confessados somavam trezentas e trinta
e quatro.’ Ainda assim, muito aquém das Calhetas. Porque distava uma légua
da igreja do Senhor Bom Jesus. Dava jeito ao capitão-mor da Ribeira Grande, Francisco
de Arruda e Sá, que se libertava de mais um encargo. Já tinha a despesa do
capelão de São Vicente Ferrer na Vila da Ribeira Grande. Sendo Curato, seria a
Coroa a pagar ao Cura. Estaria concentrado em promover ao máximo possível o
rendimento das propriedades (porventura) mal aproveitadas pelos herdeiros de ‘Moniz.’
Além do Curato (1745), o Pico da Pedra iria ter em (pelo menos) 1769 um
alcaide, um Juiz, e um escrivão. Algo que as Calhetas já tinham desde finais do
século passado. Já se transferia o eixo do poder do litoral das Calhetas para
as quintas do Pico da Pedra? Já então despontaria a laranja? Ainda não de forma
sensível. Era só um aproximar. (continua)
Mário
Moura
Cidade
da Ribeira Grande (São Salvador do Mundo - Ribeirinha)
(Correio dos Açores, 7 de Abril
de 2023)
PS: Este texto, em relação ao
publicado no Correio dos Açores, porque prossegui a pesquisa, sofreu
alterações.
[1] Lourenço de Castro (Lisboa, c. 1620 — Miranda do Douro, 13 de agosto de 1684)
foi o 14.º bispo da Diocese de Angra, tendo-a
governado entre 1671 e 1678. Foi também o 16.º bispo da
Diocese de Miranda, para a qual foi transferido em 1681 e que governou até falecer.
[2] Alverne, Frei
Agostinho de Monte, Na ermida, hoje destruída, localizada num pequeno adro, no
sopé do outeiro a caminho do Lameiro. A
construção do actual templo teve início em 1826 e só foi concluído em 1861, Já
sofreu obras de restauro em finais do século XX. A 25
de Maio de 1956, D. Manuel Afonso de Carvalho, elevou o curato da Ribeirinha a
paróquia, ficando desde então com todos os privilégios e encargos que o Direito
lhe confirmava, sendo nomeado como seu primeiro pároco o Padre Artur Pacheco Agostinho.
Passara, no entanto, a freguesia, oito anos antes, em 1948 a freguesia. O Lugar da Ribeirinha, que até então, pertencera à freguesia de Nossa Senhora da Estrela da
então Vila da Ribeira Grande, passa, pelo Decreto n.º 36997 de 3 de
Agosto de 1948, a Freguesia.
[3] Conforme os
óbitos: BPARPD, Óbitos de Nossa Senhora da Luz, 1824-1840, Maria, filha de
Manuel de Medeiros e de Quitéria de Jesus, 3 anos, 9 de Novembro de 1831, fl. ?: ‘(…) e foi sepultado na
ermida de Nossa Senhora da Boa Viagem sufragânea a esta dita paroquial (de
Nossa Senhora da Luz) Cura António José Botelho.’ Talvez pouco depois (em
1832), a igreja dos Fenais perde importância e fica sufragânea da igreja
Prioral de Nossa Senhora da Apresentação das Capelas. Nossa Senhora da Boa
Viagem (por esta altura) passa a sufragânea daquela mesma Prioral. No entanto,
o requerimento das Calhetas a pedir ao bispo que separasse Nossa Senhora da Boa
Viagem do Senhor Bom Jesus afirmava (sem base) afirmava que esta se separara ‘muito tempo antes’ de 1836/7 da igreja
de Nossa Senhora da Luz, nos Fenais da Luz.
[4] Paróquia das
Calhetas. Petição para erigir na igreja uma paróquia independente da de Rabo de
Peixe, nas Calhetas, na pessoa do Cura Cipriano José de Sousa. 11 de Abril de
1837- Maço 547 – Doc. 21. https://arquivos.azores.gov.pt/details?id=1017169: Conto tentar
deslindar (o que for possível deslindar) o mais à frente, em outro trabalho.
Para já, adianto que ‘[a igreja de Nossa Senhora da Apresentação] Foi sede de
Priorado, de acordo com o Decreto de 17 Maio de 1832, com jurisdição sobre as
paróquias de Bretanha (Nossa Senhora da Ajuda), Fenais da Luz (Nossa Senhora da
Luz), Rabo de Peixe (Senhor Bom Jesus) e Santo António-além-Capelas, com um total
de 12 curas.’
[5] Além do que já
há sobre a temática, planeia-se uma nova História desta instituição, conforme: Correio
dos Açores, 10 de Março de 2023: ‘O Instituto Católico de Cultura da diocese de Angra
assina hoje um protocolo de colaboração com a Universidade Católica Portuguesa
e a Universidade dos Açores para a realização de um projecto de investigação
sobre a História Religiosa dos Açores, no âmbito das comemorações dos 500 anos
da constituição da Diocese de Angra (…) insere-se no contexto da preparação das
comemorações dos 500 anos da Diocese de Angra e dará inicio à formalização do
projecto científico dedicado ao DIO 500-História Religiosa dos Açores.’
[6] Enes, Maria
Fernanda, Uma carta de D. Filipe I sobre
o clero das Ilhas dos Açores de 1590, in Arquipélago, Universidade dos
Açores, Série Ciências Humanas, Número Especial: in Memorium de João Teixeira
Soares de Sousa no I Centenário da sua morte, 1983, pp. 61-62; Bula Æquum reputamus, Criação da Diocese de Angra, Paulo III, 3 de Novembro de 1534. Caso singular, a Bula de Paula III deixa de
fora (como ainda hoje estará?) a Ilha de Santa Maria. Mais, cria o Bispado de
Angra na Ilha de São Miguel. Essa situação, foi resolvida.
[7] Livro do
Almoxarife de S. Miguel (1527), copiado pelo escrivão António Borges a 13 de
Abril de 1527, transcrito no século XIX (?) por J. I. de Brito Rebelo de Contas
e receitas dos Almoxarifes, Maço 4.º n.º 3, Arquivo Nacional da Torre do Tombo,
In Arquivo dos Açores, Volume IV, Ponta Delgada, 1981, pp. 97-120.
[8] BPARPD, Livro de Baptismos, Nossa Senhora da Estrela, 1541-1563, folha de abertura
[9] Por ordem (mais
ou menos) cronológica (quanto a existência de um vigário): Nossa Senhora da
Estrela (décadas de 30 ou de quarenta), talvez se deva dizer o mesmo do Senhor
Bom Jesus e de Nossa Senhora da Luz; São Pedro, Ribeira Seca, 1575/1576; Nossa
Senhora da Apresentação (Capelas),
1592. Cronologia (obviamente provisória para Estrela, Bom Jesus e Nossa Senhora
da Luz) que carece de melhor prova.
[10] Enes, Fernanda, Poder
político ‘versus’ poder religioso na vida paroquial (os Açores na Época Moderna),
in História & Crítica, Lisboa, 1988, pp. 801-802
[11] Martins,
Rui de Sousa, Moinhos de vento dos
Açores: a descoberta de um parentesco, in Patrimonia: identidade, ciências sociais e fruição cultural, Carnaxide, Nº 5 (Nov. 1999), p. 19-22: ‘(p.20) (…) É muito provável
que esta técnica [inglesa ] tenha chagado aos Açores nos séculos XVIII e XIX,
no contexto das intensa relações com a Grã-Bretanha.’ Mas também de origem
holandesa e sueca. Vilhena, Maria da Conceição, Os moinhos do Faial: novo contributo para a sua história, Boletim
do Instituto Histórico da Ilha Terceira, N.º XXXVIII, 1980 [trabalho de 1981],
pp. 175-183: ‘(p.183) Tínhamos já terminado este trabalho quando tivemos
conhecimento do artigo do Sr. Hugo Moreira, sobre os moinhos de vento em S.
Miguel, publicado no jornal a Ilha, de 11 de Abril de 1964. Nele se cita, como
alusão mais antiga à existência de moinhos na Ilha em S. Miguel, a que se
encontra numa escritura datada de 20 de Setembro de 1633: ‘(…) sita além de
Santa Clara ao moinho de vento.’ Quer dizer que, quando foram construídos os
moinhos de vento em Faial, já S. Miguel os possuía.’ Moura, Mário, Memórias dos moinhos da Ribeira Grande. Um
percurso pedestre à terra dos moinhos de água, Amigos dos Açores, 1997.
[12] Rodrigo
Rodrigues: ‘Nicolau da Costa Botelho de Arruda, Capitão, baptizado na Matriz da
Ribeira Grande a 9.11.1632 e morador nas Calhetas. Casou a primeira vez em Rabo
de Peixe, a 22.11.1658, com Inês Tavares de Melo (Cap.º187.º § N.º 4), e a
segunda vez em S. Pedro da Ribeira Seca, a 26.1.1701, com Ângela de Sampaio,
viúva de José Moniz Carneiro.’
[13] BPARPDL,
Baptismos Bom Jesus, Rabo de Peixe, Francisco, 21 de Fevereiro de 1676, fl. 189
v.: ‘Em os vinte e um dias do mês de Fevereiro de mil seiscentos e setenta e
seis. Baptizou o Padre João Bicudo, Beneficiado da Vila da Ribeira Grande, a
Francisco, filho do Capitão Nicolau da Costa e de Dona Inês Tavares, moradores nas Calhetas: foram padrinhos
o capitão António Botelho de Sampaio e Maria Alves parteira (…) O Cura Manuel
da Costa Silva.’
[14] BPARPDL,
Baptismos Bom Jesus, Rabo de Peixe, António, 16 de Fevereiro de 1667, fl. 128
v: ‘Em os dezasseis dias do mês de
Fevereiro de seiscentos e setenta e sete baptizou o padre Inácio de Melo
Tavares a António filho do Capitão da Costa da Arruda e de sua mulher Dona Inês
Tavares foram padrinhos o Capitão António Botelho de Sampaio e Maria Alves
parteira, era ut supra. Padre Inácio de Melo Tavares.’
[15] Câmara, João de
Arruda Botelho da, Instituições
vinculares e notas genealógicas, ICPD, 1995, p. 95: ‘trocaram pelo juro
real de 424$252 réis, pagos nos direitos reais do sal de Setúbal.’
[16] Bernardo, Gilberto, Um arquivo de documentos dos séculos XVII a XIX, in Voz Popular, Pico da Pedra, Junho de 2022 [Data de 2013. Partilhou comigo em Fevereiro de 2022], pp. 34-35; Cf. APIBJ, Rabo de Peixe, visita de 1713.
[17] Seguindo
Gilberto Bernardo, cf. Arquivo da Igreja Paroquial do Bom Jesus de Rabo de
Peixe, Documento que cria o Curato de Nossa Senhora da Boa Viagem, Visitação de
Frei Lourenço de Castro, Bispo de Angra, que fez à paroquial do Bom Jesus de
Rabo de Peixe no ano de 1674, Maço c/ pastorais e Visitas, fl. 7 - 8 v. Dada [Texto dos Fenais da Luz: nesta
cidade de] em Ponta Delgada da Ilha de S.
Miguel sob nosso sinal e selo aos [Texto dos Fenais da Luz: aos vinte e
nove de Outubro] [Senhor Bom Jesus] 30 de
A.br de 1674 anos António de Serpa escrivão da Visita que a fez escrever./Fr.
L. Bispo de Angra.’
[18] Arquivo Paroquial da igreja do Senhor Bom Jesus, Rabo de Peixe,
Visitação no ano de 1674, Maço c/ pastorais e Visitas, fl. 7 - 8 v. Confrontada
com a de Nossa Senhora da Luz: PT/DANG/PDL07/014/348,
[Visitações Pastorais Nossa Senhora da Luz de 29/10/1674 a 1763], fls. 7v-8.
[19] Prova disso são
os livros respectivos.
[20] AMRG, Fundo da Ouvidoria da Ribeira
Grande, Livro de Registos dos Róis de Confissão, 1812-1846.
[21] Mendonça, Padre
António Furtado de, Memórias da Freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres,
do Lugar do Pico da Pedra, coligidas de documentos e tradições pelo vigário
da mesma freguesia António de Furtado de Mendonça, no ano de 1913, 1993, p.
8: [Mendonça desconhecia a prova directa, ou seja, o documento transcrito nas
Visitas da igreja do Senhor Bom Jesus, no entanto, por fonte indirecta, chega a
1735]: ‘O registo paroquial da freguesia
do Senhor Bom Jesus, de que fazia parte este lugar, leva-nos a supor que foi em
1735 que teve lugar a criação do Curato de Nossa Senhora dos Prazeres.’[Confirmei
a passagem tanto na Revista Micaelense como na Edição de 1986]; Bernardo,
Gilberto, Não publicado [Data de
2013. Partilhou comigo em Fevereiro de 2022]; Cf. APIBJ, Rabo de Peixe, visita
de 1735: ‘O
visitador é o Pe. Manuel Pacheco de Melo, ouvidor de Vila Franca do Campo e
visitador da Vila da Ribeira Grande. Tendo mandado que nela se faça um curato,
justificando esta sua medida pela distância a que ficava da igreja paroquial,
que devido a ela muitos moradores morriam sem sacramentos, como diz ter acontecido
em sua presença” nesta ocasião de
Visita “; também se justificava pelo número de fogos que possuía, noventa e
nove, e pelas almas de confissão e comunhão as quais, no rol de confessados
somavam trezentas e trinta e quatro.’ Apenas
comenta, incluindo algumas citações directas. Não transcreve o documento. O que
vi no Arquivo Paroquial do Senhor Bom Jesus: APIBJ, Rabo de Peixe, Visitação de
Manuel Pacheco de Melo, Ouvidor do Eclesiástico de Vila Franca do
Campo, Visitador da Vila da Ribeira Grande, a mando do Deão da Sé, Lugar de
Rabo de Peixe, Termo da Vila da Ribeira Grande, 21 de Junho de 1735, fls. 51 v.- 53
v.: ‘(fl. 52) (…) [À Margem: Criação do
Curato do Prazeres] Visitando a
Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres situada no Pico da Pedra limite desta
Freguesia vi o detrimento que os Párocos deste Lugar de Rabo de Peixe têm pela
distância do caminho em administrarem os sacramentos aos moradores daquele
sítio sufragâneo à mesma Paróquia, o qual, pelo Rol da Comunhão dão noventa e
nove fogos e neles almas de confissão (fl. 52 v) e comunhão trezentas e quatro
digo trezentas e trinta e quatro (…).’; APIBJ, Rabo de Peixe, Treslado da
Provisão por onde foi criado o Curato de Nossa Senhora dos Prazeres do Pico da
Pedra, 1745: ‘Eu, El-Rei [D. João V], como Governador e Perpétuo Administrador
que sou do Mestrado e Cavalaria da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, faço
saber aos que este meu Alvará virem que havendo respeito ao que me representou
o Reverendo o Padre Miguel Tavares, Cura na Ermida de Nossa Senhora dos
Prazeres, sufragânea à igreja Matriz do Bom Jesus do Lugar de Rabo de Peixe da
Vila da Ribeira Grande da Ilha de São Miguel do Bispado de Angra (…) visitando
o visitador do ordinário do mesmo Bispado a Matriz do dito Lugar, e sua
freguesia, achara que o povo da referida Ermida constava de trezentos e tantas
pessoas que ficavam distantes da dita Matriz, uma légua, por cuja causa sucederam ficar algumas pessoas sem sacramentos,
e outras ficarem sem ouvirem missa, por não poderem vir à dita Matriz, ao que
atendendo ao mesmo visitador a esta necessidade espiritual, determinando em
capítulo de visita se criasse um Cura na dita ermida com a côngrua com que se
dá aos mais curas das igrejas da minha Ilha de S. Miguel na forma costumada
paga pela minha Real Fazenda e nesta esperança entrar o suplicante na serventia
(?) do dito Curato com provimento (?) do Reverendo Bispo em virtude da qual se
achava servindo há três para quatro anos, sem côngrua nem emolumento algum. O
que visto, informações que (…) o Bispo de Angra (…) Hei por bem fazer mercê,
criar e erigir de novo (fl. V.) um Curato na referida Ermida de Nossa Senhora
dos Prazeres, sufragânea à dita Matriz do Bom Jesus do Lugar de Rabo de Peixe
termo da Vila da Ribeira Grande (…) Provedoria da Fazenda Real, Lisboa, oito de Março de mil setecentos e quarenta
e cinco anos// Rainha //Alvará por que Vossa Majestade há por bem fazer
mercê, criar e erigir de novo um curato na Ermida de Nossa Senhora dos Prazeres
(…) Lisboa, oito de Março de mil
setecentos e quarenta e cinco (…) 27
de Fevereiro de mil setecentos e quarenta e cinco.’
[22] APIBJ, Rabo de
Peixe, Petição ao Bispo D. António Vieira Leitão, de 3 de Novembro de 1706, que
está na Ribeira Grande, Suplicante: Manuel da Costa Andrade, Cura da ermida de
Nossa Senhora da Boa Viagem, do Lugar das Calhetas, e Suplicado, o Licenciado
António Pais de Vasconcelos, Vigário da igreja paroquial do Senhor Bom Jesus,
do Lugar de Rabo de Peixe fl. 33 v.
[23] APIBJ, Rabo de
Peixe, Petição ao Bispo D. António Vieira Leitão, de 7 de Janeiro de 1707, que
está na Ribeira Grande, Suplicante: Manuel da Costa Andrade, Cura da ermida de
Nossa Senhora da Boa Viagem, do Lugar das Calhetas, e Suplicado, o Licenciado
António Pais de Vasconcelos, Vigário da igreja paroquial do Senhor Bom Jesus,
do Lugar de Rabo de Peixe fls. 33 v.-34: ‘(…) por ‘duas
razões: (…) a primeira se colhe das
primeiras palavras do capítulo da erecção dele [Nossa Senhora da Boa
Viagem] que claramente disseram ser ambição do Prelado
(…).’Vimos o detrimento que os Párocos
do Lugar de Rabo de Peixe e Fenais em (…) administrarem os Sacramentos (fl. 34)
e julgando por detrimento dos párocos mais perto que são os das Calhetas, como
não julgaria por maior detrimento mais longe qual é o Pico e mais abaixo também
e por evitarmos tantas faltas quantas têm sucedido sem culpa dos Párocos sendo
causa delas a distância do caminho.’
[24] APIBJ, Rabo de Peixe, Petição ao Bispo D. António Vieira Leitão, (petição do suplicante (17de Novembro de 1706; (resposta) de 19 de Janeiro de 1707, fls. 34 v. – 39.
[25]APIBJ, Rabo de
Peixe, Visitação do Dr. Francisco da Costa Carreiro, Lugar de Rabo
de Peixe, Termo da Vila da Ribeira Grande, 9 de Julho de 1713, fls. 42 v.; 44-44
v.: ‘(fl. 42 v.) Visitei a ermida de Nossa Senhora dos Prazeres desta freguesia
[Senhor Bom Jesus]; ‘(fl. 44) Na dita
ermida das Calhetas foi erecto um Curado a respeito do muito povo que então
nelas, e no Pico da Pedra (fl. 44 v.) havia,
e agora o há em dobro pertencente desta Paróquia do Bom Jesus, e algum, posto
que em menor número, aos Fenais, para que a um, e outro povo, administrasse a
Paroquial dos Fenais o dito Padre Cura os divinos Sacramentos (…).’
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